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Ricardo Amorim

Trump: make Brazil great again

Publicado

em

O segundo mandato de Donald Trump começou como um terremoto político,
que está causando vários tsunamis econômicos. Neste início de mandato,
vimos confrontos internos e externos com potencial de redesenhar não só a
economia americana, mas toda a ordem geopolítica global. Elon Musk virou
símbolo dessa nova era, ao liderar, por apenas alguns meses, o “Departamento
de Eficiência Governamental”, fechando agências inteiras com uma
“motosserra” metafórica.

Na campanha eleitoral, Trump prometeu elevar substancialmente as tarifas de
importação para proteger a economia. Inicialmente, cumpriu a promessa, mas
voltou atrás diversas vezes, após uma reação muito negativa dos mercados
financeiros americanos, preocupados com grandes impactos inflacionários que
as tarifas teriam.

Prometeu também zerar a dívida pública americana, Até agora, o efeito foi
inverso, apesar dos esforços de Musk em cortar substancialmente os gastos
públicos. Os impactos negativos das medidas de Trump sobre o crescimento
econômico americano reduziram o crescimento das receitas, enquanto os
gastos públicos com programas de governo e juros da dívida público continuam
batendo recordes, fazendo a dívida pública americana crescer mais do que
nunca, com exceção do período da pandemia, no primeiro mandato do próprio
Trump. Ele disse também que acabaria com a guerra entre Rússia e Ucrânia
em um dia. Ainda não conseguiu, mas inegavelmente está reorganizando toda
a geopolítica global.

A política de alianças com parceiros militares liderados pelos EUA, foi
substituída por um “cada um por si”. Em resposta, países europeus, liderados
pela Alemanha, anunciaram, para os próximos 10 anos, os maiores aumentos
dos gastos militares da História. Isso vai gerar mais crescimento econômico,
fragilizar as contas públicas e elevar a inflação na Europa, nos próximos anos.
A relação mais conflituosa com a Europa, tanto no aspecto militar – incluindo
declarações de que os EUA querem ficar com a Groenlândia, que pertence à
Dinamarca – quanto no tarifário, pode, inclusive, criar condições para que o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia seja finalmente
aprovado pelos europeus, beneficiando o Brasil, e em particular, nosso
agronegócio. Com instabilidade geopolítica, escassez de alimentos e medo
inflacionário, os países querem segurança alimentar. E apenas os EUA, visto
agora como um parceiro pouco confiável, têm a combinação que o Brasil
oferece: terra, água, clima e capacidade produtiva.

O agronegócio brasileiro já está se beneficiando muito dos conflitos tarifários.
Com as tarifas impostas pela China aos EUA, o agro brasileiro exportará
maiores quantidade e a preços mais elevados para a China, o que, aliás,
também aconteceu no primeiro mandato de Trump.

O impacto da guerra tarifária na indústria brasileira é menos uniforme. Em
alguns subsetores da indústria, principalmente, no curto prazo, o impacto na
produção brasileira pode ser negativo; às vezes, até fortemente negativo.
Produtos chineses que seriam exportados para os EUA podem ser desovados
no Brasil. Isto deprimiria a produção nacional. Por outro lado, isso ajudaria a
conter a inflação por aqui.

Em outros subsetores da indústria, o impacto será exatamente o oposto:
produtos antes produzidos na China e no Vietnã para serem exportados para
os EUA, por exemplo, passarão a ser produzidos no Brasil, uma vez que a
alíquota de exportações daqui para lá é bem mais baixa, e produzir nos EUA
seria bem mais caro. Eu mesmo fui procurado por uma empresa de calçados e
uma de motocicletas que já estão fazendo isso.

Com tarifas americanas pressionando México, China e Canadá, o Brasil pode
assumir o papel de nova “maquila” latino-americana — montando produtos
localmente para exportar aos EUA. Também temos a chance de fortalecer
nossa posição como fornecedor global de energia, que ganha ainda mais
relevância estratégica em tempos de conflitos crescentes entre países.

Por fim, as idas e vindas de Trump reduziram brutalmente a previsibilidade na
economia americana, tornando-a mais parecida com a de um país emergente,
como o Brasil. Isso fez os EUA perder, de vez, a classificação de risco AAA e
reduziu a confiança no país, em sua moeda – o dólar – e nos títulos do tesouro
americano. No auge da crise de confiança causada pela guerra tarifária, o dinheiro saiu dos EUA, em busca de segurança, e foi para Alemanha, Suíça e
Japão. Isso nunca havia acontecido antes. Em todas as crises financeiras
anteriores, a busca por segurança levou investidores a levarem dinheiro para
os EUA, nunca a tirar dinheiro de lá. Isso sinaliza um dólar mais fraco daqui
para frente. Dólar em queda costuma causar alta de preços das commodities,
uma vez um dólar mais fraco barateia as commodities em moedas locais,
elevando seu consumo, em todo o mundo. Se isso se concretizar, o Brasil vai
se beneficiar ainda mais, com menos inflação – por conta do barateamento das
importações com a queda dólar – e mais receitas de exportações – por conta do
da elevação do preço das commodities.

