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Alexis Pagliarini

Menos hype, mais estratégico

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Alguém pode estar com a impressão equivocada de que ESG saiu do radar das empresas e dos eventos. De fato, ESG não está na mídia com a mesma frequência e intensidade de dois anos atrás. É fato também que a administração Trump criou um ambiente menos propício aos temas ligados ao respeito socioambiental e a governança ética e transparente. Mas, não nos enganemos: ESG continua na pauta das empresas e do Live Marketing, só que com menos espuma. Mas com mais consistência e estratégia.

As empresas que decidiram adotar os princípios ESG – mesmo as americanas – estão numa fase de maior maturidade, com maior atenção ao Escopo 3. Explico: na questão de emissão de CO2, há 3 escopos a considerar: o Escopo 1, relativo às emissões diretas da operação da empresa, o Escopo 2, relativo às emissões relacionadas à energia utilizada, e o Escopo 3, relacionado às emissões da cadeia de suprimentos. Assim, ao dar atenção ao Escopo 3, as empresas procuram engajar seus fornecedores na adesão aos critérios ESG. Algumas dessas empresas pressionam seus fornecedores, apontando o risco de buscar alternativas, caso o parceiro não apresente sua política ESG. Faz sentido! De nada adianta a empresa alinhar sua atuação às melhores práticas, se os seus fornecedores não o fizerem. Basta lembrarmos dos casos de empresas cujos fornecedores adotaram práticas abusivas com seus empregados ou contratados. A empresa contratante não pode alegar ignorância. Ela é responsabilizada igualmente.

Então, o que estamos vendo é um efeito dominó: a empresa que se encontra em estágio mais maduro de aplicação ESG pressiona seus fornecedores a se alinharem, sob risco de serem preteridos, e assim por diante. No mercado de Live Marketing, já há processos de concorrência que o tema ESG aparece como fator, senão determinante, de diferenciação competitiva. Esse efeito dominó tem impactado agências, espaços para eventos e demais fornecedores.

Tudo isso tem acontecido sem estardalhaço, mas é uma tendência que pode tirar competitividade de players do mercado de eventos, por exemplo. Nessa fase mais madura, ESG deixa seu momento hype e parte para uma visão mais estratégica, mais sólida. Se você atua no setor, procure se adequar. É muito menos complexo do que parece. E faça isso rápido!  Hoje, ter um posicionamento ESG é criar uma vantagem competitiva ou mesmo diminuir riscos de negócios.

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Alexis Pagliarini

Maturidade ESG dos setores de turismo e MICE

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Por Alexis Pagliarini

No último 10 de fevereiro, o setor de turismo e M.I.C.E (Eventos, Incentivo, Conferências e Exposições) apresentou mais uma manifestação inequívoca do compromisso com os critérios ESG. Numa cerimônia capitaneada pela ESG Pulse, que lidera a iniciativa, as mais expressivas instituições representativas do setor assinaram a Declaração de Belém. As primeiras signatárias do documento foram: ABEOC Brasil (empresas de eventos); ABAV-SP (agências de viagens); ABRACORP (viagens corporativas) ALAGEV (eventos e viagens corporativas); AMPRO (live marketing); BLTA (hotelaria de luxo); FOHB (redes hoteleiras); MPI Brasil (profissionais de eventos); SINDEPAT (parques e atrações); UNEDESTINOS (destinos/CVBs) e Visite Campinas (destino/CVB). Outras instituições do setor estão convidadas a aderir. De acordo com o documento, “Os signatários da Declaração reconhecem a urgência de estabelecer padrões claros e transparentes para a comunicação de práticas sustentáveis e ações de ESG no setor de turismo brasileiro. Considerando que a comunicação inadequada ou imprecisa sobre sustentabilidade pode configurar greenwashing e prejudicar a credibilidade do setor como um todo, comprometemo-nos com os princípios e práticas descritos nesta Declaração”. São os seguintes os princípios fundamentais tratados no documento:

Transparência — Toda comunicação sobre práticas sustentáveis deve ser clara, precisa e verificável.

Evidências — Afirmações sobre sustentabilidade devem ser baseadas em dados e evidências concretas, com indicação de fontes e metodologias.

Escopo — Comunicações devem indicar claramente o escopo geográfico, temporal e organizacional das práticas descritas.

Limitações — Reconhecer abertamente as limitações e desafios, evitando generalizações ou promessas não fundamentadas.

Atualização — Manter informações atualizadas e corrigir imprecisões de forma proativa e transparente.

Ao aderir à Declaração, os signatários comprometem-se a:

•Submeter suas comunicações públicas sobre sustentabilidade aos critérios de verificabilidade definidos pelo movimento

•Participar ativamente das iniciativas de capacitação e aprendizado coletivo

•Reportar anualmente suas práticas e desafios de forma transparente

•Contribuir para a melhoria contínua dos padrões do setor

A ambição do movimento é engajar os principais atores do setor, evoluindo para um Observatório, que poderá contribuir com uma visão de benchmark e métricas mais apuradas, podendo inclusive orientar políticas públicas. Essa iniciativa corrobora a tendência de um tratamento mais assertivo aos critérios ESG, deixando o campo das boas intenções e partindo para programas efetivos de ações concretas e comprováveis. ESG deixou de ser hype para entrar numa fase de maior maturidade, sendo incorporado às práticas de gestão das empresas. Bom para o setor, bom paras empresas, bom para o mundo!

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Alexis Pagliarini

O poder da cultura

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Por Alexis Pagliarini

O cinema brasileiro está em festa. Depois das premiações fantásticas do filme Ainda Estou Aqui em festivais internacionais, agora foi a vez d’O Agente Secreto ganhar o Globo de Ouro em duas categorias. Depois de uma fase um tanto quanto obscura com o governo anterior desdenhando da força da cultura, criticando subsídios, como Lei Rouanet, temos a volta da valorização das manifestações culturais, cultuando a fantástica diversidade e capacidade criativa do brasileiro. É o reconhecimento internacional, que não nos surpreende.

Nas muitas vezes em que estive no Cannes Lions Festival, por exemplo, sempre presenciei a valorização da nossa criatividade, expressa no grande número de Leões que trazemos para o Brasil, mas também na reação positiva de estrangeiros, se rendendo à força criativa brasileira. Estamos sempre entre os três países com melhor performance no festival. Fomos o segundo mais premiado em 2025, atrás apenas dos EUA. É o nosso borogodó, fruto de uma rica miscigenação e diversidade cultural, que se expressa nas artes, na música, no artesanato e nas tantas manifestações criativas Brasil e mundo afora.

Essa riqueza se estende ao nosso Live Marketing, que abraça essas iniciativas e as transforma em eventos de todos os portes, atraindo público, gerando negócios. Difícil dimensionar o quanto a cultura contribui com o nosso PIB, mas certamente seu valor se estende também para o FIB (Felicidade Interna Bruta), gerando prazer e felicidade para muitos brasileiros. Essa performance faz um contraponto às manifestações no outro extremo, com governos autoritáriosimpondo sua força para subjugar culturas e desvalorizar a diversidade. Que o Brasil continue valorizando a força da cultura, em 2026 e sempre, para garantir um ambiente mais sensível, plural e próspero para todos nós.

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