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Emoção, autenticidade e personalização: o segredo das ações de brand experience que engajam e inspiram

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*Maíra Holtz

Conhecido mundialmente por suas análises certeiras de tendências e exercícios futuristas em torno das movimentações sociais, o antropologista Brian Solis disse certa vez, em tradução livre: “Bem-vindos a uma nova era de marketing e serviço, onde sua marca é definida por quem a experimenta”. Guardadas as devidas proporções das frases feitas para criar impacto na mídia, temos, de fato, um conceito bastante apropriado aos dias de hoje. Nunca o branding experience foi tão valorizado e proporcionou tantos resultados para as empresas como nos tempos atuais. 

Criar memórias incríveis, proporcionar bons momentos e estabelecer uma conexão verdadeira com o consumidor é uma estratégia de marketing que gera benefícios reais e impacta diretamente nas vendas. Como resultado, surgem campanhas verdadeiramente inspiradoras, apoiadas em três pilares essenciais: emoção, autenticidade e personalização.

Autenticidade nas festas de São João

Estudos apontam que, para 86% dos consumidores, é importante que as marcas sejam autênticas em seus propósitos e suas interações. Durante as tradicionais festas de São João, por exemplo, depois de dois anos de pandemia e isolamento social, as empresas se empenharam em levar ao público ações de branding experience diferenciadas, com marcas que, de fato, somavam e se encaixavam com perfeição naquele contexto. Ou seja, eram autênticas em sua pertinência em uma das maiores celebrações dos brasileiros.

Em Campina Grande e Caruaru, a Buser levou um pouco da alegria junina para seus principais pontos de embarque, fazendo com que os moradores e visitantes entrassem no clima antes mesmo de pegar o transporte e chegar nas festas. Além de curtir um show de um trio de forró nordestino, o público pôde tirar fotos em um phottop, que possibilitava captar imagens “instagramáveis” e inserir hashtags de pertencimento. Também receberam brindes como cordões e canecas, que colaboraram para coibir o uso de garrafas de vidro, fechando assim a mensagem de diversão com segurança.

Outra marca que marcou presença de forma plena nas duas cidades foi a Margarina Deline, da BRF. Juntando música, degustação e mimos concorridos, agitou a população com seu Truck Deline itinerante, um caminhão todo personalizado que passeou por rodoviárias, pontos de venda e pelo evento fechado Soul João. Para complementar, serviu comidinhas típicas da época elaboradas com o produto, conquistando o coração – e o estômago! – do consumidor, com todo o acolhimento da culinária afetiva.

Já a Natura pegou carona no desejo de seu público-alvo mais jovem de estar bem-produzido, bonito e, claro, cheiroso para a festa de São João de Campina Grande. Foi o mote para uma ativação especial das marcas Humor e Tododia. Para a fragrância oficial do evento, a Natura Humor Liberta, a experiência oferecida permitia ao folião literalmente “entrar” na embalagem do perfume, em uma brincadeira realizada no Photo Opportunity, que liberava também o aroma para quem quisesse experimentar. As imagens postadas nas redes sociais com a hashtag #HumoLibertaSJ eram transmitidas no telão nos intervalos dos shows. Em outra frente, as versões das fragrâncias Cereja e Avelã e Ameixa e Flor de Baunilha Natura Tododia chegaram às mãos do público, com a distribuição de 120 mil bisnagas e cupons de desconto. Ocasião sem igual para criar memórias olfativas!

*Maíra Holtz – Sócia-diretora da Estalo, agência de marketing 360º

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O marketing que lucra com a confusão do consumidor tem prazo de validade

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*Valter Roldão

Existe um tipo de negócio que só funciona se o cliente não entender direito o que está comprando. Não estou falando de fraude, estou falando de modelo. Categorias inteiras de consumo, no varejo brasileiro e fora dele, foram construídas sobre uma engenharia deliberada de confusão.

O preço de verdade que ninguém revela, de modo que o cliente paga não o valor real, mas o resultado de quanto conseguiu insistir na negociação. A letra miúda que reserva a exceção que interessa. O jargão técnico que existe menos para informar e mais para impedir a comparação. Funciona porque, historicamente, decifrar custava mais caro do que simplesmente confiar.

Esse modelo tem prazo de validade, e o prazo está vencendo mais rápido do que a maioria das marcas percebe.

O consumidor de hoje tem em mãos ferramentas de comparação que não existiam há uma década: preço histórico rastreável, avaliação de terceiros, comunidade disposta a expor publicamente quem exagerou na promessa. E ele usa essas ferramentas. Pesquisa do Reclame AQUI com 2,3 mil consumidores, divulgada em 2025, mostra que 81,54% leem avaliações antes de comprar e 95,44% consideram a autenticidade e a transparência da marca importantes na decisão de compra.

A opacidade que antes era vantagem competitiva virou risco reputacional. Uma letra miúda descoberta em vídeo viraliza mais rápido do que qualquer campanha paga consegue compensar. A assimetria de informação, matéria-prima desse tipo de negócio, está sendo corroída estruturalmente, não por regulação, mas pelo próprio comportamento do consumidor.

