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Como a inteligência artificial pode ajudar o seu e-commerce?

*Rafael Ataide
Quando paramos para considerar o poder computacional que a IA oferece, dá para entender porque ela é um ponto de virada na sociedade. Ela atua com quantidades imensuráveis de dados a um tempo extremamente reduzido. Atualmente, as maiores companhias do planeta estão trabalhando para aprimorar as possibilidades dessa tecnologia cada vez mais — além da OpenAI, empresa vinculada à Microsoft que criou o ChatGPT, o Google também já lançou a sua própria versão do mesmo tipo de ferramenta de IA de linguagem natural, chamado Bard.
Neste contexto, empreendedores dos mais diversos setores buscam entender de que maneira essa tecnologia pode ajudar nos negócios e com o setor de e-commerce não é diferente.
O primeiro ponto é lembrar que este mercado é altamente adepto às novas tecnologias, inclusive à própria inteligência artificial. Os chatbots de atendimento mais simples, agora presentes em inúmeros negócios e ativados até mesmo no WhatsApp, foram implementados nas lojas virtuais há anos, quando ainda eram novidades em fase de testes.
Ou seja, é importante para qualquer empresa ficar de olho nas possibilidades que a IA oferece agora e deve oferecer em breve para os negócios. Alguns exemplos valem ser destacados:
Monitoramento de comportamento
No marketing digital, já existem maneiras de acompanhar o comportamento dos usuários no site da sua marca. Quanto tempo os visitantes passam em determinadas páginas, quais produtos têm mais cliques, taxas de abandono do carrinho de compras, entre outras métricas importantes.
Atualmente, a coleta desses dados é automatizada, mas a análise deles não é. A inteligência artificial pode agilizar consideravelmente essas análises e criar sugestões de ações a partir delas. Os resultados podem se tornar muito mais precisos.
Por exemplo, a automação poderia avisar à empresa que determinado produto teve um pico na quantidade de acessos, e rapidamente será possível trabalhar uma campanha de marketing específica para aproveitar o momento. Ou, ainda, a IA poderia informar quais itens causam mais abandonos de carrinhos e o e-commerce terá como focar neles para estimular mais a compra. Dentro disso, a tecnologia poderia, inclusive, sugerir exatamente o que fazer na campanha ou na resolução do problema com base no que já deu certo no site anteriormente ou em outros e-commerces similares, caso possua esses dados.
Recomendação de produtos
As recomendações de produtos para os clientes de e-commerces podem e vão ser aprimoradas com o tempo.
Esse é um sistema que já funciona muito bem em várias plataformas, como na área de streaming, mas que ainda comete erros. A IA está evoluindo e um dos efeitos será uma recomendação altamente personalizada, aumentando as chances de sucesso de vendas.
Otimização de custos
Como é o objetivo de toda aplicação de tecnologia, a ideia da inteligência artificial nos negócios é reduzir custos e aumentar a receita, de uma maneira ou de outra.
Com as mudanças citadas acima e tantas outras que ainda podem se apresentar ao mercado, os e-commerces passarão por otimizações significativas e o impacto financeiro será cada vez maior.
Não podemos deixar de aproveitar novidades como as que estão surgindo, seja o ChatGPT ou outras ferramentas com tecnologias similares. Assim como o atendimento humanizado e ágil se torna mais possível e potencializado com a IA, há outros setores a serem melhorados.
Acredito que os e-commerces, mais uma vez, serão alguns dos pioneiros no uso das novas tecnologias da Indústria 4.0. E mal posso esperar para seguir acompanhando essa revolução.
*Rafael Ataide – Diretor e Associate Partner da agência Adtail
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A próxima batalha do marketing de performance será pelos criativos

*Deny Zatariano
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O marketing que lucra com a confusão do consumidor tem prazo de validade

*Valter Roldão
Existe um tipo de negócio que só funciona se o cliente não entender direito o que está comprando. Não estou falando de fraude, estou falando de modelo. Categorias inteiras de consumo, no varejo brasileiro e fora dele, foram construídas sobre uma engenharia deliberada de confusão.
O preço de verdade que ninguém revela, de modo que o cliente paga não o valor real, mas o resultado de quanto conseguiu insistir na negociação. A letra miúda que reserva a exceção que interessa. O jargão técnico que existe menos para informar e mais para impedir a comparação. Funciona porque, historicamente, decifrar custava mais caro do que simplesmente confiar.
Esse modelo tem prazo de validade, e o prazo está vencendo mais rápido do que a maioria das marcas percebe.
O consumidor de hoje tem em mãos ferramentas de comparação que não existiam há uma década: preço histórico rastreável, avaliação de terceiros, comunidade disposta a expor publicamente quem exagerou na promessa. E ele usa essas ferramentas. Pesquisa do Reclame AQUI com 2,3 mil consumidores, divulgada em 2025, mostra que 81,54% leem avaliações antes de comprar e 95,44% consideram a autenticidade e a transparência da marca importantes na decisão de compra.
A opacidade que antes era vantagem competitiva virou risco reputacional. Uma letra miúda descoberta em vídeo viraliza mais rápido do que qualquer campanha paga consegue compensar. A assimetria de informação, matéria-prima desse tipo de negócio, está sendo corroída estruturalmente, não por regulação, mas pelo próprio comportamento do consumidor.
E é aqui que a clareza deixa de ser escolha de posicionamento e vira decisão competitiva fria. A marca que explica, que assume o papel de tradutora da categoria, não está fazendo caridade: está pegando para si a decisão de compra de todo mundo que está cansado de tentar decifrar sozinho. Quem explica primeiro, explica melhor, e captura a confiança antes de o concorrente sequer tentar.
O aprendizado de quem chega para vender clareza
Aprendi isso na prática quando chegamos ao Brasil. A expectativa inicial era de que o desafio estivesse no produto. Não estava. A barreira real estava no repertório do consumidor sobre o que, afinal, define qualidade na categoria.
Perguntas básicas como por que um colchão custa o que custa e o que muda de uma densidade para outra não tinham resposta clara disponível em lugar nenhum. A categoria inteira comunicava por comparação de preço e por promessas vagas de conforto, nunca por explicação.
Adaptar a comunicação, e não o produto, foi o que rendeu resultado. E aqui está o custo real dessa escolha: prometer longos prazos de garantia ou preço estável, sem encenação de desconto, só é sustentável para quem não tem nada a esconder. São compromissos caros justamente porque exigem coerência. Não dá para prometer transparência e, ao mesmo tempo, recorrer à falsa urgência da promoção que “acaba hoje” e reaparece idêntica amanhã. Ou a marca é clara o tempo todo, ou não é clara em momento nenhum.
Para onde isso caminha
O que vejo à frente é o preço de verdade e a especificação técnica virando o novo campo de disputa, não o desconto encenado. O sinal já aparece nas pesquisas: o estudo Tendências de Consumidores 2025-2026, da GS1 Brasil, aponta que mais de 70% dos consumidores dizem que informações claras e confiáveis aumentam a confiança na marca, e que a checagem antes da compra virou hábito, com o site do fabricante consultado por 56% deles.
Categorias que ainda vendem pela confusão vão descobrir, uma a uma, que o consumidor parou de tolerar o ruído e passou a comparar pelo que é verificável: o que o produto entrega e pelo que ele custa, de fato. O mercado vai se dividir entre quem já sabia falar de especificação real e quem está aprendendo às pressas, sob holofote e sem tempo de errar.
*Valter Roldão – CEO da Luuna no Brasil








