Conecte-se com a LIVE MARKETING

Artigos

Federico Grosso – Confusão e complexidade: nosso atual futuro

Publicado

em

“Se você não está confuso, você não sabe o que está acontecendo”, afirmou o icônico Jack Welch. Tal sabedoria nos leva à realidade de que o mundo está em constante evolução e os humanos não abraçam a mudança, mas se adaptam a ela – muitas vezes com alguma dificuldade. Culturas nunca são criadas nem destruídas. São transformadas. E se alguma coisa está nos impactando hoje, é a velocidade em que esta transformação está acontecendo, acelerada pela tecnologia.

A tecnologia que hoje está em nossos smartphones começou no final da década de 1940. Os computadores, tão grandes quanto frigoríficos, eram operados em laboratórios por pessoas de branco. Então, no início dos anos 1970, apareceu a primeira versão do que conhecemos hoje como a internet. Com o tempo, o hardware ficou cada vez menor, o software tornou-se cada vez mais poderoso e os dispositivos foram conectados pela internet.

A tecnologia era complicada: exigia conhecimentos específicos, anos de estudo de engenharia e visava executar tarefas específicas de modo automatizado. Por muito tempo, foi campo restrito aos tecnólogos.

Depois vieram três megatendências tecnológicas: internet de alta velocidade, mobilidade e computação em nuvem – juntas, essas forças mudaram o nosso mundo. O software se libertou do hardware, a capacidade de criar e consumir dados nunca esteve tão disponível e a maioria dos setores foi transformada completamente.

A tecnologia costumava ser complicada, depois simples, depois invisível e penetrante (a nuvem…). Começou a se tornar complexa: parte de um ecossistema maior que inclui economia, elementos geopolíticos, bilhões de indivíduos conectados e outros fatores difíceis de prever e controlar.

A complexidade está para ficar. Inovar é complexo: os problemas que estamos resolvendo são problemas de ecossistema. Carros autônomos, por exemplo, devem andar nas ruas, lado a lado de motoristas humanos. Hoje, para colocar esse carro na estrada, você precisa quebrar os silos organizacionais e reunir uma série de especialistas e departamentos.

A tecnologia exige que mudemos como trabalhamos. O trabalho moderno em comparação ao antigo é análogo à comparação de uma orquestra clássica à improvisação de um grupo de jazz.

Na música clássica, o maestro dirige um grupo específico de instrumentos para tocar juntos ao longo da partitura. Há um começo, um fim, todo mundo sabe como eles se encaixam.

Nas jam sessions de jazz, os músicos precisam confiar uns nos outros, co-criar e avançar, muitas vezes descobrindo somente ao longo do caminho para onde estão indo. A liderança é fluida e as únicas regras são que os músicos estejam preparados, proativos e presentes. Requer coragem, empatia e flexibilidade de todos. Por estas razões, uma boa jam session é muito dinâmica e divertida de assistir: testam o que funciona, falham rápido, reagem ao humor do público em tempo real. Improvisam.

Orquestras são complicadas, jam sessions são complexas. Pensar em nosso local de trabalho como um fluxo contínuo de jam sessions pode ser assustador. A rebelião ao status quo, que já foi uma prerrogativa de startups, equipes criativas e “desajustados digitais”, está entrando agora nas salas de reunião.

Recentemente, o CEO de uma grande corporação me disse: “Nós costumávamos ser bem-sucedidos, lentos e arrogantes. A tecnologia nos obrigou a repensar não apenas o que fazemos, mas como fazemos. Nos ensinou que, para continuarmos bem-sucedidos, precisamos ser humildes, rebeldes e rápidos. Costumávamos punir o fracasso, agora sabemos que é parte natural do mapeamento de novos territórios. Eu costumava orientar as gerações mais jovens, agora sou orientado por eles”.