E é aqui que a clareza deixa de ser escolha de posicionamento e vira decisão competitiva fria. A marca que explica, que assume o papel de tradutora da categoria, não está fazendo caridade: está pegando para si a decisão de compra de todo mundo que está cansado de tentar decifrar sozinho. Quem explica primeiro, explica melhor, e captura a confiança antes de o concorrente sequer tentar.

O aprendizado de quem chega para vender clareza

Aprendi isso na prática quando chegamos ao Brasil. A expectativa inicial era de que o desafio estivesse no produto. Não estava. A barreira real estava no repertório do consumidor sobre o que, afinal, define qualidade na categoria.

Perguntas básicas como por que um colchão custa o que custa e o que muda de uma densidade para outra não tinham resposta clara disponível em lugar nenhum. A categoria inteira comunicava por comparação de preço e por promessas vagas de conforto, nunca por explicação.

Adaptar a comunicação, e não o produto, foi o que rendeu resultado. E aqui está o custo real dessa escolha: prometer longos prazos de garantia ou preço estável, sem encenação de desconto, só é sustentável para quem não tem nada a esconder. São compromissos caros justamente porque exigem coerência. Não dá para prometer transparência e, ao mesmo tempo, recorrer à falsa urgência da promoção que “acaba hoje” e reaparece idêntica amanhã. Ou a marca é clara o tempo todo, ou não é clara em momento nenhum.

Para onde isso caminha

O que vejo à frente é o preço de verdade e a especificação técnica virando o novo campo de disputa, não o desconto encenado. O sinal já aparece nas pesquisas: o estudo Tendências de Consumidores 2025-2026, da GS1 Brasil, aponta que mais de 70% dos consumidores dizem que informações claras e confiáveis aumentam a confiança na marca, e que a checagem antes da compra virou hábito, com o site do fabricante consultado por 56% deles.

Categorias que ainda vendem pela confusão vão descobrir, uma a uma, que o consumidor parou de tolerar o ruído e passou a comparar pelo que é verificável: o que o produto entrega e pelo que ele custa, de fato. O mercado vai se dividir entre quem já sabia falar de especificação real e quem está aprendendo às pressas, sob holofote e sem tempo de errar.

*Valter Roldão – CEO da Luuna no Brasil

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Do backstage ao legado: a aposta na descarbonização de eventos como estratégia de marca

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*Leandra Peres

Inicialmente, a sustentabilidade em grandes eventos é associada à gestão de resíduos, à redução de plásticos descartáveis e à compensação das emissões geradas no local da realização. Mas um novo movimento começa a ganhar força no setor de entretenimento: a ampliação do conceito de responsabilidade ambiental para toda a jornada do público. A iniciativa, que tem raízes em discussões promovidas por especialistas em produção ecoconsciente de eventos ao longo dos últimos anos,
inclusive na COP30, ganha agora escala inédita com a parceria entre o Rock in Rio Brasil
2026 e a AXIA Energia.
O acordo anunciado para a edição de 2026 do festival pretende neutralizar também as emissões associadas ao deslocamento de todos os participantes, desde a saída de casa até o retorno. Trata-se de uma mudança de paradigma. O Rock in Rio é pioneiro na realização de eventos tendo sustentabilidade como um dos seus pilares. Desde 2006, o festival compensa integralmente as emissões de carbono. Iniciativa que ajudou a consolidar a discussão sobre sustentabilidade na indústria do entretenimento. Agora, o desafio é maior: estimativas feitas pela Rock World apontam para a compensação de cerca de 50 mil toneladas de CO2, durante os sete dias de evento neste ano.
Maior empresa de geração renovável do Hemisfério Sul, a companhia busca posicionar seus ativos ambientais como soluções integradas para organizações que desejam reduzir ou neutralizar sua pegada de carbono. Assim, a empresa passa a oferecer um pacote de descarbonização que combina créditos de carbono e certificação de energia renovável.
Na operação montada, a AXIA utilizará créditos de carbono provenientes de seus próprios ativos de geração renovável, emitirá cerca de 4 mil certificados de energia renovável (RECFY) e doará 15 mil mudas e mais de 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras. A empresa estima que a iniciativa tenha potencial para capturar até 428 mil toneladas de carbono da atmosfera ao longo do ciclo de desenvolvimento das árvores, além de contribuir para o reflorestamento de aproximadamente 900 hectares.
A lógica por trás da estratégia procura transformar atributos ambientais em produtos capazes de atender a uma demanda crescente de empresas e organizações preocupadas em cumprir metas climáticas mais rigorosas. Nesse contexto, grandes eventos surgem como uma oportunidade de alto impacto e visibilidade.

Classificação: Pública

Incorporar o deslocamento do público no cálculo das emissões amplia os limites da compensação ambiental e cria um exemplo que pode servir de referência para festivais, shows e eventos esportivos no Brasil e no exterior.
Ao mesmo tempo, para a AXIA, o evento tem outro papel determinante: expandir o conceito de energia. Além de ser o que move cidades e indústrias, é também o que aproxima as pessoas e inspira conexões entre elas no dia-a-dia.

*Leandra Peres – Diretora de comunicação e marketing institucional da AXIA Energia

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