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Wendell Toledo – Tecnologia e disrupção nunca foram tão essenciais diante do ‘novo normal’

Atividades digitais estão cada vez mais comuns no nosso dia a dia. Basta um clique ou um toque no celular para resolver muitas tarefas. Agora, devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), a migração do físico para o digital se tornou cada vez mais inerente para a sociedade.
Com o “novo normal”, surgiu também a necessidade de se reinventar em um curto período de tempo. Este cenário de mudanças repentinas possibilitou enxergar novas alternativas para nos manter ativos, como explorar conteúdos 100% virtuais. Quem não começou a fazer um curso online, praticar atividade física com aula virtual ou até mesmo aprender tocar um instrumento durante a quarentena?
Assim como as atividades pessoais, os negócios também precisaram abraçar essa nova realidade. O setor de feiras e eventos, por exemplo, um dos mais afetados pela pandemia, registrou expressivos cancelamentos e adiamentos nas agendas, sem previsão de retorno. Quase 2 mil alterações de um dia para o outro, para ser mais exato.
De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), o mercado de eventos injeta R$ 305 bilhões de reais na economia e gera 25 milhões de empregos diretos e indiretos.
Contudo, um novo modelo de feiras e eventos surgiu em meio à crise como uma solução para centros de convenções, pavilhões, produtores e expositores manterem suas atividades durante e após a pandemia e amenizarem os prejuízos da crise. É a migração de cenários físicos para a nuvem, por meio da realidade virtual.
Este novo formato reduz custos operacionais físicos, permitindo dar fôlego ao caixa. Por isso, também pode ser uma alternativa para lojas de varejo, lançamentos imobiliários, convenções corporativas, entre outros modelos de negócio.
Segundo pesquisa recente da Feiras do Brasil, esses novos eventos online foram destaque no 2º trimestre e já representam 25% do calendário de 2020. Dos 1956 eventos catalogados até o momento, 518 são online.
Os recursos tecnológicos de um evento online também proporcionam ao público diversos benefícios, entre eles: acompanhar uma exposição ou participar de um workshop sem sair de casa, fugir das irritantes filas de espera, economizar custos com passagem, hospedagem, alimentação, entre outros. Além de explorar virtualmente todos os recursos disponíveis em uma feira física, agora, por meio de uma experiência low touch (sem contato), porém não menos humanizada.
Diante de tantas possibilidades disponíveis nos eventos virtuais, cabe aos organizadores tornar este modelo ainda mais atraente, oferecendo conteúdos relevantes e disruptivos para serem consumidos na tela do computador ou celular, já que as barreiras físicas não mais limitarão o público de visitar eventos do seu interesse.
Graças aos recursos tecnológicos e à inovação, encontramos saídas para nos manter ativos neste novo normal. E por que não dizer que o novo formato se tornou até mais interessante?
*Wendell Toledo – CEO da Gofair, empresa que migra ambientes físicos para a nuvem por meio da realidade virtual
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O novo valor de estar lá

*Rodrigo Villaboim
Em um mundo onde quase tudo pode ser criado por inteligência artificial, viver algo de verdade ganha outro peso.
Tenho pensado bastante sobre o impacto da IA no marketing. E, quanto mais observo o que ela já é capaz de fazer, mais chego a uma conclusão que, à primeira vista, parece contraditória: a inteligência artificial pode tornar o Live Marketing ainda mais importante.
Hoje já conseguimos criar textos, imagens, filmes, músicas e campanhas inteiras em uma velocidade que seria inimaginável poucos anos atrás. A capacidade de produzir, testar e personalizar conteúdo tende a crescer ainda mais.
Em Cannes Lions 2026, a IA esteve, obviamente, no centro das discussões. Mas um dado apresentado pela McKinsey me chamou a atenção: quase 60% dos profissionais de marketing já utilizam IA várias vezes por semana, mas apenas 10% redesenharam de fato seus processos para capturar um impacto relevante no negócio.
Estamos usando muito. Mas ainda estamos aprendendo o que fazer com tudo isso.
A própria McKinsey aponta cinco pilares que devem moldar o futuro do marketing: insights, criatividade, personalização, comércio com agentes de IA e orquestração.
Tudo indica que teremos cada vez mais capacidade de produzir conteúdo em escala. E talvez esse seja justamente o ponto.
O conteúdo está ficando abundante.
O problema dos próximos anos talvez não seja mais produzir. Será conseguir atenção. E, principalmente, conseguir confiança.
Uma pesquisa da Deloitte mostra que 70% das pessoas familiarizadas com IA generativa dizem que conteúdos criados por inteligência artificial tornam mais difícil confiar no que veem online. Além disso, 59% afirmam ter dificuldade para distinguir conteúdos produzidos por humanos daqueles gerados por IA.
É nesse cenário que, para mim, o mundo físico começa a ganhar um valor diferente.
Porque existe uma coisa que continua difícil de sintetizar: estar lá.
Entrar em um estádio. Encontrar alguém. Experimentar um produto. Participar de uma convenção. Cantar junto. Conversar. Se emocionar. Voltar para casa contando para alguém o que aconteceu. São experiências que não dependem apenas do conteúdo que consumimos, mas daquilo que sentimos quando estamos presentes.
A Freeman vem estudando justamente o papel da confiança nas experiências presenciais. Seu Trust Report aponta que, enquanto a confiança em diferentes fontes de informação vem caindo, os eventos ao vivo continuam sendo espaços importantes para construir conexões confiáveis.
E aqui existe um paradoxo interessante. Quanto mais tecnologia tivermos, talvez mais valor tenha aquilo que é genuinamente humano.
Não acredito, porém, que isso seja uma disputa entre inteligência artificial e experiência humana. É justamente o contrário.
A IA pode ajudar o Live Marketing a entender melhor os públicos, personalizar jornadas, produzir conteúdos, eliminar tarefas operacionais e melhorar a capacidade de mensurar resultados. Pode tornar uma experiência mais relevante antes, durante e depois de ela acontecer. O ponto é entender onde a tecnologia deve entrar.
Talvez o melhor uso da IA no Live Marketing não seja fazer com que ela apareça mais. Seja permitir que a experiência apareça mais. Durante muito tempo, discutimos como levar o físico para o digital. Criamos experiências híbridas, transmissões, ativações nas redes sociais e diferentes formas de ampliar o alcance de um evento. Talvez agora também seja hora de pensar no movimento contrário: como usar o digital para aumentar o valor do encontro físico.
Outro dado da Deloitte reforça essa possibilidade: 76% das pessoas que já utilizaram IA generativa em projetos ou tarefas dizem que ela amplifica a criatividade humana.
Eu concordo. A tecnologia pode assumir parte daquilo que é escalável, operacional e repetitivo. E, justamente por isso, podemos dedicar mais energia àquilo que não é tão facilmente automatizado: criar encontros, provocar emoções, gerar pertencimento e construir memórias.
Em um mundo onde uma imagem pode não ser real, uma voz pode não ser real, um vídeo pode não ser real e até uma pessoa pode não ser real, viver alguma coisa de verdade ganha outro peso. Talvez esse seja um dos grandes diferenciais do Live Marketing nos próximos anos. Não competir com a tecnologia. Usá-la para tornar a experiência humana ainda mais relevante. A IA vai transformar profundamente o marketing. E eu quero usá-la cada vez mais.
Mas existe uma frase que talvez fique cada vez mais valiosa para as marcas:
Eu estava lá.
*Rodrigo Villaboim – Sócio-fundador da Agência .be Comunica
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Quanto mais dados temos sobre o cliente, mais precisamos aprender a conhecê-lo









