Artigos
Como aproveitar as trends das redes sociais para alavancar os negócios em barbearias

*Por Anderson Galdino de Lima
Nos últimos anos, o mercado de beleza masculina vem crescendo exponencialmente, com barbearias se tornando um verdadeiro fenômeno no cenário urbano. Esses espaços deixaram de ser meros pontos de corte de cabelo e barba para se tornarem lugares de promoção de experiências de cuidado e bem-estar. Nesse contexto, o marketing digital tem desempenhado um papel fundamental na forma como essas barbearias se comunicam com seu público-alvo.
Elas surgiram como um canal essencial para promover esses estabelecimentos, tornando-se verdadeiros propulsores de tendências (ou “trends”) que podem ser exploradas para alavancar os negócios.
Nesses 20 anos de atuação como cabeleireiro e 15 anos como instrutor, vivenciei uma transformação significativa nesse mercado. Se antes a propaganda boca a boca era o principal meio de divulgação, hoje Instagram, TikTok e YouTube, são fundamentais para construir uma marca forte e atraente. O marketing nas barbearias evoluiu para algo mais estratégico, focando em criar uma identidade visual e um estilo de comunicação que reflitam as necessidades e os desejos do homem moderno.
Assim, além de entender de corte de cabelo, tratamento de barba, design de barba e coloração entre outras opções de serviços, o barbeiro precisa estar pronto para gerar uma experiência única, transformando o seu espaço em um local onde o cliente se sinta acolhido e possa relaxar enquanto cuida da aparência. O marketing, então, passou a ter um papel central na criação dessa experiência, utilizando estratégias como a produção de conteúdo relevante, branding autêntico e, claro, o aproveitamento das trends para viralizar.
Com o aumento do uso das redes sociais, as barbearias encontram nessas plataformas uma oportunidade de ouro para expandir sua presença e alcançar um público cada vez maior. Ao acompanhar as trends — seja no formato de vídeos curtos, desafios virais ou novos estilos de cortes e cuidados — os profissionais conseguem se conectar de maneira mais próxima com o público, engajar novos clientes e criar uma comunidade ao redor da marca.
Desse modo, aproveitar as trends das redes sociais pode ser uma estratégia eficiente para transformar uma barbearia em um negócio bem-sucedido e badalado. Veja 5 dicas práticas que podem ajudar no sucesso das barbearias:
- Identifique as principais trends de cuidado masculino
É importante estar atento às tendências que circulam nas redes sociais relacionadas ao mundo da beleza masculina. Isso inclui novos cortes de cabelo, estilos de barba e até mesmo cuidados com a pele e produtos. Por exemplo, se um estilo específico de corte de cabelo se torna viral no TikTok, sua barbearia pode criar conteúdo mostrando como esse corte é feito, além de oferecer esse serviço de forma destacada.
- Produza conteúdo relevante e de qualidade
O conteúdo é a alma do marketing nas redes sociais. Por isso, criar vídeos, fotos e posts que ofereçam dicas e orientações práticas para os homens pode fazer uma enorme diferença. Inclua tutoriais de como manter a barba em casa, dicas de produtos para cuidar do cabelo, ou até mesmo orientações sobre como escolher o melhor estilo de corte para cada tipo de rosto.
- Use vídeos curtos e dinâmicos
Plataformas como Instagram Reels, TikTok e até mesmo YouTube Shorts têm priorizado vídeos curtos e dinâmicos. Estes são o formato ideal para capturar a atenção dos usuários em poucos segundos.
- Incentive o engajamento com o público
As redes sociais são, acima de tudo, plataformas de interação. Responder a comentários, fazer enquetes e até mesmo usar “challenges” que envolvam os seguidores é uma ótima forma de criar uma comunidade engajada ao redor da barbearia.
- Aposte em parcerias com influenciadores
O marketing de influência é uma das estratégias mais eficazes nas redes sociais. No mercado de beleza masculina, muitos influenciadores e blogueiros já se especializam em cuidados pessoais para o homem moderno. Fazer parcerias com esses influenciadores pode ser uma maneira eficiente de alcançar um novo público e fortalecer a credibilidade da barbearia.
Além de seguir as trends, produzir conteúdo com dicas de cuidados pessoais para os homens pode ser um grande diferencial para a barbearia. Homens estão cada vez mais interessados em aprender sobre cuidados com o cabelo, a pele, a barba e até mesmo o bem-estar físico e mental. Portanto, ao criar conteúdos que ensinem e eduquem sobre esses temas, sua barbearia estará se destacando da concorrência.
Ao transformar a barbearia em uma referência no cuidado masculino, não apenas no ambiente físico, mas também digital, pode significar a consolidação do espaço como um ponto de encontro e referência para homens que buscam estar sempre bem cuidados e por dentro das tendências.
