Alexis Pagliarini
Utopia X Distopia

Todos os dias, temos motivos para ter visões distópicas ou utópicas. Depende do nosso estado de espírito. Basta acessar as primeiras notícias da manhã – eu ainda gosto de ler um jornalzão diariamente (online, mas no formato convencional): os destaques quase sempre são desastres ou notícias de cunho negativo. Dizem que é isso que vende… Mas é só saber procurar e lá estão as notas positivas, aqui e ali.
O presidente americano, Donald Trump foi o elemento distópico deste início de ano, soltando impropério a torto e direito, ameaçando vizinhos, amigos e inimigos e prometendo uma devassa geral da administração pública dos USA, amparado pelo fiel escudeiro Elon Musk. E aí, toda aquela utopia de um mundo melhor, mais justo, mais igualitário, mais respeitoso deu lugar à visão agressiva do “cada um por si” e do olhar para o próprio umbigo, sem empatia ou sensibilidade. Uma avalanche de pedras no caminho do respeito socioambiental e da ética, que vinha ganhando mais adeptos mundo afora. São ciclos que vivenciamos de tempos em tempos.
Na área de Live Marketing, lembro da previsão de que o varejo tradicional seria atropelado pelo e-commerce e que os eventos se tornariam predominantemente virtuais. A pandemia passou e o e-commerce, apesar de crescer bastante, ainda não alcança 10% do total do comércio no Brasil. Já os eventos presenciais voltaram a bombar, deixando as interações virtuais mais para o corriqueiro. É assim: o grande pêndulo da humanidade se projeta firme para um lado, mas se esgarça e volta para outro lado, às vezes antagônico.
No meio disso tudo, uma verdade inquestionável: estamos vivenciando uma crise climática sem precedentes e atitudes negacionistas não prevalecerão. Se, por um lado, os EUA recrudescem, por outro, a Europa fortalece seus princípios e cobra um alinhamento dos seus parceiros. Tanto é que, no final deste ano, entrará em vigor a ação europeia contra o desmatamento, exigindo dos seus parceiros comerciais uma comprovação de que o produto exportado não é proveniente de área desmatada.
Não dá para adotarmos uma atitude de Poliana, de enxergar só lado cor de rosa das coisas, mas também não devemos nos desesperar perante um comportamento errático de alguns governantes. É hora de sermos firmes em nosso propósito e continuarmos a dar passos largos na direção de uma prática ética e respeitosa. Nossos negócios só tendem a ganhar.
Alexis Pagliarini
Capilaridade ESG

Por Alexis Pagliarini
O momento de maior maturidade na aplicação de critérios ESG tem características muito próprias. A primeira delas é o lado mais low profile da aplicação ESG pelas empresas. Já não se faz tanto alarde sobre a atitude de alinhamento às questões socioambientais e de governança ética. Simplesmente aplica-se! Como se fossem variáveis naturalmente inerentes aos processos de desenvolvimento de negócios, produtos e atividades. Isso é bom! Nas minhas palestras e apresentações, sempre destaco que ESG deveria ser algo natural dentro das empresas. É como os negócios deveriam ser conduzidos desde sempre. E isso, felizmente, vem sendo, pouco a pouco, incorporado.
A outra característica é o efeito dominó: ao alcançar um estágio de maior maturidade, a empresa contratante, principalmente as internacionais e as listadas na Bolsa (que passam a ter obrigatoriedade na apresentação de relatórios de responsabilidade socioambiental e transparência neste ano de 2026) começam a exigir aderência aos mesmos princípios de seus fornecedores. Na área de Live Marketing, por exemplo, as agências estão sendo cobradas a apresentar sua política ESG nas suas credenciais, como condição básica para participar de concorrências. O mesmo acontece com os espaços para eventos. Não ter uma política clara pode ainda não impedir negócios, mas há uma tendência firme para que isso venha acontecer em futuro breve.
Esse efeito dominó chega aos prestadores de serviço, às montadoras de eventos e todos aqueles que gravitam em torno do setor de Live Marketing. E a terceira característica é a regionalização do conhecimento e aplicação ESG. Na semana passada, eu fui um dos palestrantes da Semana S, de Cuiabá, falando de ESG aplicado a turismo e eventos. Na Bahia, estamos desenvolvendo programas junto às agências da região. É muito bom perceber que os conceitos, antes restritos às empresas maiores, com base no Sudeste, encontram eco também em outras regiões do Brasil, gerando uma promissora capilaridade. Isso tudo é muito positivo e nos traz a esperança de que a aplicação ESG seja desmistificada e facilitada para todos.
Alexis Pagliarini
Um evento de Inovação, sem perder o foco em Sustentabilidade

