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Três motivos vitais pelos quais as PMEs deveriam pensar em estratégia de marca

Publicado

em

*Ana Meneguini

Nunca é cedo – nem tarde – para pensar as estratégias e o posicionamento de marca da sua pequena empresa.

Deveríamos falar mais sobre o quanto é relevante para um pequeno empreendedor pensar e posicionar estrategicamente a marca do seu negócios. Mas além disso, deve analisar sua própria imagem como primeiro cartão de visitas do negócio, desde o “dia 1”.

Existem milhares de marcas no mundo e dificilmente uma exerce um poder de inovação e disrupção em nossos mercados hoje em dia. É possível? Claro que sim! Mas no dia a dia a realidade mostra que existem centenas, senão milhares, de soluções à disposição do mercado consumidor para cada uma de suas dores e necessidades.

Não acho que isso seja o problema em si para quem empreende. Mas é para quem não entende o impacto que a falta de diferenciação, de clareza no posicionamento de marca gera na busca por tornar um negócio rentável, sustentável e perene.

O consumidor, seja ele B2B ou B2C, busca conexão, identificação e clareza com relação ao que está adquirindo. Às vezes de forma menos consciente do que deveria, no caso de uma compra por impulso, por exemplo. Sua marca precisa construir relevância na lembrança, na mente do consumidor, para que esteja sempre nas primeiras posições de escolha para a nova compra.

Aqui começam os desafios. Não falamos sobre isso com os empreendedores que estão nascendo, mas sobre gestão financeira, de estoque, de processos de gestão, de seleção e contratação de pessoas, de localização geográfica, da necessidade de ter um bom contador, de ERP, do produto em si, de vendas, mas não falamos de marca.

Claro que todos esses, e outros que certamente não mencionei, são assuntos de suma relevância – mas, se o empreendedor tiver tudo isso e não tiver uma marca  forte, o negócio vai bater em um teto de crescimento.

Marcas fortes são o resultado de uma construção sistêmica, consistente e coerente. Não nascem prontas, não são fruto de cópia da estratégia do concorrente e nem do acaso. Só se tornam de fato fortes se tem a atenção da principal liderança do negócio, ou seja, o empreendedor.

Por isso, quanto antes o assunto for uma pauta do criador do negócio, melhor.

Separei aqui três dos principais motivos pelos quais toda PME deveria pensar estratégia de marca

  • Marcas fortes vendem melhor

Sabe o que é vender melhor? Vender com um ticket médio que traga rentabilidade, ou seja, com um preço nominal que de fato traduz o valor que seu produto/serviço  entrega. O clássico exemplo do porque a padaria vende pão francês na sua região e a padaria que criou uma marca para expressar seu conceito orgânico, feito a mão e em jornadas reduzidas vende o próprio pão francês a 3 vezes do preço.

Vender melhor significa atingir seu alvo de geração de receita, de acordo com sua capacidade operacional e seu apetite por crescimento.Quer escalar e virar unicórnio? Pode, claro. Quer ser uma marca regional de apenas um ponto de venda mas com clientela recorrente? Também pode. O elemento em comum aqui é uma marca forte.

  • Marcas fortes garantem perenidade ao negócio

Se você teve a iniciativa de criar um negócio, parabéns! Acredito que ao assumir todo o risco que isso significa, seu desejo seja que o negócio prospere, tenha êxito, seja saudável financeiramente falando e quem sabe fique para as próximas gerações como um legado seu para o futuro. Ótimo, então, você precisa cuidar da sua marca.

Cuidar da sua marca como empreendedor e como negócio. São duas marcas que coexistem e que se impulsionam mutuamente.

Quando você é um bom cartão de visitas, você ajuda a gerar atenção e atração para seu negócio, fomentando novas oportunidades de fechar boas vendas. Com o crescimento terá ajuda para reforçar a sua reputação enquanto líder e empreendedor, abrindo portas em outras instâncias de conversas e conexões que podem trazer investimento, novos mercados, associações, etc.

Quanto mais intencionalidade na gestão das duas marcas, mais potencial de manter a atenção do mercado consumidor – e isso faz toda a diferença no momento da decisão de compra; afinal, focamos aquilo que vemos e no que vemos valor.

A marca do seu negócio quando nasce é menor do que a sua marca enquanto empreendedor. Com o passar do tempo, essa equação se inverte e ela se torna maior do que você. Quando isso acontece, você tem a clareza de que a tendência do negócio é se expandir para além de você criando o ambiente propício para sua perenidade.

  • Marcas fortes resistem melhor às intempéries de mercado

O mercado é volátil, a economia sofre constantemente os impactos das diretrizes políticas e a única certeza que temos é que a mudança é uma constante.Neste sentido, buscamos, como seres humanos, estabilidade. Queremos ter uma sensação de controle, de lidar com o conhecido, com aquilo que já nos acostumamos.

Ter uma marca que consistentemente constrói sua reputação, mantém diálogos frequentes com seu mercado consumidor, que nutre sua base de clientes, se encaixa como resposta à essa busca individual.

