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Luiz Fernando Ruocco – Quando o básico dá uma rasteira na inovação

Todo final e começo de ano, vemos pipocar artigos e listas com “X tendências que você não pode perder”. No marketing digital isso é especialmente comum, e de fato discutir o futuro faz parte, como pudemos ver no CMO Summit deste ano. Mas a inovação é frequentemente apresentada como a maior solucionadora de problemas, a melhor chance de crescer no mercado. E será que é mesmo?
Nós sempre estamos inovando, o tempo todo. Não há nada de errado nisso, porque é um desenvolvimento natural e orgânico, um aprimoramento do que já fomos. Isso se aplica às nossas profissões também. O problema é que, agora, a tecnologia tem um papel central nas nossas vidas, e ela também está em constante mudança, só que de forma muito mais acelerada.
Das grandes companhias às startups mais recentes, todo mundo quer inventar algo que se torne o próximo sucesso tecnológico. Pode ser um aplicativo, uma rede social, um programa ou um aparelho. No meio dessa corrida, temos agências de marketing e seus clientes acompanhando tudo e tentando se manter atualizados em todas as frentes simultaneamente.
Esse é um trabalho cansativo. É por isso que surge uma questão que anda se tornando cada vez mais presente na área: a preocupação excessiva com a inovação ocasionando a falta de atenção para o básico.
Que bom que você está de olho na nova rede social que surgiu, mas como andam as campanhas no Facebook e no Instagram? É ótimo que você esteja tentando contato com aquele novo modelo de marketplace, mas como estão as coisas nos players já consolidados do mercado?
Esses são alguns exemplos que poderiam se estender por muito tempo. O ponto é que toda estratégia requer uma base sólida, mesmo em um campo cheio de novidades como o marketing digital. Não dá para descuidar do que está, de fato, sustentando os negócios.
Às vezes é complicado para agências e clientes separarem esses dois caminhos de ação, o básico e o inovador. Quando você vê uma tendência naquelas listas de fim de ano e pensa “caramba, isso pode dar muito certo”, é bom dar uma investigada. Só não é bom abandonar o barco para ver se o navio vizinho é mais legal.
Profissionais diferentes, ainda que atuem de forma integrada, podem fazer com que tudo aconteça sem problemas. Você precisa ter tripulação o bastante para visitar o barco vizinho e manter o seu seguro, inclusive pronto para qualquer eventual tempestade.
Na prática, isso basicamente significa organização.
Campanhas rodando, redes sociais abastecidas, atendimento adequado, mensuração sendo acompanhada, e as demais técnicas precisam estar nos trinques. Daí, sim, podemos falar de inovação sem tropeçar nos próprios pés.
Luiz Fernando Ruocco é Sócio e Diretor de Operações da agência full digital ROCKY, Coordenador de Mercado no ITI MBA da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) e mentor de negócios na Liga Ventures.
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O protagonismo feminino pede mais espaço

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As marcas estão trocando celebridades por comunidades?

*Vera Kopp
Durante muito tempo, o marketing de influência seguiu uma lógica simples: quanto maior a audiência, maior o investimento. Celebridades e grandes criadores concentravam boa parte dos orçamentos porque entregavam alcance e visibilidade em escala. Essa estratégia continua fazendo sentido para muitos objetivos, mas já não explica sozinha a forma como as marcas estão distribuindo seus investimentos.
A própria Creator Economy vive um momento de expansão e amadurecimento. Segundo estudo do Goldman Sachs, esse mercado deve movimentar cerca de US$ 480 bilhões até 2027, praticamente o dobro do valor estimado em 2023. Ao mesmo tempo, o mercado global de marketing de influência deve alcançar US$ 31,2 bilhões até 2027, impulsionado pela profissionalização do setor e pela busca das marcas por estratégias mais orientadas à performance. Nesse cenário, a principal mudança talvez não seja o crescimento do mercado, mas a forma como a influência passou a ser medida.
Durante anos, o número de seguidores foi o principal critério para escolher um creator. Hoje, ele é apenas um dos indicadores. As marcas passaram a olhar também para a afinidade com o público, qualidade do engajamento e capacidade de gerar conversas relevantes. Em outras palavras, a influência deixou de ser apenas uma questão de alcance e passou a ser uma questão de confiança.
É por isso que micro e nano influenciadores ganharam protagonismo. Um levantamento da HypeAuditor mostra que, em 2025, 60% dos conteúdos patrocinados publicados no Instagram foram produzidos por criadores com menos de 50 mil seguidores, refletindo uma estratégia cada vez mais voltada para comunidades de nicho e públicos altamente segmentados.
Essa tendência faz sentido porque consumidores estão mais atentos à autenticidade das recomendações. A Nielsen mostra, há anos, que recomendações de pessoas consideradas confiáveis seguem entre as formas de publicidade com maior credibilidade para o consumidor. Quando existe identificação entre creator e audiência, a mensagem tende a gerar mais atenção e engajamento do que uma comunicação percebida apenas como publicidade.
Na prática, isso significa que um creator com alguns milhares de seguidores pode gerar resultados mais relevantes do que um perfil muito maior, dependendo do objetivo da campanha. Em segmentos como beleza, alimentação, mobilidade, tecnologia ou finanças, falar diretamente com uma comunidade altamente interessada costuma ser mais eficiente do que alcançar milhões de pessoas sem afinidade com o tema.
Essa é uma mudança que acompanhamos diariamente. Temos observado um crescimento consistente de campanhas que distribuem investimentos entre dezenas ou centenas de criadores, em vez de concentrar toda a estratégia em poucos nomes. O objetivo deixa de ser apenas maximizar o alcance e passa a construir presença em diferentes comunidades.
Isso não significa que as celebridades perderam espaço. Grandes influenciadores continuam sendo fundamentais para campanhas de awareness, lançamentos e construção de marca. O que mudou foi o planejamento. Hoje, é cada vez mais comum combinar creators de diferentes portes dentro da mesma estratégia, aproveitando o papel que cada perfil desempenha na jornada do consumidor. Naturalmente, esse modelo traz novos desafios.
Gerenciar campanhas com centenas de creators exige processos muito mais estruturados do que uma ação com poucos influenciadores. Seleção, contratação, pagamentos, acompanhamento das entregas e mensuração precisam acontecer de forma integrada. Sem tecnologia, escalar esse modelo se torna praticamente inviável.
A mensuração também evoluiu. Curtidas e número de seguidores continuam relevantes, mas já não bastam para avaliar o sucesso de uma campanha. As marcas querem entender a qualidade do engajamento, o impacto na percepção da marca, a geração de conteúdo, a conversão e o retorno sobre o investimento. Essa mudança explica por que a Creator Economy deixou de ser apenas um canal complementar de comunicação para ocupar um espaço estratégico dentro dos planos de marketing.
No fim, não acredito que as marcas estejam trocando celebridades por comunidades. O que estamos vendo é uma evolução natural de um mercado que amadureceu. As empresas perceberam que alcance continua importante, mas que relacionamento, credibilidade e relevância são ativos ainda mais valiosos em um ambiente digital cada vez mais disputado.
A influência do futuro será cada vez menos medida pelo tamanho da audiência e cada vez mais pela capacidade de criar conexões reais entre marcas e pessoas.
*Vera Kopp – CEO e fundadora da inCast Group, holding que reúne as empresas inCast, RainCreators e FunCast, especializadas em marketing de influência, gestão de comunidades e soluções para criadores de conteúdo.








