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Lucas Ferreira de Souza – Como o uso de machine learning pode transformar a comunicação

Lucas Ferreira de Souza
O uso do machine learning para melhorar a performance na comunicação já é uma realidade em muitas empresas e tem influenciado profundamente o processo criativo. A aplicação da Inteligência Artificial para reconhecimento de imagens junto à análise de performance de vendas de um e-commerce, por exemplo, vai transformar completamente a forma como medimos ações de marketing digital e como planejamos o que e como vamos comunicar.
O uso sistemático desse tipo de ferramentas, somada a soluções de construção de textos e linguagem natural (pense no que já usamos para chatbots) vai ser realidade em um futuro muito próximo.
Se na publicidade ainda estamos nos primeiros testes para aplicação de AI para criação de peças de comunicação e textos, no mundo das Artes já existem várias obras geradas totalmente, ou em parte, por algoritmos.
Em 2018 a casa de leilões Christie´s, vendeu por US$432.500,00 o quadro Portrait of Edmond Belamy. A obra é fruto de um modelo de inteligência artificial desenvolvido pelo coletivo francês Obvious e foi feita a partir de uma base de treinamento de 15.000 retratos dos séculos XIV ao XX, usando um modelo chamado “Generative Adversarial Network”.
Padronização x Diferenciação
O que muitos se perguntam é se em um cenário em que as marcas usam ferramentas para o processo de criação, será que não corremos o risco de ver uma padronização ainda maior da comunicação? Como uma empresa vai conseguir transparecer os valores da sua marca usando os mesmos modelos de criação e otimização que seus competidores?
Acredito na hipótese de que as empresas irão investir mais em critérios e linguagem da marca, estruturando de maneira mais sistemática a forma de comunicar, investindo nos atributos importantes e nas diretrizes de comunicação para que isso seja incorporado aos algoritmos de criação das peças de comunicação. Também acredito que vamos ver uma estrutura semelhante ao que o Design System faz para operações de UX – criar os parâmetros e os componentes que depois podem ser recombinados de diversas maneiras.
Não acredito que as ferramentas vão substituir completamente os times de criação, mas consigo imaginar um futuro em que o papel de times criativos seja o de trabalhar junto com os times de data science e automação, estruturando critérios, componentes e restrições, para direcionar o trabalho das ferramentas, fazendo com que o output criativo represente os valores da marca.
O fato é que a criatividade vai ficar na maneira como definimos as regras do algoritmo, para definir os campos simbólicos de atuação da marca com menos foco no output e mais foco nos critérios. Por enquanto, vamos experimentando com várias ferramentas, entre linguagem natural, deep fakes, chatbots e avatars gerados por IA – pois muita coisa vai acontecer ainda.
Sobre o Lucas Ferreira
Com mais de 12 anos de Experiência, trabalhando em grandes empresas e consultorias, Lucas Ferreira de Souza é COO da Math Markting
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O protagonismo feminino pede mais espaço

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As marcas estão trocando celebridades por comunidades?

*Vera Kopp
Durante muito tempo, o marketing de influência seguiu uma lógica simples: quanto maior a audiência, maior o investimento. Celebridades e grandes criadores concentravam boa parte dos orçamentos porque entregavam alcance e visibilidade em escala. Essa estratégia continua fazendo sentido para muitos objetivos, mas já não explica sozinha a forma como as marcas estão distribuindo seus investimentos.
A própria Creator Economy vive um momento de expansão e amadurecimento. Segundo estudo do Goldman Sachs, esse mercado deve movimentar cerca de US$ 480 bilhões até 2027, praticamente o dobro do valor estimado em 2023. Ao mesmo tempo, o mercado global de marketing de influência deve alcançar US$ 31,2 bilhões até 2027, impulsionado pela profissionalização do setor e pela busca das marcas por estratégias mais orientadas à performance. Nesse cenário, a principal mudança talvez não seja o crescimento do mercado, mas a forma como a influência passou a ser medida.
Durante anos, o número de seguidores foi o principal critério para escolher um creator. Hoje, ele é apenas um dos indicadores. As marcas passaram a olhar também para a afinidade com o público, qualidade do engajamento e capacidade de gerar conversas relevantes. Em outras palavras, a influência deixou de ser apenas uma questão de alcance e passou a ser uma questão de confiança.
É por isso que micro e nano influenciadores ganharam protagonismo. Um levantamento da HypeAuditor mostra que, em 2025, 60% dos conteúdos patrocinados publicados no Instagram foram produzidos por criadores com menos de 50 mil seguidores, refletindo uma estratégia cada vez mais voltada para comunidades de nicho e públicos altamente segmentados.
Essa tendência faz sentido porque consumidores estão mais atentos à autenticidade das recomendações. A Nielsen mostra, há anos, que recomendações de pessoas consideradas confiáveis seguem entre as formas de publicidade com maior credibilidade para o consumidor. Quando existe identificação entre creator e audiência, a mensagem tende a gerar mais atenção e engajamento do que uma comunicação percebida apenas como publicidade.
Na prática, isso significa que um creator com alguns milhares de seguidores pode gerar resultados mais relevantes do que um perfil muito maior, dependendo do objetivo da campanha. Em segmentos como beleza, alimentação, mobilidade, tecnologia ou finanças, falar diretamente com uma comunidade altamente interessada costuma ser mais eficiente do que alcançar milhões de pessoas sem afinidade com o tema.
Essa é uma mudança que acompanhamos diariamente. Temos observado um crescimento consistente de campanhas que distribuem investimentos entre dezenas ou centenas de criadores, em vez de concentrar toda a estratégia em poucos nomes. O objetivo deixa de ser apenas maximizar o alcance e passa a construir presença em diferentes comunidades.
Isso não significa que as celebridades perderam espaço. Grandes influenciadores continuam sendo fundamentais para campanhas de awareness, lançamentos e construção de marca. O que mudou foi o planejamento. Hoje, é cada vez mais comum combinar creators de diferentes portes dentro da mesma estratégia, aproveitando o papel que cada perfil desempenha na jornada do consumidor. Naturalmente, esse modelo traz novos desafios.
Gerenciar campanhas com centenas de creators exige processos muito mais estruturados do que uma ação com poucos influenciadores. Seleção, contratação, pagamentos, acompanhamento das entregas e mensuração precisam acontecer de forma integrada. Sem tecnologia, escalar esse modelo se torna praticamente inviável.
A mensuração também evoluiu. Curtidas e número de seguidores continuam relevantes, mas já não bastam para avaliar o sucesso de uma campanha. As marcas querem entender a qualidade do engajamento, o impacto na percepção da marca, a geração de conteúdo, a conversão e o retorno sobre o investimento. Essa mudança explica por que a Creator Economy deixou de ser apenas um canal complementar de comunicação para ocupar um espaço estratégico dentro dos planos de marketing.
No fim, não acredito que as marcas estejam trocando celebridades por comunidades. O que estamos vendo é uma evolução natural de um mercado que amadureceu. As empresas perceberam que alcance continua importante, mas que relacionamento, credibilidade e relevância são ativos ainda mais valiosos em um ambiente digital cada vez mais disputado.
A influência do futuro será cada vez menos medida pelo tamanho da audiência e cada vez mais pela capacidade de criar conexões reais entre marcas e pessoas.
*Vera Kopp – CEO e fundadora da inCast Group, holding que reúne as empresas inCast, RainCreators e FunCast, especializadas em marketing de influência, gestão de comunidades e soluções para criadores de conteúdo.