Por Alexis Pagliarini
Na semana passada, aconteceu o 11º Congresso de Inovação da Indústria, um grande evento, que ocupou o Golden Hall, do WTC Events Center, em São Paulo, por dois dias. O evento é organizado pela CNI e o SEBRAE, sob iniciativa da MEI – Mobilização Empresarial pela Inovação, tendo a agência Capacità como produtora. Trata-se de um evento bienal, disposto a discutir a inovação da indústria em alto nível. E foi muito bom ver a importância dada à responsabilidade socioambiental e aos procedimentos éticos. Começando pelo tema central do evento: COEXISTIR – ENTRE O ECOLÓGICO E O DIGITAL. Essa discussão sobre as ferramentas digitais – cada vez mais poderosas – e sua relação com os humanos e o meio ambiente tem sido a tônica de eventos de todas as áreas.
O SXSW, recém realizado, foi um dos eventos que trouxeram os valores humanos para a discussão do impacto da inovação, principalmente Inteligência Artificial. Essa preocupação é muito oportuna, já que, em última instância, o que deve valer – sempre – é o bem-estar humano. De nada adianta inovar se não for para melhorar a qualidade de vida. Em se tratando do 11º Congresso de Inovação da Indústria, o evento em si foi objeto de uma preocupação de alinhamento aos critérios ESG. E a minha Criativista ESG4 teve a sorte de ser escolhida para contribuir nesse processo. E como um evento pode se alinhar às melhores práticas ESG? Tudo começa com o estabelecimento de compromissos.
No evento em questão, os compromissos estabelecidos foram:
AMBIENTAIS: Evento planejado para reduzir impactos e promover práticas sustentáveis.
• Zero Plástico: Eliminação de plásticos descartáveis no fornecimento de água aos participantes.
• Prioridade Digital: Redução de materiais impressos, priorizando o digital.
• Cenografia Consciente: uso de materiais reciclados e com destinação social após o evento.
• Carbono Neutro: Compensação das emissões de CO₂.
• Gestão de Resíduos: Implementação de protocolos para tratamento e destinação responsável de todo o material gerado.
SOCIAIS: Ambiente diverso, acolhedor e respeitoso para todos.
• Acessibilidade Plena: Inclusão e suporte a pessoas com deficiência.
• Comunicação Inclusiva: Tradução em Libras nas duas plenárias.
• Legado Social: Doação de materiais cenográficos.
• Cuidado Integral: Seguro de evento garantido para todos os participantes e fornecedores.
GOVERNANÇA: Relações conduzidas com ética, transparência e responsabilidade.
• Ética contratual: Contratações formalizadas.
• Espaços Sustentáveis: Local alinhado a práticas ESG.
• Engajamento Estratégico: Mobilização de patrocinadores, palestrantes e público nas práticas sustentáveis do evento.
• Consultoria Especializada: Suporte técnico para garantir a eficácia das ações ESG.
• Accountability: Transparência total por meio de um Relatório ESG detalhado após o evento. Assumidos os compromissos, todas as etapas de produção do evento devem refletir os pontos de conformidade.
E assim foi. O conteúdo do evento, logicamente, esteve em linha com os temas relacionados aos princípios éticos e de responsabilidade socioambiental. Transição energética e climática, Capital humano, Transição ecológica, Combustíveis sustentáveis, Biodiversidade, Circularidade, Biotecnologia, Integração entre bioeconomia e inovação para uma indústria sustentável, Saúde, Competitividade aliada à Sustentabilidade, entre outros, foram temas presentes nos painéis de alto nível apresentados no evento. Iniciativas como essa trazem esperança num mundo conturbado e instável. E participar ativamente desse processo nos enche de orgulho.
Que organizadores de eventos se espelhem neste exemplo!