Um resumo, até agora, Trump está fracassando em sua promessa de tornar os
EUA grandes novamente, mas está criando as melhores condições para
tornarmos o Brasil grande novamente. Cabe a nós não desperdiçarmos essa
oportunidade, como já desperdiçamos tantas outras.

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Ricardo Amorim

O incrível boom imobiliário da última década

Publicado

em

Por Ricardo Amorim

O mercado imobiliário brasileiro viveu uma transformação impressionante na última década.

Só para dar uma ideia, apenas na cidade de São Paulo, o número de lançamentos imobiliários cresceu 620% em 10 anos. Mas, enquanto os lançamentos dispararam, o tamanho dos imóveis encolheu. E isso diz muito sobre como o Brasil está mudando. As famílias estão ficando menores. Muito mais pessoas passaram a morar sozinhas. O trabalho remoto ganhou espaço. E o custo crescente dos imóveis obrigou o mercado a se adaptar. Resultado? Apartamentos compactos deixaram de ser exceção e viraram tendência.

Só que tem outro fator fundamental por trás desse boom de vendas de imóveis: o crescimento forte e sustentado do crédito, da renda e do emprego. Mesmo com juros muito altos, o mercado imobiliário continuou aquecido porque o desemprego caiu, a renda cresceu mais do que os preços e mais brasileiros passaram a conseguir financiamento para comprar imóveis.

Além disso, investidores começaram a enxergar imóveis pequenos como ativos mais rentáveis, especialmente para aluguel e locação de curta duração. Em outras palavras, o imóvel deixou de ser apenas moradia e teve seu papel como estratégia de investimento reforçado. Em resumo, o mercado imobiliário viveu um boom, com o número de novos apartamentos crescendo muito e o tamanho da maioria dos apartamentos encolhendo, porque as mudanças econômicas, demográficas e sociais do Brasil têm sido gigantes. Aqueda das taxas de juros, que deve expandir a oferta de crédito para financiar a construção e a venda de novos imóveis, deve fortalecer ainda mais esse movimento.

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Ricardo Amorim

Engenheiro 60+: inovar é trazer experiência de volta ao jogo

Publicado

em

Por: Ricardo Amorim

Os ex-alunos da Escola Politécnica da USP e do ITA se uniram para criar o Inova Sênior, um projeto que busca reintegrar engenheiros com mais de 60 anos ao mercado de trabalho. A iniciativa nasceu da percepção de que o Brasil desperdiça um enorme capital intelectual ao deixar de aproveitar a experiência e o conhecimento de profissionais que têm mais idade e mais vivência, mas muitas vezes foram afastados do mercado por etarismo.

O objetivo do Inova Sênior é valorizar a trajetória desses engenheiros, atualizando suas habilidades com formações pontuais voltadas às novas demandas de tecnologia, inovação e ESG — mas sem a necessidade de uma nova graduação.

A proposta é que eles possam se recolocar rapidamente em posições estratégicas, nas quais sua bagagem técnica e maturidade profissional sejam diferenciais importantes.
Além do aspecto econômico, o projeto também tem uma dimensão social bastante relevante, pois busca combater o isolamento e a perda de propósito que podem, infelizmente, afetar pessoas que se aposentam ou ficam fora do mercado de trabalho.

O lançamento oficial aconteceu durante o MaturiFest — evento voltado ao público 50+, que discute temas como trabalho e longevidade. A estreia contou com a participação de cerca de 200 engenheiros formados pela Poli e pelo ITA, e os idealizadores planejam expandir o programa para outras escolas de engenharia do país. Essa iniciativa representa uma tentativa prática e concreta de reconectar gerações e resgatar o valor da experiência — em um momento em que o envelhecimento populacional e a demanda por profissionais qualificados crescem simultaneamente no Brasil. Além disso, com a taxa de desemprego atualmente muito baixa, muitas empresas não conseguem encontrar profissionais para contratar.

Em resumo: é bom para todo mundo — bom para os profissionais, bom para as empresas e bom para a sociedade. Uma ótima iniciativa que merece ser replicada com profissionais de outras áreas.

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