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Por que o ESG sem o G não funciona?

*Jansen Moreira
Nas últimas semanas, o Brasil tem acompanhado as notícias turbulentas sobre o caso da Americanas, que anunciou um “rombo” superior a R$ 40 bilhões em dívidas, o que resultou até mesmo num pedido de recuperação judicial. Mesmo sem saber ainda detalhes sobre como esse fato foi descoberto internamente, já é possível cravar que houve uma falha grave na governança da empresa.
No contexto atual de mercado, a pauta ESG (referente, em inglês, à Governança ambiental, social e corporativa) tem ganhado uma relevância altíssima para as organizações. No entanto, o que temos observado é que a terceira letra ainda não tem recebido a devida atenção de parte do mercado, fator que gera recorrência de casos problemáticos no que diz respeito ao sistema organizacional das companhias.
A definição de Governança Corporativa, segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselhos de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle. Sendo assim, a adoção dessa prática representa uma maior transparência na gestão de uma organização, expondo a integridade ética, a equidade, a responsabilidade administrativa, o senso de justiça e a exatidão na prestação de contas.
Mercado vem se transformando
Diante desse conceito, além do recente caso envolvendo a Americanas, o mercado como um todo parece finalmente ter se dado conta da importância de estruturar uma governança corporativa de forma assertiva. Prova disso, é que existe um claro movimento entre as grandes corporações de revisitar o seu gerenciamento interno por completo, sobretudo na questão financeira, com o objetivo de erradicar possíveis falhas.
Podemos trazer como exemplo o caso de companhias que atuam com remuneração variável. Se esse setor, por si só, já enfrentava o desafio de fazer os cálculos e a distribuição do dinheiro de forma correta, hoje em dia essas companhias precisam ainda apresentar essas operações de forma clara e transparente, contribuindo para que todos os envolvidos se sintam confortáveis de que esse trabalho vem sendo conduzido à prova de erros.
E essa garantia só é possível de se conquistar com o apoio da tecnologia. Somente por meio da automatização do cálculo que as empresas podem assegurar a realização dos pagamentos de forma correta e controlada, diferentemente do que acontece no caso de corporações que permanecem com o cálculo de remuneração manual. Essas ficam sujeitas a erros, necessidade de refação, gastos desnecessários, além de possíveis multas e sanções, afetando em muitos casos também a sua reputação perante o mercado.
Para se ter uma ideia da importância da tecnologia nesse processo, a automatização do processo de cálculos da remuneração variável se tornou um dos requisitos, os chamados SOXs, para todas as empresas listadas nas bolsas de valores dos EUA. Mesmo assim, um estudo da Norwest Venture Partners mostra que 85% das empresas no mundo ainda realizam o seu controle manualmente no Excel, estando suscetíveis a erros e perdas financeiras.
Hora de agir
Se a revisita e aperfeiçoamento da governança corporativa já faz sentido pelos benefícios proporcionados por si só, o cenário atual traz ainda mais senso de urgência. Isso porque, o caso da Americanas trouxe à tona uma lacuna de punibilidade para as corporações que não vem seguindo à risca os padrões de governança corporativa.
Além disso, é esperado que a fiscalização do mercado em torno desses problemas se torne mais frequente e rígida no futuro próximo, passando a exigir que as companhias se atentem a esse fator. Até porque, vale dizer que é responsabilidade da corporação garantir não só que o conceito de responsabilidade corporativa exista internamente, mas também que todos esses princípios estejam sendo aplicados como devem.
O que podemos aprender com toda essa polêmica envolvendo a Americanas é de que o conceito de ESG sem o G não funciona, uma vez que a governança é a base de funcionamento para qualquer empresa. Além de clareza e transparência, ela traz mais rentabilidade e lucro.
*Jansen Moreira – CEO e fundador da Incentive.me
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O novo valor de estar lá

*Rodrigo Villaboim
Em um mundo onde quase tudo pode ser criado por inteligência artificial, viver algo de verdade ganha outro peso.
Tenho pensado bastante sobre o impacto da IA no marketing. E, quanto mais observo o que ela já é capaz de fazer, mais chego a uma conclusão que, à primeira vista, parece contraditória: a inteligência artificial pode tornar o Live Marketing ainda mais importante.
