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Black Friday: o impacto da Inteligência Artificial nas empresas do mercado varejista

*Pedro Santoro
A Black Friday e a Cyber Monday, ações promocionais realizadas anualmente no setor varejista, atraem consumidores em todo o mundo, dispostos a comprar produtos com descontos vantajosos e aproveitar as melhores ofertas. Desta forma, esses eventos potencializam as vendas a um ritmo acelerado, exigindo dos estabelecimentos maior preparo para suportar o aumento de demanda. Neste cenário, o uso da tecnologia torna-se um elemento imprescindível para as companhias do segmento impulsionarem seus resultados.
O investimento em soluções como Machine Learning e Inteligência Artificial nas empresas do varejo têm sido cada vez maiores. Segundo o estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), 87% dos varejistas possuem ações de transformação digital e quase a metade deles (44%) já investem mais de 1% do faturamento bruto em inovação e digitalização. Diante disso, o uso de novas tecnologias contribui diretamente para uma performance mais eficiente e otimização dos processos, gerando melhorias para o varejista, bem como para a jornada de compra e a experiência do consumidor.
Paralelo à implementação de soluções modernas, a disputa de marketing torna-se um grande desafio para as empresas que tentam se destacar em meio a um mercado altamente competitivo, no qual todos buscam constantemente demonstrar suas vantagens ao cliente. Tendo em vista que uma das estratégias mais populares está relacionada ao investimento em mídia, é possível notar que o preço da compra de espaços publicitários cresce durante a alta temporada de compras.
Desta maneira, o sucesso do investimento não é garantido, expondo a empresa ao risco de ter rentabilidade mínima em seu negócio. A partir disso, nota-se a necessidade de adotar uma estratégia aliada à tecnologia, que fuja do convencional para garantir bons resultados.
Benefícios do uso do Machine Learning e Inteligência Artificial nas empresas
Por meio do uso dessas tecnologias, é possível atingir a velocidade necessária para investir a menor quantidade de esforço por parte dos colaboradores e promover uma comunicação personalizada com os clientes. Este cenário possibilita uma experiência diferenciada, mesmo diante do alto volume de compras proporcionado pela temporada da Black Friday e Cyber Monday. Com isso, esses recursos tornam-se aliados indispensáveis para que o processo de venda seja mais simples, rápido e confortável, não apenas para o consumidor, mas também para o varejista que opera e realiza as vendas durante este período.
Pelo fato do varejo contar com um grande número de soluções disponíveis no mercado, as companhias precisam fazer uso de técnicas que auxiliem na busca por bons fornecedores, melhores preços e, principalmente, na conquista de clientes que irão gerar maior rentabilidade. A aplicação da tecnologia cumpre este papel, promovendo a personalização da jornada individual de cada usuário e a compreensão a fundo de suas vontades e desejos, gerando assim um diferencial competitivo frente ao mercado.
Neste cenário, o Machine Learning atua auxiliando os modelos de Inteligência Artificial. Seu objetivo é torná-los cada vez mais efetivos, capazes de aprender com as mudanças contínuas de comportamento dos dados, tornando a IA cada vez mais assertiva e valiosa.
Além disso, a adoção da Inteligência Artificial gera inúmeras possibilidades facilitadoras, como a personalização da comunicação de acordo com o interesse e comportamento do cliente. Permite ainda a automação do plano de mídia aliado à identificação dos canais mais rentáveis para distribuição do investimento midiático, bem como a recomendação de ofertas personalizadas com base na última compra do consumidor.
Por que investir em ferramentas tecnológicas que otimizam o trabalho no setor de vendas?
A aplicação da Inteligência Artificial nas empresas ajuda a selecionar itens personalizados, que tenham como base o mapeamento de interesse do usuário. Através dela, é possível aproximar as marcas de seus consumidores, auxiliar na tomada de decisões para investimentos certeiros e vantajosos e, consequentemente, gerar impactos positivos em seu faturamento.
Em períodos de alta demanda, as soluções ajudam no aumento das taxas de conversão, saída de produtos com menor percentual de venda e ainda contribui na rentabilidade geral dos canais. Além disso, proporciona agilidade, apoio para decisões difíceis, eliminando a chance de “achismos”, e facilitando a tomada de decisão a partir de um conhecimento avançado do próprio negócio, em menos tempo e com uma equipe diversa.
