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A contramão do consumo compulsivo de conteúdo na internet

*Isabela Soller
Muito se fala sobre o quanto a internet contribuiu para difusão de informação, e o quanto tornou tudo mais ágil e prático. Tudo isso é inegável. Porém, boa parte do conteúdo que consumimos na internet é fruto de um processo vasto que envolve concepção criativa, planejamento e direcionamento estratégico, produção e aprimoramento. Ou seja, tem consigo intrinsecamente o elemento, a interferência humana.
Mesmo com novas ferramentas tecnológicas como a IA – que pode auxiliar em etapas desse processo -, ainda assim para ter uma real interação com a audiência e personalização, o toque humano é imprescindível, e o processo de logística e produção ainda assim não é tão simples.
Por mais eficiente que se seja, leva-se tempo para o produto audiovisual final ser posto em uma prateleira. Prateleira essa em que é esvaziada instantaneamente.
E todo ciclo reinicia.
Em um mundo tão rápido no consumo, o tempo é o maior inimigo dos criadores de conteúdo, porque perder tempo costuma significar perder espaço, números, influência e oportunidades. Isso costuma desenvolver uma ansiedade absurda. O creator parte do princípio que seu objetivo é atender a demanda do mercado no momento em que o mercado exige. Ou seja, algo rápido demais para a maioria dos casos. E a saída mais comum que víamos era baixar a qualidade e ganhar o precioso tempo. Mesmo assim, as consequências se tornaram visíveis: creators exaustos que posteriormente foram inundados por sentimentos de frustração ou angústia por se sentirem insuficientes e que, por fim, perdem o contato/vínculo tão precioso com a audiência, por até cederem a mera reprodução de conteúdo para tapar buraco.
Então chegamos à questão crucial. Como dilatar o tempo em um mundo tão instantâneo?
A resposta é simples: não é possível. O comportamento de consumo é um efeito em massa, que vai se tornando exponencial. Ir contra o fluxo e se conectar realmente com a base de seguidores com conteúdos realmente relevantes e bem trabalhados mostra a humanização dessa relação virtual. Ou seja, uma reversão do padrão atual.
Nunca falamos tanto em slow content, que justamente é um movimento por conteúdos autênticos, de qualidade e com propósito, o que reflete diretamente na forma de consumo. Ao respeitar o tempo e direcionar o foco à criação de acordo com esses parâmetros pode-se aprofundar verdadeiramente as relações com a audiência, com as marcas, desenvolver uma satisfação pessoal/profissional em cada entrega e, por fim, gerar o sentimento de plenitude e realização.
Mas tudo isso exige uma reeducação do creator/influenciador para ter depois um reflexo do mercado, sobre como o conteúdo é consumido e o que esperar dele.
A assessoria de carreira é uma grande ferramenta para ajudar no direcionamento estratégico da personalidade para chegar em um ponto de conforto na produção de conteúdo.
Você já pensou em quão rápido você consome o conteúdo de quem acompanha e se sua velocidade de consumo é benéfica?
*Isabela Soller – Especialista em marketing de influência e CEO do Grupo Soller
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O marketing que lucra com a confusão do consumidor tem prazo de validade

