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Do passado ao futuro: cinco cases de marketing para se inspirar em 2025

*Gustavo Costa
Em 2024, diversas ações de brand experience foram além de captar a atenção do público: criaram conexões emocionais genuínas, fortaleceram comunidades e resgataram culturas compartilhadas. As iniciativas não apenas destacaram as marcas no mercado, mas também estabeleceram novos paradigmas, oferecendo aprendizados valiosos e abrindo portas para desafios e oportunidades em 2025. Dentre os diversos cases de sucesso do ano, cinco chamaram atenção e tornaram-se valiosas campanhas para inspirar e construir ações ainda mais impactantes em 2025.
1. A fila que rodou quarterões por um Lip Tint de Cinnamon Roll
Em comemoração ao aniversário de Hailey Bieber, a Rhode Skin, marca de beleza da modelo, montou uma cabine de fotos na cafeteria Community Goods, em Los Angeles. A experiência permitiu que os participantes tirassem fotos e recebessem uma edição limitada do Peptide Lip Tint no sabor Cinnamon Roll. A fila que se formou foi prova do sucesso da campanha, rondando quarterões de fãs ansiosas pelos seus cafés e brilho labial.
Ponto alto: A combinação de exclusividade e interatividade. A cabine de fotos não era apenas uma forma de registrar o momento, mas também um presente personalizado e memorável.
Inspiração para 2025: Crie experiências de curta duração que ofereçam algo exclusivo e desejado pelo público. Pequenas edições limitadas vinculadas a eventos específicos geram urgência e buzz.
2. Shopee, nostalgia e humor
A Shopee brilhou ao convidar Terry Crews para cantar “A Thousand Miles”, música icônica do filme As Branquelas, como parte da campanha para o “11.11: A Maior Liquida do Ano”. A propaganda foi nostálgica, divertida e impactante, gerando engajamento massivo nas redes sociais.
Ponto alto: A recuperação de memórias afetivas, aliada ao humor, cativou diferentes gerações e tornou a marca mais próxima do público.
Inspiração para 2025: Explore memes, músicas ou referências culturais que despertem nostalgia e conectem a audiência de forma leve e emocional. A nostalgia pode ser uma ponte poderosa para a lealdade do consumidor. Um exemplo que pode ser levado para o Brand Experience seria colocar as pessoas no carro usado no filme, permitindo que elas cantem a trilha sonora e sintam o mesmo que o personagem Latrell Spencer.
3. Nubank de olho na geração “Friends”
Ao escalar Matt LeBlanc, o Joey de Friends, para destacar benefícios como Nubank+, FGTS e Nu Limite Garantido, o Nubank trouxe carisma e familiaridade à campanha. Além disso, olhou para uma faixa de idade importante para a sua base: os millennials. A presença do ator conquistou os corações dos fãs da série.
Ponto alto: A escolha de um rosto amplamente reconhecido e amado. Matt LeBlanc trouxe credibilidade e gerou conexões emocionais instantâneas.
Inspiração para 2025: Ao trabalhar com celebridades, opte por aquelas que possuam uma conexão emocional autêntica com seu público. Certifique-se de que o storytelling envolva a audiência em um nível pessoal. No live marketing, por exemplo, seria interessante criar uma experiência on-line na qual as pessoas pudessem conversar sobre os produtos do Nubank com o Joey virtual – uma espécie de inteligência artificial temática direcionada ao produto e com data marcada para acabar.
4. Game of Thrones: Imersão em SP
Os fãs de Game of Thrones e A Casa do Dragão tiveram uma experiência imersiva no Shopping Center Norte, em São Paulo. A exposição apresentou cenários, adereços e efeitos especiais autênticos, transformando o espaço em um universo para os apaixonados pela franquia.
Ponto alto: A recriação detalhada do universo das séries, que permitiu aos fãs sentirem-se dentro da narrativa.
Inspiração para 2025: Experiências imersivas continuam em alta. Reproduza cenários ou crie espaços interativos onde os participantes vivenciem as histórias que amam.
5. Latam Airlines no Rock in Rio
No Rock in Rio 2024, a Latam Airlines Brasil levou mais de 5 mil pessoas para uma experiência “Sem Fronteiras”. Um mockup de aeronave com uma experiência imersiva destacou a relação entre música e viagem, alinhando a campanha ao tema do festival.
Ponto alto: A conexão do espaço com a assinatura da marca “A música te faz viajar”. A iniciativa fortaleceu o branding criativamente e engajante.