O fato é que as pessoas estão cada vez mais conectadas e exigentes quando a questão é consumo. Logo, para se destacar, os lojistas precisam oferecer um serviço rápido, eficiente e que esteja alinhado ao interesse de seus compradores. Neste sentido, a adoção de recursos como Machine Learning e Inteligência Artificial nas empresas possibilita que o segmento varejista esteja mais preparado para oferecer um serviço de qualidade nestas datas, além de permitir que as companhias aprofundem seu conhecimento sobre os clientes, proporcionando a eles uma experiência mais personalizada e satisfatória.
*Pedro Santoro – Head produtos de marketing da HartB
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Gamificação baseada em ciência: o que realmente transforma comportamentos?

*Nara Iachan
É normal associar a gamificação a pontos, medalhas, rankings e recompensas mas, embora esses elementos façam parte da estratégia, eles estão longe de explicar por que alguns programas transformam comportamentos enquanto outros são abandonados de forma rápida. A diferença está na ciência.
A gamificação eficaz foi construída a partir de décadas de estudos sobre comportamento humano, motivação e formação de hábitos. Em vez de simplesmente gamificar um processo, ela utiliza princípios da psicologia e economia comportamental e da neurociência para incentivar ações específicas de forma consistente e sustentável.
Durante muito tempo, acreditava-se que as pessoas tomavam decisões de forma essencialmente racional. Mas, as ciências comportamentais mostraram que nossas escolhas são influenciadas por fatores como contexto, percepção de progresso, reconhecimento, feedback e recompensa.
Isso significa que pequenas mudanças na forma como uma jornada é estruturada podem aumentar significativamente o engajamento. É exatamente nesse ponto que a ciência da gamificação deixa de ser uma coleção de elementos visuais e passa a funcionar como um mecanismo de mudança de comportamento.
O que realmente faz uma gamificação funcionar?
Alguns princípios aparecem de forma consistente nas pesquisas sobre comportamento humano, por exemplo, as pessoas aprendem mais rapidamente quando conseguem perceber as consequências de suas ações. Receber uma confirmação logo após concluir uma atividade aumenta a sensação de progresso e reforça o comportamento desejado.
Ver claramente o quanto já foi conquistado também é um índice que aumenta a motivação para continuar. Barras de progresso, níveis e missões sequenciais não existem apenas para tornar a experiência mais bonita; elas reduzem a sensação de esforço e tornam o objetivo mais tangível.
Objetivos específicos são outro fator que geram maior comprometimento do que instruções genéricas. Quando o usuário sabe exatamente qual é o próximo passo, a probabilidade de execução aumenta.
É bom lembrar que nem toda recompensa precisa ser financeira. Reconhecimento, status, acesso a benefícios exclusivos ou simplesmente a sensação de conquista podem ser tão poderosos quanto incentivos monetários, dependendo do contexto.
Além disso, pessoas tendem a se engajar mais quando sentem que têm controle sobre sua jornada. Permitir diferentes caminhos para atingir um objetivo aumenta o senso de pertencimento e reduz a percepção de obrigação.
O erro mais comum
Talvez o maior equívoco seja acreditar que gamificação significa distribuir pontos para qualquer atividade. No entanto, sem um objetivo comportamental claro, os pontos rapidamente perdem significado. O usuário participa enquanto existe novidade, mas o interesse desaparece assim que o estímulo inicial termina.
O mesmo acontece com rankings mal planejados. Embora possam incentivar os melhores desempenhos, também podem desmotivar quem percebe que dificilmente alcançará as primeiras posições. Quando a experiência é construída apenas sobre competição, grande parte dos participantes acaba desistindo.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é o papel dos dados. Hoje, os programas são desenhados para compreender comportamentos e cada interação gera informações que permitem identificar padrões, personalizar desafios, adaptar comunicações e tornar a jornada cada vez mais relevante para cada participante.
Essa capacidade de personalização explica por que a gamificação tem se tornado uma ferramenta estratégica para empresas que buscam aumentar retenção, frequência de compra, produtividade e engajamento.
