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André Ferraz – Geolocalização e Privacidade: a combinação é possível, sim. Basta querer

Publicado

em

Por André Ferraz, CEO da In Loco

A semana começou com um polêmico artigo publicado pelo NY Times onde o jornal demoniza os aplicativos por coletarem os dados de localização e – o que é extremamente grave – invadirem a privacidade do usuário, tornando públicas informações que facilmente levam à identidade da pessoa. Sim, infelizmente, essa é a maneira como algumas empresas escolheram trabalhar com dados de localização e outros dados pessoais. Há, no entanto, empresas e empresários que não compactuam com este tipo de estratégia e lutam para combatê-lo. Eu estou no segundo time.

Venho dizendo há alguns anos e em qualquer fórum que eu participo o quão grave é a teoria infundada que está sendo disseminada por gigantes do Vale do Silício de que privacidade é o preço a ser pago pela conveniência digital. Uma espécie de troca. Não é. Na prática o que está acontecendo é a criação de uma grande indústria formada por empresas de todos os portes que coletam dados indiscriminadamente e os usam para fins que o dono do dado não tem ideia. Empresas que optam por este caminho, estão errando.

Como empresário dessa indústria, me assusta ver como estas empresas estão tratando o tema e afirmo categoricamente: é possível usar dados de localização com soluções tecnológicas, em alguns casos simples, que garantam 100% do anonimato dos dados e sem que informações que, possam constranger ou ser usadas contra o consumidor sejam sequer coletadas.

Um exemplo é a questão de visitas a lugares sensíveis. Por que ter informações associadas a lugares como templos religiosos, hospitais ou clínicas de saúde, partidos políticos associados ao perfil do usuário? Uma solução simples em tecnologia de localização permite traçar raios em torno destes lugares e criar verdadeiros buracos negros nos mapas. Ao olhar os dados não será possível identificar que lugares são estes e não será possível a identificação de qualquer visita feita naquela região.

Outros dois dados de localização que, quando combinados, praticamente levam à identificação do dono do smartphone, são os endereço de casa e trabalho. Com exceção de algumas categorias de aplicativos como os de de delivery que precisam saber o local exato onde a pessoa mora/trabalha, para uma grande parte dos aplicativos estes dados não precisam ser coletados com precisão. A informação sobre qual cidade ou bairro a pessoa mora e trabalha já é suficiente para que o serviço seja prestado e a identidade da pessoa, preservada. Novamente, com tecnologia é possível diminuir a precisão de lugares frequentados, preservando informações que ajudem a entender o comportamento das pessoas mas sem identificá-las.

Em que casos esse tipo de informação pode ser útil? Em estudos do fluxo de pessoas para melhorar o transporte público ou para incrementar a quantidade de táxi de uma região, por exemplo. A informação de que das 18h às 22h, às sextas, o fluxo de pessoas que normalmente é de um bairro A para o B, passa a ser do bairro A para o C e só depois das 24h para o bairro B, empresas e apps conseguirão prover melhores serviços como transporte, atendimento em estabelecimento da região etc.

Dados de localização, portanto, não são o novo mal do mundo. Ao contrário. Eles podem ser muito úteis e ajudar a tornar a vida de pessoas comuns muito mais práticas ao permitirem que elas tenham conhecimento e acesso a serviços que fazem sentido no contexto da realidade diária que vivem. O problema é que estes dados podem ou não levar à identidade da pessoa. E o que estamos vendo é uma sucessão de escândalos envolvendo empresas que não têm a preocupação com a privacidade como valor de seu negócio ou como ponto crucial em sua estratégia de crescimento.

O debate à privacidade é urgente e precisa acontecer. Mas é preciso trazer exemplos de contraponto e informar à população que o uso de dados de localização pode ser uma ferramenta importante como para evitar fraudes, por exemplo. Ou evitar que o consumidor ou usuário de aplicativos seja impactado por dezenas de anúncios que não o interessam. Mas, permite que ele receba um cupom de desconto de um produto que ele está de fato intencionado a comprar. A questão é que para ter esses benefícios não significa abrir mão da privacidade. Mas, sim um modelo baseado na transparência e simplicidade de informações entre aplicativos e usuários.

Sou parte do grupo de empresários de localização que não tem redes sociais, que leio as permissões quando acesso um novo serviço no smartphone e que usa a tecnologia para melhorar a vida das pessoas e não para expô-las ou monitorá-las. Privacidade é um direito do cidadão e nós a protegemos. O debate continua…

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A importância do marketing de experiência no segmento varejista

Publicado

em

*Rodrigo Brandão

Diante de um mercado altamente competitivo e com um público cada vez mais empoderado devido ao avanço da tecnologia, encantar o cliente tornou-se uma premissa fundamental para o varejo. Em um momento em que o consumidor anseia por experiências únicas e personalizadas, pensar além de um atendimento de excelência passou a ser primordial para o setor, sobretudo quando falamos dos pontos de vendas físicos.

Por mais contraditória que pareça – afinal o e-commerce cresce de forma vertiginosa há anos – as lojas físicas ainda são importantes na relação entre marca e consumidor. Afinal, somente nesses espaços é possível ter uma conexão mais próxima, tátil e interativa, proporcionando um vínculo individualizado, e que abre caminhos para estratégias mais eficazes e conteúdos impactantes para cada perfil de cliente. Tal abordagem ocorre porque o público das lojas físicas segue existindo, mas agora busca por lojas que proporcionem uma experiência de consumo que vá além da mera disponibilização de produtos.

