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Cinco anos de LGPD: marco para proteção de dados e impactos no ambiente corporativo

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*Priscila Noveletto

Muito se debate sobre transformação digital ou revolução digital, mas fato é que tal revolução já vem acontecendo há algum tempo, em todo o mundo. Em razão disso, em Agosto de 2018, o governo brasileiro estabeleceu a regulamentação para o tratamento de dados pessoais, o que se fez por meio da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Assim, há 5 anos, desde sua implementação, significativa mudança no mundo corporativa foi e é vivenciada, especialmente, pelos esforços em se balancear boas práticas de segurança com os requisitos primordiais para a consolidação de negócios comerciais e é buscando esse equilíbrio que muitas empresas têm revistado seus fluxos e processos internos para garantir o fiel cumprimento da lei.

Nesse contexto, com destaque na segurança, transparência e respeito aos direitos dos titulares de dados pessoais, há de se criar uma cultura organizacional de proteção de dados pessoais que permita às empresas fortalecer a segurança de suas operações, capacitando colaboradores e estabelecendo um ambiente seguro para o processamento de informações pessoais, ratificando as normas de compliance.

Mas apesar da proteção de dados pessoais não ser um tema recente, muitas empresas ou colaboradores não compreendem a real importância do planejamento e o correto tratamento de dados pessoais. Essa negativa quanto à adequação muitas vezes é derivada de descrença das penalidades aplicáveis aos infratores da Lei Geral de Proteção de Dados, tanto pela limitada fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), quanto pela escassez de precedentes disponíveis ao público.

Se por um lado existe o ceticismo, por outro observamos a Autridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) cada vez mais estruturada, ampliando suas fiscalizações que, nos termos da LGPD e Regulamento de Dosimetria e Aplicação de Sanções Administrativas, lavrou seu primeiro Auto de Infração e Imposição de Multa contra uma empresa de telecomunicações.

Não só pelo risco financeiro, mas também pela valorização da credibilidade em se tratar dados, é que as práticas de privacidade devem integrar a cultura organizacional da empresa, tornando os colaboradores os verdadeiros agentes de transformação, aumentando assim a proteção de dados dentro de cada empresa.

Assim, após 5 anos de vigência da LGPD, apesar dos percalços enfrentados pelas companhias, pode-se concluir que seu impacto no âmbito corporativo tem sido positivo. A implementação de uma cultura de proteção de dados pessoais tem permitido às empresas fortalecer a segurança de suas operações, capacitando colaboradores e estabelecendo um ambiente seguro para o processamento de informações pessoais; e, como resultado, observa-se uma valorização substancial de sua credibilidade no mercado nacional e internacional.

Indubitável que ainda exista uma longa caminhada, mas o marco de 5 anos da LGPD, ilustra a evolução do Brasil nesse tema e traz confiança de que o país está avançando para um futuro em que a privacidade de dados é honrada.

* Priscila Noveletto – Advogada da área Legal Management da Lira Advogados.

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O marketing que lucra com a confusão do consumidor tem prazo de validade

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*Valter Roldão

Existe um tipo de negócio que só funciona se o cliente não entender direito o que está comprando. Não estou falando de fraude, estou falando de modelo. Categorias inteiras de consumo, no varejo brasileiro e fora dele, foram construídas sobre uma engenharia deliberada de confusão.

O preço de verdade que ninguém revela, de modo que o cliente paga não o valor real, mas o resultado de quanto conseguiu insistir na negociação. A letra miúda que reserva a exceção que interessa. O jargão técnico que existe menos para informar e mais para impedir a comparação. Funciona porque, historicamente, decifrar custava mais caro do que simplesmente confiar.

Esse modelo tem prazo de validade, e o prazo está vencendo mais rápido do que a maioria das marcas percebe.

O consumidor de hoje tem em mãos ferramentas de comparação que não existiam há uma década: preço histórico rastreável, avaliação de terceiros, comunidade disposta a expor publicamente quem exagerou na promessa. E ele usa essas ferramentas. Pesquisa do Reclame AQUI com 2,3 mil consumidores, divulgada em 2025, mostra que 81,54% leem avaliações antes de comprar e 95,44% consideram a autenticidade e a transparência da marca importantes na decisão de compra.

A opacidade que antes era vantagem competitiva virou risco reputacional. Uma letra miúda descoberta em vídeo viraliza mais rápido do que qualquer campanha paga consegue compensar. A assimetria de informação, matéria-prima desse tipo de negócio, está sendo corroída estruturalmente, não por regulação, mas pelo próprio comportamento do consumidor.

E é aqui que a clareza deixa de ser escolha de posicionamento e vira decisão competitiva fria. A marca que explica, que assume o papel de tradutora da categoria, não está fazendo caridade: está pegando para si a decisão de compra de todo mundo que está cansado de tentar decifrar sozinho. Quem explica primeiro, explica melhor, e captura a confiança antes de o concorrente sequer tentar.