É preciso coragem para ver o mundo dessa maneira, porque a confusão de que Jack Welch estava falando vem da nossa necessidade humana natural de prever, comandar e controlar. Isso funciona em ambientes complicados, mas quando você enfrenta a complexidade, precisa confiar em outras forças humanas: capacidade de adaptação, resiliência para suportar a transformação, criatividade e sabedoria para escolher o futuro que estamos criando coletivamente.

*Federico Grosso  tem experiência de mais de 20 anos na indústria de tecnologia e hoje é vice-presidente e diretor geral da Adobe para a América Latina. Italiano radicado no Brasil, possui graduação em Ciências Políticas e Jornalismo, mas ​foi em gigantes e startups de tecnologia​ que construiu sua carreira​.

Continue lendo
Clique para comentar

You must be logged in to post a comment Login

Deixe uma resposta

Artigos

Silmara Reis Salles – Os caminhos acertados das ações de Mobile Marketing

Publicado

em

Por Silmara Reis Salles – Head of Sales Brasil dá Logan 

Assim como ocorreu com praticamente tudo, também o Mobile Marketing, que por definição é o conjunto de ações capazes de impactar os usuários em dispositivos móveis, foi afetado pela Covid-19, mas, neste caso, houve um crescimento do setor, afinal, devido as restrições, as pessoas que já utilizavam o celular, não somente como um meio de comunicação, mas como uma ferramenta de entretenimento e compras, passaram a ter o aparelho como centro de tudo.

Essa transição fez com que o consumo de horas atrás da telinha aumentasse em 20% ao ano, uma média diária de mais quatro horas no celular, conforme dados da App Anie. A rotina mudou, as aulas presenciais passaram a ser EAD, a ida ao restaurante virou pedido por APPs, as academias passaram a oferecer videoaulas na sala de casa e as reuniões presenciais de trabalho tornaram-se calls, tudo isso tendo o celular, como grande ferramenta.

O novo cenário impôs alguns ajustes nas estratégias de Mobile Marketing. As Campanhas de Geolocalização, por exemplo, onde o foco é chamar o consumidor para um ponto de venda e em seguida medir o número de visitas, somaram-se a esse kpi outros como ter o direcionamento para uma loja online na base do histórico de geo behaviour, ou para um canal de atendimento da marca, por meio de novos formatos de engajamento via APP de mensagens, o que vem chamado de Social Commerce.

Com tecnologias inovadoras é possível obter dados a partir de uma ferramenta de clusterização que divide a população em vários grupos. Isso nos permite criar uma audiência real, de mais de 165MM de devices no Brasil, onde podemos segmentar conforme o target da campanha pelo Device ID do aparelho em algumas categorias: App Behaviour, Geo Behaviour, interesses, idade, gênero, classe social, marca de aparelho e conexão.

O bom é que a tecnologia mobile por ser adotada em todos os segmentos empresariais, desde que, claro, não sejam ignorados alguns pontos importantes. Uma boa ação de Mobile Marketing tem que ter bem definidos os principais KPIs – Key Performance Indicator – de cada campanha, para podermos trabalhar os targets de forma mais precisa, visando a experiência do usuário com a marca da melhor maneira, fazendo com que ao final da ação esse usuário esteja engajado com a marca e traga mais resultado à campanha.

Há também alguns pontos de atenção que não podem ser ignorados e, ainda que pareçam óbvios, por vezes, não são considerados:

•Delimitar a frequência de entrega, envios constantes sem novas atrações podem ser tornar invasivos ou uma publicidade spam;

•Entregar conteúdo relevante para o usuário, criando experiências únicas;

•Respeitar a privacidade do usuário, considerando a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais;

•Buscar empresas que tenham auditoria de reportes

É certo que as ações de customer experience se auto reforçam pelos resultados que trazem, porém as companhias precisam treinar seus funcionários para que eles possam fornecer as experiências desejadas com consistência. Além disso, já devemos pensar sobre a infraestrutura da comunicação, principal driver de desenvolvimento e crescimento ao longo dos anos, com ênfase nas novas tecnologias, como a chegada da 5G, uma banda larga mais potente, para que haja uma interconexão entre fábricas e consumidores e seja possível armazenar, processar e comunicar uma quantidade elevada de dados.