Gostamos de marcas que nos geram memórias afetivas, que nos impactam de forma positiva através do modo como nos atendem, que são coerentes em suas falas. Em um momento de instabilidade o mercado consumidor faz escolhas do que manter e do que cortar – mesmo nos segmentos de supérfluos. Mesmo assim, há marcas que o consumidor mantém (até como um ponto de auto indulgência).

Notem que a estratégia de marca vai muito além do que a estética da marca. O logo, ou os artefatos estéticos de marca precisam traduzir sua estratégia, sendo o elemento posterior de construção e não o inicial.

A PME brasileira é responsável por quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de acordo com o SEBRAE.Já imaginou se cada PME pensar corretamente a estratégia de sua marca? Um potencial gigante de gerar ainda mais riqueza e impulsionar nossa economia.

Ana Meneguini – Fundadora e estrategista em Branding, Geração de Demanda e Receita na ITM, I Trade Mark.

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Feiras do agro: presença como estratégia de negócio

Publicado

em

*Patricia Tavares

Poucos ambientes de negócios continuam tão dependentes do encontro presencial quanto o agronegócio. Em um setor onde confiança, demonstração de tecnologia e relacionamento direto ainda são decisivos para a tomada de decisão, as feiras seguem sendo um dos principais pontos de conexão entre fabricantes, distribuidores, produtores e especialistas.

A dimensão desses eventos ajuda a explicar sua relevância estratégica. Grandes feiras do setor chegam a reunir centenas de marcas, atrair mais de um milhão de visitantes e movimentar bilhões de reais em negócios ao longo de poucos dias. Mais do que vitrines institucionais, elas funcionam como plataformas concentradas de relacionamento, demonstração de soluções e geração de oportunidades comerciais.

Por isso, para muitas empresas do setor, participar dessas feiras não é apenas uma ação de marketing. É parte da própria estratégia comercial.

Historicamente, essa presença esteve associada ao tamanho e ao impacto visual dos estandes. Estruturas maiores, experiências imersivas e lançamentos tecnológicos sempre foram caminhos para chamar atenção em um ambiente altamente competitivo. Esse modelo continua relevante, mas já não é suficiente por si só.

Com a evolução das estratégias orientadas por dados e a transformação das jornadas de compra, a eficácia da participação em eventos depende cada vez menos da metragem ocupada e cada vez mais da inteligência que organiza essa presença.

Hoje, a pergunta central deixou de ser apenas “como chamar atenção dentro da feira?” e passou a ser “como transformar esse momento em relacionamento e oportunidade real de negócio?”.

Isso exige uma abordagem mais estruturada, que combine presença física, comunicação dirigida, ativação de parceiros e integração com canais digitais. Quando essa lógica é bem construída, a feira deixa de ser apenas um ponto de exposição e passa a operar como uma verdadeira plataforma de negócios.

Presença além do estande

Um exemplo interessante dessa abordagem foi a estratégia desenvolvida para a Cummins durante uma edição da Agrishow. Naquele ano, a empresa não teria um estande próprio na feira, o que, em um evento dessa dimensão, representava um risco real de perda de visibilidade. O desafio era claro: como garantir presença em um dos maiores encontros do agronegócio sem ocupar fisicamente um espaço no evento?

A solução partiu de uma leitura estratégica do próprio ecossistema da feira. Em vez de centralizar a presença em um estande único, a marca decidiu ativar os parceiros que já utilizavam os motores da marca em máquinas e equipamentos expostos no evento.

Para conectar essa rede de parceiros ao público visitante, foi estruturada uma estratégia baseada em geolocalização. Utilizando tecnologia de geofencing, a campanha passou a impactar em tempo real os visitantes que circulavam dentro da área da feira ou em seu entorno, direcionando-os para os estandes onde os equipamentos com motores Cummins estavam expostos.

Na prática, esses parceiros passaram a funcionar como extensões da presença da marca no evento. O ambiente digital ampliou o território de atuação da empresa dentro da feira e transformou diferentes pontos do pavilhão em espaços de demonstração indireta do produto .

Os resultados mostram o potencial desse tipo de abordagem. A campanha alcançou cerca de 80% do público presente no evento, ampliando significativamente a visibilidade da marca e direcionando fluxo qualificado para os estandes parceiros.

Mais do que uma solução pontual para a ausência de um estande próprio, o projeto demonstrou como estratégias orientadas por dados podem expandir a presença das marcas dentro de grandes eventos.

O futuro da presença em feiras

As feiras continuam sendo um dos ambientes mais estratégicos para o agronegócio. Em um setor onde relacionamento, demonstração de tecnologia e confiança ainda são determinantes, esses encontros permanecem como momentos privilegiados para geração de negócios.

O que está mudando não é a relevância desses eventos, mas a forma de ocupá-los.

Participar de uma feira já não significa apenas montar um estande e esperar o público chegar. Significa estruturar uma presença que combine experiência física, inteligência de dados, comunicação dirigida e ativação de parceiros ao longo de toda a jornada do visitante.