Hoje já conseguimos criar textos, imagens, filmes, músicas e campanhas inteiras em uma velocidade que seria inimaginável poucos anos atrás. A capacidade de produzir, testar e personalizar conteúdo tende a crescer ainda mais.
Em Cannes Lions 2026, a IA esteve, obviamente, no centro das discussões. Mas um dado apresentado pela McKinsey me chamou a atenção: quase 60% dos profissionais de marketing já utilizam IA várias vezes por semana, mas apenas 10% redesenharam de fato seus processos para capturar um impacto relevante no negócio.
Estamos usando muito. Mas ainda estamos aprendendo o que fazer com tudo isso.
A própria McKinsey aponta cinco pilares que devem moldar o futuro do marketing: insights, criatividade, personalização, comércio com agentes de IA e orquestração.
Tudo indica que teremos cada vez mais capacidade de produzir conteúdo em escala. E talvez esse seja justamente o ponto.
O conteúdo está ficando abundante.
O problema dos próximos anos talvez não seja mais produzir. Será conseguir atenção. E, principalmente, conseguir confiança.
Uma pesquisa da Deloitte mostra que 70% das pessoas familiarizadas com IA generativa dizem que conteúdos criados por inteligência artificial tornam mais difícil confiar no que veem online. Além disso, 59% afirmam ter dificuldade para distinguir conteúdos produzidos por humanos daqueles gerados por IA.
É nesse cenário que, para mim, o mundo físico começa a ganhar um valor diferente.
Porque existe uma coisa que continua difícil de sintetizar: estar lá.
Entrar em um estádio. Encontrar alguém. Experimentar um produto. Participar de uma convenção. Cantar junto. Conversar. Se emocionar. Voltar para casa contando para alguém o que aconteceu. São experiências que não dependem apenas do conteúdo que consumimos, mas daquilo que sentimos quando estamos presentes.
A Freeman vem estudando justamente o papel da confiança nas experiências presenciais. Seu Trust Report aponta que, enquanto a confiança em diferentes fontes de informação vem caindo, os eventos ao vivo continuam sendo espaços importantes para construir conexões confiáveis.
E aqui existe um paradoxo interessante. Quanto mais tecnologia tivermos, talvez mais valor tenha aquilo que é genuinamente humano.
Não acredito, porém, que isso seja uma disputa entre inteligência artificial e experiência humana. É justamente o contrário.
A IA pode ajudar o Live Marketing a entender melhor os públicos, personalizar jornadas, produzir conteúdos, eliminar tarefas operacionais e melhorar a capacidade de mensurar resultados. Pode tornar uma experiência mais relevante antes, durante e depois de ela acontecer. O ponto é entender onde a tecnologia deve entrar.
Talvez o melhor uso da IA no Live Marketing não seja fazer com que ela apareça mais. Seja permitir que a experiência apareça mais. Durante muito tempo, discutimos como levar o físico para o digital. Criamos experiências híbridas, transmissões, ativações nas redes sociais e diferentes formas de ampliar o alcance de um evento. Talvez agora também seja hora de pensar no movimento contrário: como usar o digital para aumentar o valor do encontro físico.
Outro dado da Deloitte reforça essa possibilidade: 76% das pessoas que já utilizaram IA generativa em projetos ou tarefas dizem que ela amplifica a criatividade humana.
Eu concordo. A tecnologia pode assumir parte daquilo que é escalável, operacional e repetitivo. E, justamente por isso, podemos dedicar mais energia àquilo que não é tão facilmente automatizado: criar encontros, provocar emoções, gerar pertencimento e construir memórias.
Em um mundo onde uma imagem pode não ser real, uma voz pode não ser real, um vídeo pode não ser real e até uma pessoa pode não ser real, viver alguma coisa de verdade ganha outro peso. Talvez esse seja um dos grandes diferenciais do Live Marketing nos próximos anos. Não competir com a tecnologia. Usá-la para tornar a experiência humana ainda mais relevante. A IA vai transformar profundamente o marketing. E eu quero usá-la cada vez mais.
Mas existe uma frase que talvez fique cada vez mais valiosa para as marcas:
Eu estava lá.
*Rodrigo Villaboim – Sócio-fundador da Agência .be Comunica
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Quanto mais dados temos sobre o cliente, mais precisamos aprender a conhecê-lo