Continue lendo

Artigos

Ricardo Dias – O setor de eventos e sua relevância para a economia nacional

Publicado

em

A Associação Brasileira de Eventos dá sequência a um trabalho, cujo propósito é tornar o setor de eventos cada vez mais estruturado, profissional, forte e ético.

Quando o setor de eventos irá retomar as atividades presenciais?

A resposta é que ainda não chegou o momento de trabalharmos com capacidade de público típica dos eventos. Como presidente da Associação Brasileira de Eventos – Abrafesta, sempre reforço a importância da conscientização por parte da população e a adoção das medidas de segurança pela preservação da saúde. Devemos seguir cumprindo o nosso papel, pois quanto antes conseguirmos controlar a contaminação por coronavírus, antes retomaremos as nossas atividades. Pedimos reflexão e entendimento neste momento.

Aproveito para fazer um balanço do trabalho da Abrafesta diante de um cenário que, de fato, ainda é delicado.

Em 2020, a Abrafesta também apoiou ações com intuito de dar voz e ajuda ao setor, como por exemplo: a Passeata com Cases, um movimento que evidenciou o importante papel da categoria, reunindo mais de 1.500 profissionais da área técnica de eventos; o movimento ComerAmorAção que arrecadou cestas básicas para ajudar os mais vulneráveis do mercado; entre outros.

Não temos medido esforços para orientar os associados, profissionais e empresários do setor sobre rumos, possibilidades e negociações; como lidar com cancelamentos ou adiamentos de eventos neste cenário desolador. A Abrafesta segue exercendo seu papel associativo e cooperativo, abrindo novas regionais em estados, como RJ, MG, RS, RN, AC, DF, CE e MT, ajudando a reformular processos, apontar caminhos e soluções para o setor em todo o território nacional. O cancelamento ou adiamento de eventos interrompeu uma cadeia de, no mínimo, 50 segmentos. Estamos falando de um setor que gerava a média de 8 milhões de postos de trabalho antes da pandemia.

Houve ainda avanços junto ao poder público, como a participação da criação dos protocolos de retomada, pleitos às prefeituras de diferentes cidades em todo o país, como também diálogo junto aos Estados e Governo Federal com frente para retomada, créditos e subsídios. Em 3 de maio, o Presidente da República finalmente sancionou o PERSE (PL 5.638/2020), porém a aprovação não ocorreu na íntegra e passou por alguns vetos que, segundo Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, foram necessários porque o Governo Federal não conseguiu estabelecer como se daria a compensação tributária, conforme exige a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Aguardaremos uma reunião em breve onde serão discutidas soluções para os pontos vetados.

Vale ressaltar que o setor de eventos movimentava anualmente R$ 250 bilhões em eventos corporativos e R$ 17 bilhões em eventos sociais antes da pandemia. Hoje, passados mais de 300 dias desde o início da pandemia, o setor apresenta o seguinte panorama: só 8% dos eventos estão operando; 32% mudaram o modelo do negócio; 60% pararam completamente; Grande parte dos profissionais do setor migraram para outros serviços e/ou profissão e há queda de faturamento de 98% do setor em território nacional.

Mesmo diante de dados nada otimistas, a criatividade dos profissionais do setor tem sido admirável, com novos formatos, como os eventos híbridos, festas em casa e festas online, por exemplo. Mas isso ainda é insuficiente! Chamo sempre a atenção do poder público para com o setor de eventos, pois, infelizmente, seus profissionais estão entre os 30 milhões de desocupados e trabalhadores de baixa renda no Brasil.

Somos inovadores, trabalhadores e merecemos ver o setor de eventos voltar a brilhar.

Ricardo Dias – Presidente da Associação Brasileira de Eventos  (Abrafesta)

Continue lendo