O aprendizado de quem chega para vender clareza

Aprendi isso na prática quando chegamos ao Brasil. A expectativa inicial era de que o desafio estivesse no produto. Não estava. A barreira real estava no repertório do consumidor sobre o que, afinal, define qualidade na categoria.

Perguntas básicas como por que um colchão custa o que custa e o que muda de uma densidade para outra não tinham resposta clara disponível em lugar nenhum. A categoria inteira comunicava por comparação de preço e por promessas vagas de conforto, nunca por explicação.

Adaptar a comunicação, e não o produto, foi o que rendeu resultado. E aqui está o custo real dessa escolha: prometer longos prazos de garantia ou preço estável, sem encenação de desconto, só é sustentável para quem não tem nada a esconder. São compromissos caros justamente porque exigem coerência. Não dá para prometer transparência e, ao mesmo tempo, recorrer à falsa urgência da promoção que “acaba hoje” e reaparece idêntica amanhã. Ou a marca é clara o tempo todo, ou não é clara em momento nenhum.

Para onde isso caminha

O que vejo à frente é o preço de verdade e a especificação técnica virando o novo campo de disputa, não o desconto encenado. O sinal já aparece nas pesquisas: o estudo Tendências de Consumidores 2025-2026, da GS1 Brasil, aponta que mais de 70% dos consumidores dizem que informações claras e confiáveis aumentam a confiança na marca, e que a checagem antes da compra virou hábito, com o site do fabricante consultado por 56% deles.

Categorias que ainda vendem pela confusão vão descobrir, uma a uma, que o consumidor parou de tolerar o ruído e passou a comparar pelo que é verificável: o que o produto entrega e pelo que ele custa, de fato. O mercado vai se dividir entre quem já sabia falar de especificação real e quem está aprendendo às pressas, sob holofote e sem tempo de errar.

*Valter Roldão – CEO da Luuna no Brasil

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Do backstage ao legado: a aposta na descarbonização de eventos como estratégia de marca

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*Leandra Peres

Inicialmente, a sustentabilidade em grandes eventos é associada à gestão de resíduos, à redução de plásticos descartáveis e à compensação das emissões geradas no local da realização. Mas um novo movimento começa a ganhar força no setor de entretenimento: a ampliação do conceito de responsabilidade ambiental para toda a jornada do público. A iniciativa, que tem raízes em discussões promovidas por especialistas em produção ecoconsciente de eventos ao longo dos últimos anos,
inclusive na COP30, ganha agora escala inédita com a parceria entre o Rock in Rio Brasil
2026 e a AXIA Energia.
O acordo anunciado para a edição de 2026 do festival pretende neutralizar também as emissões associadas ao deslocamento de todos os participantes, desde a saída de casa até o retorno. Trata-se de uma mudança de paradigma. O Rock in Rio é pioneiro na realização de eventos tendo sustentabilidade como um dos seus pilares. Desde 2006, o festival compensa integralmente as emissões de carbono. Iniciativa que ajudou a consolidar a discussão sobre sustentabilidade na indústria do entretenimento. Agora, o desafio é maior: estimativas feitas pela Rock World apontam para a compensação de cerca de 50 mil toneladas de CO2, durante os sete dias de evento neste ano.
Maior empresa de geração renovável do Hemisfério Sul, a companhia busca posicionar seus ativos ambientais como soluções integradas para organizações que desejam reduzir ou neutralizar sua pegada de carbono. Assim, a empresa passa a oferecer um pacote de descarbonização que combina créditos de carbono e certificação de energia renovável.
Na operação montada, a AXIA utilizará créditos de carbono provenientes de seus próprios ativos de geração renovável, emitirá cerca de 4 mil certificados de energia renovável (RECFY) e doará 15 mil mudas e mais de 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras. A empresa estima que a iniciativa tenha potencial para capturar até 428 mil toneladas de carbono da atmosfera ao longo do ciclo de desenvolvimento das árvores, além de contribuir para o reflorestamento de aproximadamente 900 hectares.
A lógica por trás da estratégia procura transformar atributos ambientais em produtos capazes de atender a uma demanda crescente de empresas e organizações preocupadas em cumprir metas climáticas mais rigorosas. Nesse contexto, grandes eventos surgem como uma oportunidade de alto impacto e visibilidade.

Classificação: Pública

Incorporar o deslocamento do público no cálculo das emissões amplia os limites da compensação ambiental e cria um exemplo que pode servir de referência para festivais, shows e eventos esportivos no Brasil e no exterior.
Ao mesmo tempo, para a AXIA, o evento tem outro papel determinante: expandir o conceito de energia. Além de ser o que move cidades e indústrias, é também o que aproxima as pessoas e inspira conexões entre elas no dia-a-dia.

*Leandra Peres – Diretora de comunicação e marketing institucional da AXIA Energia

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