Inspiração para 2025: Vincule sua marca a eventos culturais e ofereça experiências que conectem o seu propósito às emoções do público. Uma dica para fortalecer a experiência seria, também, criar uma espécie de jogo, no qual o usuário escolhesse a função que teria naquele ambiente, dando ao participante um poder de escolha como consumidor.
Cada uma dessas ações demonstra que, para se destacar em um mercado tão competitivo, é essencial explorar criatividade, emoção e personalização. A capacidade de gerar experiências memoráveis, conectadas às paixões e aos desejos do consumidor, deve ser o guia para as campanhas de 2025. Afinal, marcas que criam momentos inesquecíveis ocupam um lugar especial na memória e no coração de seus clientes.
*Gustavo Costa – CEO da LGL Case
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GEO não substitui o SEO, mas redefine quem é relevante

*Felipe Coelho
O Generative Engine Optimization (GEO) deixou de ser um conceito emergente para se tornar um fator decisivo na construção de relevância digital. Com as inteligências artificiais generativas fazendo parte da rotina de busca das pessoas, a forma como marcas são encontradas, interpretadas e recomendadas mudou de maneira estrutural. A lógica do clique perde espaço para a lógica da resposta, e isso exige uma adaptação imediata das estratégias digitais.
Modelos de linguagem como ChatGPT, Gemini e Claude atuam como motores de resposta. Eles analisam contextos, selecionam fontes e sintetizam informações em poucos segundos, muitas vezes eliminando a necessidade de o usuário acessar um site. O GEO surge exatamente nesse ponto, como o conjunto de estratégias voltadas a tornar conteúdos e marcas fontes preferenciais das respostas. Não se trata de abandonar o Search Engine Optimization (SEO), mas de ampliá-lo para um ambiente em que ser compreendido pela IA é tão importante quanto ser encontrado pelo buscador.
Essa mudança se torna evidente quando grandes plataformas passam a institucionalizar respostas automáticas. A adoção de resumos gerados por IA nos resultados de busca ampliou o zero click search, especialmente em pesquisas informacionais. Ao mesmo tempo, o avanço dos modelos agênticos no comércio digital mostra que as IAs não apenas informam, mas também comparam, escolhem e compram produtos em nome dos usuários. Quando a inteligência artificial passa a mediar decisões de consumo, a disputa deixa de ser apenas por posição e passa a ser por recomendação.
Na prática, não existe GEO sem SEO. Se um site não é rastreável, não carrega rápido, não possui estrutura técnica adequada ou apresenta conteúdo inacessível, ele simplesmente não entra no radar das inteligências artificiais. A diferença está no foco. Enquanto estratégias tradicionais priorizavam tráfego e palavras-chave, o GEO prioriza clareza, densidade informacional e autoridade. O conteúdo precisa ser escrito para ser entendido, resumido e citado. Parágrafos devem funcionar de forma independente, trazer dados objetivos, comparações claras e informações que realmente acrescentem algo novo ao ecossistema digital.
As métricas acompanham essa transformação. O mercado observa um aumento consistente de impressões combinado à queda de cliques, reflexo direto das respostas entregues na própria página de resultados ou dentro das interfaces de IA. Em contrapartida, cresce o tráfego de referência vindo desses ambientes, o que exige análises mais profundas, como a leitura de logs de servidor, para compreender de fato como bots e modelos generativos consomem o conteúdo. Medir presença em IA ainda é um desafio, já que não há ranking fixo e cada resposta é personalizada, contextual e temporal, mas ignorar esse movimento significa aceitar a perda gradual de relevância.
Eventos globais do varejo e da tecnologia reforçam que presença digital, sozinha, já não é suficiente. Relevância passa por infraestrutura sólida, dados confiáveis e execução consistente. Problemas como latência, ruptura de estoque e inconsistência de informação impactam diretamente a experiência do usuário e a forma como a IA interpreta uma marca. Em um ambiente marcado pela economia da atenção, a inteligência artificial atua principalmente nos bastidores, conectando dados de comportamento, logística, disponibilidade e contexto para entregar respostas rápidas e decisões mais seguras.
O impacto do GEO vai além da performance e alcança diretamente o branding. As respostas geradas por IA carregam um alto grau de confiança por parte do consumidor. Quando uma marca é citada em uma recomendação automática ou na comparação entre produtos, ela entra na jornada de decisão com vantagem competitiva. Isso exige uma mudança clara na produção de conteúdo. Em vez de apostar apenas em guias extensos explicando conceitos básicos, torna-se mais estratégico investir em conteúdos ricos, precisos e autoritativos, para que sejam citados e não apenas clicados.