Uma pesquisa da consultoria da PwC corrobora com esse cenário. Ela identificou que 1/3 dos consumidores ao redor do planeta pretendem ampliar suas compras em lojas físicas, sendo a experiência diferenciada a principal força motriz para esse movimento. Outro estudo realizado por uma grande rede varejista norte-americana revela que 60% dos consumidores dos pontos físicos requerem mais espaço em uma loja para experiências do que para produtos. Já 81% aceitam pagar um preço superior se passarem por “experiências” antes de comprar, enquanto 93% dos clientes que adquirem a partir de experiências, e não por fatores econômicos, se tornam fiéis da marca ou da empresa.

Até por conta do panorama, o chamado marketing de experiência vem ganhando cada vez mais espaço no varejo. Responsável por proporcionar eventos positivos no instante das compras, a estratégia se concentra na criação de interações que buscam gerar emoções e sentimentos para a interação do consumidor com determinado produto. Na prática, ao invés de meramente vender, a abordagem focada em interações atrativas visa envolver os consumidores em vivências sensoriais, emocionais e transformadoras, gerando conexões mais profundas e duradouras no relacionamento com a marca.

Nesse sentido, um exemplo prático é o uso crescente das ferramentas de inteligência artificial, realidade aumentada e virtual dentro do processo de vendas. Seja por meio de softwares existentes ou modelos desenvolvidos, óculos, smartphones, tablets ou outras plataformas tecnológicas, tais recursos sobrepõem o mundo físico para garantir sensações e experiências imersivas através de elementos virtuais. Ou seja, o ponto de venda deixa de ser apenas um espaço para ver ou sentir o produto, mas também para testá-lo de maneira inovadora, ter acesso a conteúdos digitais exclusivos e contato com informações detalhadas de forma prática e interativa.

Imagine, por exemplo, o caso de uma loja que comercializa casas. A partir do uso da tecnologia de óculos de realidade virtual, abre-se a oportunidade para que o público consiga realmente se sentir inserido dentro do imóvel, podendo alterar estilos de decoração ou estruturas de um apartamento por meio de poucos cliques.

Além dos recursos tecnológicos imersivos, vale destacar que o marketing de experiência se manifesta de diversas outras formas, como por meio de eventos exclusivos, atendimento personalizado ou embalagens customizadas. A eficácia dessas ações está diretamente relacionada à sua capacidade de gerar engajamento junto ao público. Ao envolver os clientes de maneira ativa, as empresas conseguem ampliar a percepção de valor dos seus produtos ou serviços, além de diferenciar-se no mercado não apenas pela qualidade do que é oferecido, mas principalmente pela capacidade que envolve tudo isso.

Em resumo, o objetivo final é que essas práticas levem o mercado a transcender a mera oferta de produtos e serviços, além de transformar a jornada de compra dos clientes em um entretenimento, algo prazeroso e divertido, criando também um encantamento por meio de experiências agradáveis não só no instante da compra, mas no momento do consumo e do pós-consumo. Nesse cenário, a capacidade de inovar e de se adaptar às novas tecnologias e tendências serão determinante para a performance das marcas. Assim, o futuro do varejo cada vez mais deixa de ser apenas sobre o que é vendido, mas sobre como é vivido.

*Rodrigo Brandão, gerente de Marketing Digital da Espaço Smart

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Dia das Mães deve abordar experiências memoráveis e humanizadas que retratam as mães brasileiras

Publicado

em

*Rodrigo Villaboim

A inovação no marketing é o grande aliado ao crescimento de uma empresa. Com uma data tão especial a caminho, o dia das mães sempre se torna um grande desafio em termos de resultados. Neste sentido, vejo que é super importante levantarmos abordagens-chave que destacam o potencial do marketing de experiência neste cenário que, apesar de acolhedor, sempre é muito competitivo.

O principal objetivo é criar experiências positivas e marcantes para os consumidores, trazendo a ideia de que, ao vivenciar esses momentos especiais, o consumidor se sinta conectado emocionalmente com a marca. O conteúdo gerado nesse ambiente permite uma visão mais ampla das operações e estimula a criatividade coletiva na busca por soluções e fidelização.

A importância de despertar sensações reais sempre ganha destaque. Criar experiências memoráveis que as pessoas vivenciem de corpo e alma torna-se uma prioridade. Para isso, as marcas precisam estimular os cinco sentidos do público, usando recursos como sons, aromas, sabores, texturas e cores, definições que estão sempre presentes em interações de mães e filhos.

Com base nessa abordagem, é importante frisarmos que grandes marcas devem adotar uma postura ainda mais humanizada em datas comemorativas e comerciais como o dia das mães. Apresentações estratégicas e dinâmicas aumentam a interação e engajamento, comunicando de forma eficaz. A diversidade e a acessibilidade não são apenas ideias, mas práticas essenciais.

Para isso, as marcas precisam criar experiências que envolvam o corpo e a alma do público, que façam com que ele se sinta parte da história, que ele se identifique com os valores e a missão da marca.

As ações devem respeitar e valorizar todos os tipos de mães, abordando diferenças de gênero, raça, etnia, orientação sexual, idade, religião, cultura, deficiência, entre outras. As sensações vivas são a essência do live marketing, elas buscam criar laços afetivos e emocionais e conversam diretamente com a data.

Por fim, concluo que o live Marketing é um palco vibrante, onde as marcas podem mostrar sua essência, seus valores, seus propósitos e seus diferenciais de forma criativa, autêntica e impactante. As datas comemorativas criam possibilidades de experiências de marca incomparáveis, que vão além dos limites físicos e que envolvem todos os sentidos de um público extremamente abrangente.

*Rodrigo Villaboim – Sócio-diretor da .be comunica

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