Por isso, é possível assegurar que a chave para o sucesso está em estar sempre atento às novidades, produzir conteúdo autêntico e relevante, e interagir de forma ativa com a comunidade. Ao seguir essas estratégias, sua barbearia pode se transformar em um ponto de encontro badalado e desejado por homens que buscam não só cuidar da aparência, mas também vivenciar uma experiência de bem-estar e estilo.
*Anderson Galdino de Lima é um empreendedor no segmento da beleza masculina, instrutor e barbeiro profissional que vem ministrando cursos de capacitação para barbeiros desde 2008. Com uma vasta experiência na área, se tornou referência no mercado da barbearia com participações em eventos, feiras do setor e em especializações no Brasil e na América Latina. Além disso, é reconhecido com medalha de ouro pelo Conselho Nacional dos Profissionais de Beleza pelo trabalho, dedicação e empenho junto ao mercado da beleza.
Artigos
Centro de São Paulo vivo é o Centro para todos

*Fábio Redondo
O Centro de São Paulo vive, mais uma vez, um momento decisivo. Entre a preservação e a necessidade de projetar seu futuro, somos chamados a fazer escolhas estratégicas que não podem ser guiadas por visões isoladas ou por interesses fragmentados. A verdadeira personalidade do Centro é sua capacidade de equilibrar vocações, ou seja, ser, simultaneamente, espaço de moradia, de trabalho, de cultura, de lazer e de turismo.
Essa equação exige uma visão integrada. Assim, iniciativas recentes apontam caminhos promissores. O projeto conhecido como “Times Square Paulistana”, oficialmente Boulevard São João, propõe a instalação de grandes painéis de LED ao longo da avenida, combinada com ações de zeladoria, restauro e qualificação do espaço público. Trata-se de uma intervenção estruturada, com investimento privado relevante e contrapartidas urbanas claras, incluindo recuperação de patrimônio e melhorias na mobilidade e na experiência do pedestre.
Importante destacar aqui que o projeto não propõe qualquer alteração na legislação vigente: a Lei Cidade Limpa. Pelo contrário, ele se apoia em instrumentos já previstos na própria regulamentação urbanística para promover a requalificação da região.
Então, importante salientar que não se trata de criar exceções ou flexibilizações fora do sistema, mas de aplicar dispositivos legais que já existem como um mecanismo para permitir que determinadas regiões possam receber incentivos ou tratamentos específicos, desde que isso gere contrapartidas positivas.
Além disso, estamos falando de um Termo de Cooperação Temporário de ação específica de interesse coletivo, por um período determinado e com regras claras de execução e contrapartida que cria condições para o financiamento do restauro de bens tombados localizados no circuito do projeto.
Trata-se de uma solução inteligente de financiamento urbano, que ativa recursos sem onerar diretamente o poder público, ao mesmo tempo em que assegura a preservação da memória arquitetônica e cultural da cidade.
Mais do que tecnologia ou estética, o projeto traz um conceito contemporâneo de cidade como espaços que comunicam, que atraem, que convidam à permanência. Não por acaso, iniciativas semelhantes ao redor do mundo consolidaram áreas antes degradadas como polos vibrantes de cultura e turismo. Ao prever conteúdos majoritariamente voltados ao interesse público e à valorização cultural, o Boulevard São João sinaliza que é possível, sim, inovar sem abrir mão da identidade.
Da mesma forma, o debate sobre a retirada da cobertura da Praça do Patriarca criada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, o famoso “chapelão”, revela uma reflexão necessária sobre o uso dos espaços públicos. A praça, um dos marcos históricos do Centro, foi concebida como espaço de circulação, convivência e fruição urbana. No entanto, a intervenção, ainda que bem-intencionada, hoje, gera efeitos colaterais indesejados, como a descaracterização do uso original e a redução da vitalidade do espaço.
É preciso ter coragem para revisitar decisões e readequar o desenho urbano à realidade contemporânea. Espaços excessivamente “protegidos”, mas esvaziados de vida, tornam-se vulneráveis. Um centro impecável, porém, sem pessoas, sem atividade e sem diversidade de usos, abre margem para dinâmicas de ocupação que reforçam a sensação de insegurança e afastam exatamente aqueles que deveriam estar ali: cidadãos, visitantes e empreendedores.
A experiência urbana nos ensina uma lição que lugares vivos são lugares seguros. E lugares seguros são aqueles que conseguem atrair e manter diferentes públicos ao longo do dia… e da noite.
Ambas as iniciativas, cada uma à sua maneira, caminham na direção correta ao estimular a reocupação qualificada do espaço público, a valorização do patrimônio e a ativação econômica do território.