*Valter Roldão
Existe um tipo de negócio que só funciona se o cliente não entender direito o que está comprando. Não estou falando de fraude, estou falando de modelo. Categorias inteiras de consumo, no varejo brasileiro e fora dele, foram construídas sobre uma engenharia deliberada de confusão.
O preço de verdade que ninguém revela, de modo que o cliente paga não o valor real, mas o resultado de quanto conseguiu insistir na negociação. A letra miúda que reserva a exceção que interessa. O jargão técnico que existe menos para informar e mais para impedir a comparação. Funciona porque, historicamente, decifrar custava mais caro do que simplesmente confiar.
Esse modelo tem prazo de validade, e o prazo está vencendo mais rápido do que a maioria das marcas percebe.
O consumidor de hoje tem em mãos ferramentas de comparação que não existiam há uma década: preço histórico rastreável, avaliação de terceiros, comunidade disposta a expor publicamente quem exagerou na promessa. E ele usa essas ferramentas. Pesquisa do Reclame AQUI com 2,3 mil consumidores, divulgada em 2025, mostra que 81,54% leem avaliações antes de comprar e 95,44% consideram a autenticidade e a transparência da marca importantes na decisão de compra.
A opacidade que antes era vantagem competitiva virou risco reputacional. Uma letra miúda descoberta em vídeo viraliza mais rápido do que qualquer campanha paga consegue compensar. A assimetria de informação, matéria-prima desse tipo de negócio, está sendo corroída estruturalmente, não por regulação, mas pelo próprio comportamento do consumidor.
E é aqui que a clareza deixa de ser escolha de posicionamento e vira decisão competitiva fria. A marca que explica, que assume o papel de tradutora da categoria, não está fazendo caridade: está pegando para si a decisão de compra de todo mundo que está cansado de tentar decifrar sozinho. Quem explica primeiro, explica melhor, e captura a confiança antes de o concorrente sequer tentar.
O aprendizado de quem chega para vender clareza
Aprendi isso na prática quando chegamos ao Brasil. A expectativa inicial era de que o desafio estivesse no produto. Não estava. A barreira real estava no repertório do consumidor sobre o que, afinal, define qualidade na categoria.
Perguntas básicas como por que um colchão custa o que custa e o que muda de uma densidade para outra não tinham resposta clara disponível em lugar nenhum. A categoria inteira comunicava por comparação de preço e por promessas vagas de conforto, nunca por explicação.
Adaptar a comunicação, e não o produto, foi o que rendeu resultado. E aqui está o custo real dessa escolha: prometer longos prazos de garantia ou preço estável, sem encenação de desconto, só é sustentável para quem não tem nada a esconder. São compromissos caros justamente porque exigem coerência. Não dá para prometer transparência e, ao mesmo tempo, recorrer à falsa urgência da promoção que “acaba hoje” e reaparece idêntica amanhã. Ou a marca é clara o tempo todo, ou não é clara em momento nenhum.
Para onde isso caminha
O que vejo à frente é o preço de verdade e a especificação técnica virando o novo campo de disputa, não o desconto encenado. O sinal já aparece nas pesquisas: o estudo Tendências de Consumidores 2025-2026, da GS1 Brasil, aponta que mais de 70% dos consumidores dizem que informações claras e confiáveis aumentam a confiança na marca, e que a checagem antes da compra virou hábito, com o site do fabricante consultado por 56% deles.
Categorias que ainda vendem pela confusão vão descobrir, uma a uma, que o consumidor parou de tolerar o ruído e passou a comparar pelo que é verificável: o que o produto entrega e pelo que ele custa, de fato. O mercado vai se dividir entre quem já sabia falar de especificação real e quem está aprendendo às pressas, sob holofote e sem tempo de errar.
*Valter Roldão – CEO da Luuna no Brasil
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Do backstage ao legado: a aposta na descarbonização de eventos como estratégia de marca

*Leandra Peres
Inicialmente, a sustentabilidade em grandes eventos é associada à gestão de resíduos, à redução de plásticos descartáveis e à compensação das emissões geradas no local da realização. Mas um novo movimento começa a ganhar força no setor de entretenimento: a ampliação do conceito de responsabilidade ambiental para toda a jornada do público. A iniciativa, que tem raízes em discussões promovidas por especialistas em produção ecoconsciente de eventos ao longo dos últimos anos,
inclusive na COP30, ganha agora escala inédita com a parceria entre o Rock in Rio Brasil
2026 e a AXIA Energia.
O acordo anunciado para a edição de 2026 do festival pretende neutralizar também as emissões associadas ao deslocamento de todos os participantes, desde a saída de casa até o retorno. Trata-se de uma mudança de paradigma. O Rock in Rio é pioneiro na realização de eventos tendo sustentabilidade como um dos seus pilares. Desde 2006, o festival compensa integralmente as emissões de carbono. Iniciativa que ajudou a consolidar a discussão sobre sustentabilidade na indústria do entretenimento. Agora, o desafio é maior: estimativas feitas pela Rock World apontam para a compensação de cerca de 50 mil toneladas de CO2, durante os sete dias de evento neste ano.
Maior empresa de geração renovável do Hemisfério Sul, a companhia busca posicionar seus ativos ambientais como soluções integradas para organizações que desejam reduzir ou neutralizar sua pegada de carbono. Assim, a empresa passa a oferecer um pacote de descarbonização que combina créditos de carbono e certificação de energia renovável.
Na operação montada, a AXIA utilizará créditos de carbono provenientes de seus próprios ativos de geração renovável, emitirá cerca de 4 mil certificados de energia renovável (RECFY) e doará 15 mil mudas e mais de 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras. A empresa estima que a iniciativa tenha potencial para capturar até 428 mil toneladas de carbono da atmosfera ao longo do ciclo de desenvolvimento das árvores, além de contribuir para o reflorestamento de aproximadamente 900 hectares.
A lógica por trás da estratégia procura transformar atributos ambientais em produtos capazes de atender a uma demanda crescente de empresas e organizações preocupadas em cumprir metas climáticas mais rigorosas. Nesse contexto, grandes eventos surgem como uma oportunidade de alto impacto e visibilidade.
Classificação: Pública
Incorporar o deslocamento do público no cálculo das emissões amplia os limites da compensação ambiental e cria um exemplo que pode servir de referência para festivais, shows e eventos esportivos no Brasil e no exterior.
Ao mesmo tempo, para a AXIA, o evento tem outro papel determinante: expandir o conceito de energia. Além de ser o que move cidades e indústrias, é também o que aproxima as pessoas e inspira conexões entre elas no dia-a-dia.
*Leandra Peres – Diretora de comunicação e marketing institucional da AXIA Energia








