Alexis Pagliarini
ESG em eventos: não é um bicho de 7 cabeças

Por Alexis Pagliarini
Cresce a demanda de todos os setores da economia pela adoção de práticas alinhadas aos princípios ESG, mas, paradoxalmente, o setor de eventos ainda se mostra titubeante quanto a aplicação de práticas de sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e ética.
As agências e fornecedores, em sua maioria, mostram-se reativos, esperando que seus clientes exijam uma política ESG para, aí sim, se mobilizarem para atender. Alguns desses, mais antenados, já estão agindo proativamente, procurando assim uma vantagem competitiva. Mas a maioria ainda resiste.
Em artigo anterior, enfatizei que o ESG está vivendo um verdadeiro boom em todos os setores. Mas é importante fazer essa ressalva ao setor de eventos. E a razão principal dessa certa passividade é uma suposta complexidade que acrescentaria mais itens ao já extenso check-list do organizador de eventos. Sim, quem organiza eventos tem uma lista de tarefas que pode superar 200 itens.
Quando o organizador se depara com mais um número expressivo de providências, a primeira reação é a de resistir ao acréscimo de trabalho. Como especialista, tenho procurado desmistificar o processo ESG e demonstrar que boa parte das providências já está incorporada aos eventos. É mais uma questão de alinhar o mindset para uma organização mais sustentável.
Não é um bicho de sete cabeças. Vai dar mais trabalho sim, não nego, mas dá também uma grande satisfação a todos os envolvidos – clientes, agências, venues, fornecedores – ver o evento acontecer sob os critérios ESG. Quem não quer contribuir com o meio ambiente ou com as questões de igualdade, DE&I ou ainda com relações éticas e transparentes? Costumo dizer aos meus interlocutores que ESG é mais bom senso e sensibilidade do que uma tarefa de compliance.
Recentemente, assumi uma assessoria permanente ao WTC Events Center nas questões ESG. Depois de um diagnóstico criterioso mostrar que o espaço já cumpre um procedimento alinhado às melhores práticas (veja relatório por este link: https://www.wtceventscenter.com.br/esg/), agora há o desejo de estimular toda a cadeia, principalmente o organizador de eventos, a aderir aos princípios.
Fico muito feliz com a atitude do WTC Events Center e agradecido por me envolver nesse processo de melhoria contínua e engajamento. Também tenho tido chance de contribuir com a UBRAFE, que criou um comitê dedicado às questões ESG. São atitudes como essas que tornarão o mercado de eventos mais sustentável, inclusivo e ético. Já tenho sido procurado por organizadores que querem adotar práticas ESG desde a concepção e o planejamento de seus eventos, mas essa procura ainda é tímida.
Como forma de estímulo, compartilho aqui a metodologia que recomendo aos meus clientes. Ela se resume em 4 etapas: Know, Be, Do, Say. Know, de conhecer: é preciso conhecer as variáveis por trás do acrônimo ESG, procurando setorizar as questões ambientais (água, energia, resíduos, CO2 etc.); Sociais (compliance trabalhista, DE&I, preconceito, etc.) e Governança (contratos, relações éticas, transparência, etc.). Depois do Know, vem a etapa Be, que nada mais é do que a incorporação de processos alinhados aos critérios ESG no âmago do seu planejamento. Aí vem o Do, de fazer. É o momento de colocar em prática tudo o que foi concebido no planejamento. E, finalmente, o Say, de comunicar, de confeccionar um relatório demonstrando os resultados de todas as práticas adotadas. É claro que simplifiquei bastante o processo aqui, mas o importante é o entendimento de que aplicar ESG é bem menos complexo do que parece. Bora começar?
Alexis Pagliarini
Maturidade ESG dos setores de turismo e MICE

