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Ricardo Amorim

A era dos presidentes animadores de torcida

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Por Ricardo Amorim

Espera-se que um presidente governe para todos, buscando criar condições favoráveis para a aprovação de medidas importantes no Congresso. O ideal é que o líder seja capaz de unir os brasileiros em torno de um projeto comum de país, para o qual todos trabalhem juntos, na mesma direção. No entanto, nos dois últimos governos no Brasil, temos testemunhado uma dinâmica exatamente oposta a essa. A polarização extrema tem prevalecido, estimulada pelo Presidente, causando paralisação de reformas fundamentais para enriquecer o Brasil e os brasileiros.

Nossos Presidentes tornaram-se animadores de torcida, que nunca saem do palanque eleitoral. Seus discursos são exclusivamente voltados para mobilizar seus apoiadores mais aguerridos, não para efetivamente definir uma agenda para o país. Essa abordagem cria um conflito permanente entre dois lados absolutamente opostos, com os quais grande parte da população não se identifica. Essa polarização garante apoio irrestrito a ambos os lados de parcelas do eleitorado relativamente pequenas em número, mas capazes de fazer um enorme barulho, brindando seus líderes de qualquer escândalo que eles se vejam envolvidos. Por outro lado, ela tem impedido o avanço de reformas importantes e necessárias no Congresso, uma vez que não há diálogo entre o Presidente e aqueles que não compartilham exatamente de suas visões.

Sem diálogo e uma busca de alguma unidade nacional, o país fica paralisado, incapaz de avançar em áreas cruciais para o seu desenvolvimento. Reformas econômicas, sociais e políticas que poderiam impulsionar o crescimento e melhorar a qualidade de vida dos brasileiros são adiadas ou simplesmente esquecidas.

Toda a população brasileira paga a conta. Os impactos negativos da polarização afetam diretamente a vida de cada cidadão. A ausência de um projeto de país e o confronto entre diferentes setores da sociedade impedem que sejam alcançadas soluções que beneficiem a todos, quase como se o país estivesse em guerra civil. O Brasil precisa romper com essa realidade e buscar um caminho colaboração.

É hora de romper com a lógica do “nós versus eles”, que interessa a lideranças políticas, mas não aos brasileiros e criar condições que favoreçam quem quer trabalhar em prol do bem-estar coletivo e não de apenas um ou outro grupo de brasileiros. Mais do que nunca, o Brasil precisa de menos Estado e mais estadistas.

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Ricardo Amorim

O incrível boom imobiliário da última década

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Por Ricardo Amorim

O mercado imobiliário brasileiro viveu uma transformação impressionante na última década.

Só para dar uma ideia, apenas na cidade de São Paulo, o número de lançamentos imobiliários cresceu 620% em 10 anos. Mas, enquanto os lançamentos dispararam, o tamanho dos imóveis encolheu. E isso diz muito sobre como o Brasil está mudando. As famílias estão ficando menores. Muito mais pessoas passaram a morar sozinhas. O trabalho remoto ganhou espaço. E o custo crescente dos imóveis obrigou o mercado a se adaptar. Resultado? Apartamentos compactos deixaram de ser exceção e viraram tendência.

Só que tem outro fator fundamental por trás desse boom de vendas de imóveis: o crescimento forte e sustentado do crédito, da renda e do emprego. Mesmo com juros muito altos, o mercado imobiliário continuou aquecido porque o desemprego caiu, a renda cresceu mais do que os preços e mais brasileiros passaram a conseguir financiamento para comprar imóveis.

Além disso, investidores começaram a enxergar imóveis pequenos como ativos mais rentáveis, especialmente para aluguel e locação de curta duração. Em outras palavras, o imóvel deixou de ser apenas moradia e teve seu papel como estratégia de investimento reforçado. Em resumo, o mercado imobiliário viveu um boom, com o número de novos apartamentos crescendo muito e o tamanho da maioria dos apartamentos encolhendo, porque as mudanças econômicas, demográficas e sociais do Brasil têm sido gigantes. Aqueda das taxas de juros, que deve expandir a oferta de crédito para financiar a construção e a venda de novos imóveis, deve fortalecer ainda mais esse movimento.

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Ricardo Amorim

Engenheiro 60+: inovar é trazer experiência de volta ao jogo

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Por: Ricardo Amorim

Os ex-alunos da Escola Politécnica da USP e do ITA se uniram para criar o Inova Sênior, um projeto que busca reintegrar engenheiros com mais de 60 anos ao mercado de trabalho. A iniciativa nasceu da percepção de que o Brasil desperdiça um enorme capital intelectual ao deixar de aproveitar a experiência e o conhecimento de profissionais que têm mais idade e mais vivência, mas muitas vezes foram afastados do mercado por etarismo.

O objetivo do Inova Sênior é valorizar a trajetória desses engenheiros, atualizando suas habilidades com formações pontuais voltadas às novas demandas de tecnologia, inovação e ESG — mas sem a necessidade de uma nova graduação.

A proposta é que eles possam se recolocar rapidamente em posições estratégicas, nas quais sua bagagem técnica e maturidade profissional sejam diferenciais importantes.
Além do aspecto econômico, o projeto também tem uma dimensão social bastante relevante, pois busca combater o isolamento e a perda de propósito que podem, infelizmente, afetar pessoas que se aposentam ou ficam fora do mercado de trabalho.

O lançamento oficial aconteceu durante o MaturiFest — evento voltado ao público 50+, que discute temas como trabalho e longevidade. A estreia contou com a participação de cerca de 200 engenheiros formados pela Poli e pelo ITA, e os idealizadores planejam expandir o programa para outras escolas de engenharia do país. Essa iniciativa representa uma tentativa prática e concreta de reconectar gerações e resgatar o valor da experiência — em um momento em que o envelhecimento populacional e a demanda por profissionais qualificados crescem simultaneamente no Brasil. Além disso, com a taxa de desemprego atualmente muito baixa, muitas empresas não conseguem encontrar profissionais para contratar.

Em resumo: é bom para todo mundo — bom para os profissionais, bom para as empresas e bom para a sociedade. Uma ótima iniciativa que merece ser replicada com profissionais de outras áreas.

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