Diante de todas essas mudanças, as marcas precisam começar pelo básico. Avaliar o que aparece quando o próprio nome é buscado, entender quais informações estão associadas à marca e corrigir inconsistências são os primeiros passos. Também é necessário revisar a estrutura técnica do site, garantir velocidade, código limpo e conteúdo acessível. Assegurar que dados de produtos estejam completos, atualizados e compreensíveis por máquinas completa a ação para, então, construir autoridade fora do próprio domínio, com menções em portais relevantes, bases de conhecimento e presença consistente em ambientes institucionais.
GEO não significa manipular algoritmos, mas facilitar compreensão, confiança e síntese. Portanto, as marcas que forem entendidas pelas inteligências artificiais serão também as marcas escolhidas pelos consumidores.
*Felipe Coelho – CEO da Wicomm, agência especializada em e-commerce e performance digital.
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Experiência sensorial como estratégia de negócio

*Por Erika Campos
Vivemos em um mundo hiperestimulado, cheio de notificações, ruídos e interrupções. Nesse cenário, a música deixou de ser apenas entretenimento e passou a ocupar um papel muito mais relevante: o de ferramenta para performance e foco, atuando, principalmente, como facilitadora de experiências.
Hoje, quando falamos de ambiente corporativo, eventos e experiências de marca, não dá mais para separar bem-estar do resultado. E a música é uma das formas mais acessíveis e inteligentes de ativar esse equilíbrio, mesmo que às vezes passe despercebido para quem não está imerso em como criar ambientes cada vez mais agradáveis para seu público.
Existem princípios da neurociência e estudos de comportamento que mostram que determinados sons e frequências ajudam a ativar a concentração, a calma, o estado de alerta ou criatividade. Isso quer dizer que o som certo pode potencializar o foco, a clareza de pensamento e até a forma como vivenciamos uma reunião, um workshop ou uma ativação de marca. A música ajuda a criar um estado mental mais favorável para o que queremos alcançar. E isso pode ser extremamente estratégico para o negócio.
Mas eu nunca encaro isso de forma universal. Cada pessoa é única. O que funciona para um pode não funcionar para outro. E por isso, quando penso em som nos eventos, por exemplo, a primeira pergunta que eu faço é: “qual é o objetivo que eu quero atingir com essa experiência sonora?” Às vezes a resposta é foco, outras vezes é energia, conexão ou até relaxamento. E isso muda tudo.
Em eventos corporativos a música é muito mais do que trilha de fundo. Ela estabelece clima, eleva energia, cria momentos memoráveis e pode até sinalizar transições sem que ninguém precise dizer uma palavra. É parte da narrativa da experiência. Uma trilha sonora escolhida com propósito faz com que as pessoas se sintam envolvidas, acolhidas e conectadas à mensagem que a marca quer transmitir. Isso acontece também com o olfato, onde o aroma tem o papel de transportar o seu convidado a um momento específico da vida, ativando uma lembrança afetiva ou até criando memórias a partir daquele novo aroma identificado.
E isso acontece no cotidiano também. Trabalhar com música, de forma consciente, pode tornar a rotina mais leve, mais produtiva e mais humana. Quando a empresa entende que som faz parte da experiência das pessoas, seja para melhorar o bem-estar, seja para intensificar a atenção ou simplesmente gerar um momento marcante, ela está cuidando não apenas de performance, mas da experiência total de quem vive naquele ambiente.
Então, quando penso em experiências, mais precisamente em músicas ou cheiros no contexto corporativo e de eventos, eu penso em estratégia, emoção e resultado.
Imagina você, por exemplo, em uma ativação que recebe convidados de outros estados, deixa no quarto de hotel um kit com um pijama de brinde e itens de higiene pessoal, porém borrifa um aroma exclusivo desenvolvido para a sua marca no pijama. No momento que esse cliente abre o seu “singelo brinde” ele o eleva a um presente. A partir daí, não é mais sobre o som ou sobre o cheiro, e sim sobre a experiência que você criou. Ativar os sentidos no universo corporativo é ferramenta que nos ajuda a explicar como queremos que as pessoas se sintam, pensem e ajam. E por que não, lembrem da nossa marca? No fim das contas, a forma como a gente faz alguém se sentir e recordar daquele momento, faz toda a diferença e pode potencializar os nossos resultados.
*Erika Campos – Coordenadora de eventos e experiências no Grupo Accesstage