Por Alexis Pagliarini
No último 10 de fevereiro, o setor de turismo e M.I.C.E (Eventos, Incentivo, Conferências e Exposições) apresentou mais uma manifestação inequívoca do compromisso com os critérios ESG. Numa cerimônia capitaneada pela ESG Pulse, que lidera a iniciativa, as mais expressivas instituições representativas do setor assinaram a Declaração de Belém. As primeiras signatárias do documento foram: ABEOC Brasil (empresas de eventos); ABAV-SP (agências de viagens); ABRACORP (viagens corporativas) ALAGEV (eventos e viagens corporativas); AMPRO (live marketing); BLTA (hotelaria de luxo); FOHB (redes hoteleiras); MPI Brasil (profissionais de eventos); SINDEPAT (parques e atrações); UNEDESTINOS (destinos/CVBs) e Visite Campinas (destino/CVB). Outras instituições do setor estão convidadas a aderir. De acordo com o documento, “Os signatários da Declaração reconhecem a urgência de estabelecer padrões claros e transparentes para a comunicação de práticas sustentáveis e ações de ESG no setor de turismo brasileiro. Considerando que a comunicação inadequada ou imprecisa sobre sustentabilidade pode configurar greenwashing e prejudicar a credibilidade do setor como um todo, comprometemo-nos com os princípios e práticas descritos nesta Declaração”. São os seguintes os princípios fundamentais tratados no documento:
Transparência — Toda comunicação sobre práticas sustentáveis deve ser clara, precisa e verificável.
Evidências — Afirmações sobre sustentabilidade devem ser baseadas em dados e evidências concretas, com indicação de fontes e metodologias.
Escopo — Comunicações devem indicar claramente o escopo geográfico, temporal e organizacional das práticas descritas.
Limitações — Reconhecer abertamente as limitações e desafios, evitando generalizações ou promessas não fundamentadas.
Atualização — Manter informações atualizadas e corrigir imprecisões de forma proativa e transparente.
Ao aderir à Declaração, os signatários comprometem-se a:
•Submeter suas comunicações públicas sobre sustentabilidade aos critérios de verificabilidade definidos pelo movimento
•Participar ativamente das iniciativas de capacitação e aprendizado coletivo
•Reportar anualmente suas práticas e desafios de forma transparente
•Contribuir para a melhoria contínua dos padrões do setor
A ambição do movimento é engajar os principais atores do setor, evoluindo para um Observatório, que poderá contribuir com uma visão de benchmark e métricas mais apuradas, podendo inclusive orientar políticas públicas. Essa iniciativa corrobora a tendência de um tratamento mais assertivo aos critérios ESG, deixando o campo das boas intenções e partindo para programas efetivos de ações concretas e comprováveis. ESG deixou de ser hype para entrar numa fase de maior maturidade, sendo incorporado às práticas de gestão das empresas. Bom para o setor, bom paras empresas, bom para o mundo!
Alexis Pagliarini
O poder da cultura

Por Alexis Pagliarini
O cinema brasileiro está em festa. Depois das premiações fantásticas do filme Ainda Estou Aqui em festivais internacionais, agora foi a vez d’O Agente Secreto ganhar o Globo de Ouro em duas categorias. Depois de uma fase um tanto quanto obscura com o governo anterior desdenhando da força da cultura, criticando subsídios, como Lei Rouanet, temos a volta da valorização das manifestações culturais, cultuando a fantástica diversidade e capacidade criativa do brasileiro. É o reconhecimento internacional, que não nos surpreende.
Nas muitas vezes em que estive no Cannes Lions Festival, por exemplo, sempre presenciei a valorização da nossa criatividade, expressa no grande número de Leões que trazemos para o Brasil, mas também na reação positiva de estrangeiros, se rendendo à força criativa brasileira. Estamos sempre entre os três países com melhor performance no festival. Fomos o segundo mais premiado em 2025, atrás apenas dos EUA. É o nosso borogodó, fruto de uma rica miscigenação e diversidade cultural, que se expressa nas artes, na música, no artesanato e nas tantas manifestações criativas Brasil e mundo afora.
Essa riqueza se estende ao nosso Live Marketing, que abraça essas iniciativas e as transforma em eventos de todos os portes, atraindo público, gerando negócios. Difícil dimensionar o quanto a cultura contribui com o nosso PIB, mas certamente seu valor se estende também para o FIB (Felicidade Interna Bruta), gerando prazer e felicidade para muitos brasileiros. Essa performance faz um contraponto às manifestações no outro extremo, com governos autoritáriosimpondo sua força para subjugar culturas e desvalorizar a diversidade. Que o Brasil continue valorizando a força da cultura, em 2026 e sempre, para garantir um ambiente mais sensível, plural e próspero para todos nós.