Quando essa lógica é aplicada, a marca deixa de disputar apenas espaço dentro do pavilhão e passa a disputar algo ainda mais valioso: a atenção qualificada do público.

E, como demonstrou o case da Cummins, às vezes é justamente essa abordagem que permite algo aparentemente paradoxal: estar presente em um evento mesmo sem estar fisicamente nele.

*Patricia Tavares – Sócia e head de estratégia e relacionamento da HouseCricket.

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A era do B2A já começou e as empresas ainda estão falando com o público errado

Publicado

em

*Victor Paiva

Durante anos, o marketing B2B operou sob uma lógica relativamente previsível: marcas falando com pessoas, disputando atenção, construindo autoridade e, no melhor dos cenários, gerando demanda. Mas essa dinâmica acaba de mudar e de forma silenciosa.

A ascensão dos agentes de inteligência artificial inaugurou uma nova camada nas relações de mercado: a era do B2A, ou Business to Agent. Não se trata apenas de automação ou ganho de eficiência operacional. Estamos falando de sistemas que passam a intermediar decisões, filtrar informações, recomendar fornecedores e, em muitos casos, decidir antes mesmo que um humano entre em cena.

Isso muda tudo.

Se antes o desafio era ser relevante para quem decide, agora é preciso ser compreendido, interpretado e priorizado por quem recomenda: os algoritmos. E isso exige uma revisão profunda das estratégias de marketing e vendas, especialmente no universo B2B, onde o ciclo de decisão é mais complexo.

Hoje, agentes de IA já participam ativamente da jornada de compra. Eles resumem pesquisas, comparam soluções, analisam reputação digital e indicam caminhos com base em critérios objetivos. Nesse cenário, não basta mais ter um bom discurso. É preciso ter uma presença digital estruturada, consistente e, acima de tudo, legível para máquinas.

Isso começa por algo básico, mas negligenciado por muitas empresas: organização de dados. Sites confusos, conteúdos genéricos, informações desatualizadas, além da falta de clareza, dificultam não só a experiência humana, mas também a interpretação por sistemas de IA. Se o algoritmo não entende o que você faz ou não encontra evidências confiáveis, você simplesmente deixa de existir na nova lógica de recomendação.

Outro ponto crítico é a autoridade digital. Durante muito tempo, a autoridade foi associada à percepção humana: branding, reputação, presença em eventos. Agora, ela passa também por sinais objetivos: consistência de conteúdo, menções qualificadas, avaliações, tempo de resposta e coerência de informações em diferentes canais. Agentes de IA não “acreditam” em marcas, eles validam dados e apresentam fatos.

Isso impacta diretamente a geração de demanda. O funil tradicional, baseado em atração, nutrição e conversão, começa a ser redesenhado. Parte desse processo passa a ser mediado por sistemas que chegam ao lead já com uma pré-análise feita. Isso encurta ciclos, aumenta a exigência sobre a clareza da oferta e reduz o espaço para abordagens superficiais e exige transformar o relacionamento comercial.

Esse movimento já começa a se refletir no mercado de trabalho. Análises recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que a inteligência artificial não necessariamente substitui funções, mas reconfigura tarefas dentro das ocupações, ampliando o nível de exposição à tecnologia em diferentes setores. O impacto, portanto, não está apenas na eliminação de postos, mas na transformação do trabalho como um todo, exigindo novas competências e acelerando a necessidade de adaptação por parte de empresas e profissionais.

No Brasil, essa transformação tende a ser ainda mais desafiadora. Embora o país apareça entre os líderes globais em automação e adoção de IA, muitas empresas ainda convivem com sistemas legados, processos fragmentados e baixa maturidade digital. Na prática, isso revela um paradoxo: o Brasil avança rápido na adoção de IA, mas ainda lento na capacidade de transformar tecnologia em valor de negócio. Esse descompasso tende a se tornar um dos principais fatores de diferenciação competitiva nos próximos anos.

O resultado pode ser uma nova divisão de mercado. De um lado, empresas e profissionais que enxergam a inteligência artificial como estratégia de negócio e investem em governança, integração, capacitação e geração de valor. Do outro, organizações que seguem tratando IA apenas como ferramenta pontual, sem revisar processos, cultura ou modelo operacional.

Alguns setores B2B tendem a sair na frente nessa corrida. Tecnologia, serviços financeiros, saúde e indústrias com alto nível de digitalização já possuem uma base mais estruturada para incorporar agentes de IA em suas operações. Mas a oportunidade não está restrita a esses segmentos, ela está disponível para qualquer empresa disposta a reorganizar sua forma de comunicar, vender e se posicionar.

A grande mudança, no fim das contas, é de perspectiva.

Não estamos mais apenas competindo por atenção. Estamos competindo por interpretação.

E, na era do B2A, vence quem consegue ser compreendido primeiro pelas máquinas, depois pelas pessoas.

*Victor Paiva – Fundador da HIP, agência especializada em storytelling e marketing B2B.

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