O Centro não pode ser tratado como um cenário congelado no tempo. Ele precisa ser compreendido como um organismo vivo, em constante transformação. Preservar não é impedir mudanças, é garantir que elas aconteçam com inteligência, equilíbrio e respeito à sua essência.
O futuro do Centro de São Paulo depende da nossa capacidade de construir consensos numa região que acolhe moradores, encanta visitantes e viabiliza negócios. Isso não significa ser apenas mais dinâmica, mas, sim, ser mais justa, mais segura e mais sustentável.
Em outras palavras, um centro com alma. E é essa alma que precisamos, juntos, proteger e impulsionar.
*Fábio Redondo – Vice-presidente da Associação Pró-Centro
Artigos
Lollapalooza dá acesso a dois lineups. Um deles, as marcas construíram

*Fabrício Macias
Em um ambiente como o Lollapalooza Brasil 2026, o público tem alta propensão a compartilhar experiências, mas quase nenhuma tolerância a mensagens publicitárias convencionais. Para ter sucesso, uma ativação precisa ser pensada de trás para frente: projeta-se primeiro o comportamento esperado nas redes e, a partir daí, desenha-se a experiência presencial. O resultado prático dessa lógica já dominou o TikTok e o Instagram. Creators publicam guias sobre estandes, estratégias para ganhar brindes e disputas por espaço com o mesmo nível de detalhamento que antes dedicavam apenas às análises das apresentações dos artistas, os setlists. Ficou claro que as pessoas chegam ao festival com dois roteiros de atrações bem definidos em mente.
Isso não aconteceu por acidente. O festival sempre concentrou um público que chega com estado emocional elevado, dispositivo na mão e intenção declarada de registrar o que está vivendo. A diferença é que as marcas aprenderam a usar essa dinâmica com mais assertividade. Quando uma ativação é desenhada para esse contexto, ela não disputa atenção com o palco. Ela ocupa um território onde o público está ativamente procurando por experiências que mereçam publicação.
O post “consegui o brinde da marca X” funciona porque não parece publicidade. Ele circula como relato de quem estava lá, sobre algo que outras pessoas podem tentar reproduzir no próximo dia de evento. Esse formato carrega uma credibilidade que o conteúdo patrocinado dificilmente reproduz, porque o mecanismo de persuasão não é a mensagem da marca, é o relato de alguém em quem o seguidor já confia. Anunciantes que entenderam isso pararam de medir presença em festival por exposição de logo e começaram a projetar qual tipo de conteúdo o público vai gerar e como esse conteúdo vai circular depois que o evento acabar.
Parte desse deslocamento vem do fato de que as marcas presentes no Lollapalooza não chegam com ativações genéricas. Elas mapeiam padrões de comportamento e tendências de consumo do público do festival antes de definir o formato da experiência. Alguns dos recortes presentes nas ativações de marca dos patrocinadores deste ano envolvem autocuidado e bem-estar, nostalgia dos anos 90 e 2000 e inteligência artificial como ferramenta cotidiana, fatores que coexistem na rotina do público mesmo fora do festival. A ativação que parte desse mapeamento tem mais chance de produzir identificação imediata, e esse é o ponto que antecede o registro e o compartilhamento.
O resultado prático é que a ativação virou atração com agenda própria. O público planeja o percurso dentro do festival considerando quais estandes quer visitar, quanto tempo precisa reservar para cada experiência e o que precisa fazer para garantir o brinde. Esse nível de planejamento, aplicado a uma marca, seria impensável em qualquer outro ambiente de comunicação. O festival cria as condições para isso porque comprime, em um único espaço físico e por um período limitado, todos os elementos que tornam a experiência de marca relevante o suficiente para virar conteúdo.
A lógica que une essas iniciativas é o Live Marketing operando como gerador de conteúdo orgânico em escala. Eventos de grande porte concentram um público com alta propensão ao compartilhamento e baixa tolerância a mensagens publicitárias convencionais. Uma ativação desenhada para esse ambiente precisa oferecer algo que o público queira publicar por conta própria, o que exige um planejamento que parte do comportamento esperado nas redes e trabalha de trás para frente até chegar ao formato da experiência presencial.
O festival terminou no domingo. O conteúdo gerado pelo público durante e depois do evento determina se a presença da marca se encerrou junto com a programação ou continuou circulando por semanas. Planejar a ativação sem projetar esse comportamento é tratar o Live Marketing como logística de evento, e a diferença entre os dois está nos resultados que aparecem, ou não, nos relatórios das semanas seguintes.
*Fabrício Macias – Cofundador e VP de marketing da Macfor, agência de marketing full service