As empresas que obtêm os melhores resultados entendem que gamificar é reduzir atritos, incentivar comportamentos desejados e fortalecer relacionamentos ao longo do tempo. Quando baseada em princípios científicos e apoiada por dados, essa prática deixa de ser apenas uma experiência divertida e passa a gerar resultados concretos para o negócio.
E a pergunta que fica é: quais comportamentos a gamificação consegue transformar? Quando o comportamento muda de forma consistente, os resultados aparecem como consequência.
*Nara Iachan – (Forbes Under 30) é cofundadora e CMO da Lovalme, startup de soluções de fidelização.
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O dado mais valioso da sua marca está na relação que ela já tem com o cliente

*Jonathan Pereira
Todo ano o mercado repete a mesma reclamação: verba desperdiçada, segmentação fraca, campanha entregue para quem nunca vai comprar de você. E todo ano a resposta é mais dados: mais uma plataforma, mais um relatório, mais uma fonte de terceiros. Nunca tivemos tanta informação, e nunca a distância entre marca e cliente pareceu tão grande.
O problema é essa distância. Fazer campanha sem entender de verdade quem está do outro lado, sem saber o melhor momento de falar com ele, é jogar dinheiro de mídia fora. Com cada real investido precisando provar retorno, a proximidade decide o resultado.
O first-party data, no entanto, muda essa conversa. Quando uma empresa constrói uma relação direta e contínua com uma comunidade, ela para de depender só do que terceiros dizem sobre aquela audiência. Ela aprende observando, e as pesquisas e os dados de mercado seguem sendo fundamentais. A diferença é que a marca não começa do zero a cada pergunta nova.
Na Gamers Club eu vejo isso de perto todo dia. Nossa comunidade não cabe numa faixa etária nem numa categoria de interesse: são pessoas que jogam, competem, assistem a campeonatos, compram e vendem skins, montam times. Numa pesquisa com a nossa comunidade, 34,9% jogam quatro horas ou mais por dia e 50,3% disseram que já deixaram de comprar um produto de melhor qualidade porque se identificavam mais com outra marca.
Esse é apenas um exemplo de um comportamento observado dentro de um ambiente no qual operamos há anos. O first-party data entrega contexto junto com a informação, e contexto é o que a segmentação comprada pronta não tem.
E esse contexto trabalha nos dois sentidos. De um lado, a campanha fica mais precisa porque a marca já conhece a audiência antes de colocar o primeiro real na mídia. De outro, o próprio comportamento da comunidade gera perguntas e até oportunidades novas. Uma mudança na forma de consumir conteúdo ou um interesse que começa a ganhar força, por exemplo, pode abrir caminho para uma ativação que nem estava no radar. O dado ajuda a executar melhor a ideia que já existe e, muitas vezes, mostra qual deveria ser a próxima.
A publicidade, no entanto, ainda trabalha numa lógica de primeiro criar a campanha e depois procurar a audiência para ela. Mas também é possível fazer o caminho inverso: observar o que a comunidade está fazendo, ler os sinais e construir a proposta a partir daí. Aqui na GC a gente chama esse modelo de B2C2B, e a ordem das letras importa.
Quando a plataforma funciona para o jogador, ele joga mais, compete mais, se envolve mais. Esse engajamento é o que entrega resultado para a marca que investe. E o dinheiro que entra das marcas volta para a plataforma na forma de campeonato, de servidor, de produto melhor, que mantém o jogador feliz. É um ciclo virtuoso: usuário satisfeito gera atenção, atenção gera resultado, resultado gera investimento, investimento volta para o usuário. Ele só funciona porque os dados alimentam os dois lados ao mesmo tempo, o produto para a comunidade e a performance para o cliente. Todo mundo ganha.
O valor do first-party data está em transformar uma relação em conhecimento, e conhecimento em decisão. Quando a empresa conhece a comunidade de forma contínua, ela corta etapas, desperdiça menos e passa a competir por relevância em vez de alcance.
A mídia digital passou anos evoluindo na capacidade de encontrar pessoas em escala. Acredito que o próximo salto é entender melhor quem já está na nossa frente. Se o desafio da publicidade é aproximar marcas e pessoas, a resposta é prestar atenção nos dados e nas relações que a gente já construiu.
*Jonathan Pereira – Diretor de marketing da Gamers Club








