Conecte-se com a LIVE MARKETING

Alexis Thuller Pagliarini

Por um Live MKT pujante e consciente!

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Por Alexis Pagliarini

2024 foi um ano especial para o Live Marketing! Principalmente para os eventos. O apetite das empresas por interações ao vivo aumentou significativamente depois da pandemia. E essa tendência continua forte em 2025. Espaços relatam estar começando o ano mais demandados do que nunca, com número recorde de eventos contratados com antecedência.

Nessa esteira positiva, os hotéis batem recordes de ocupação e os muitos negócios que gravitam em torno dos eventos curtem o bom momento. Já nos pontos de venda, apesar do crescimento constante do e-commerce, o varejo físico ainda representa 90% do comércio no Brasil e ganha força renovada, com consumidores ávidos por experiências ao vivo. O regime de home office está em momento desafiador, com a constatação de que a presença física de colaboradores nos escritórios é fundamental para consolidar a cultura da empresa. As interações online são eficazes em muitos aspectos, mas devem ser complementadas por aquelas olho-no-olho, além dos momentos não formais, de corredor, onde muita coisa acontece.

Tudo isso é muito bom, mas não devemos desprezar o legado de cuidados que a pandemia deixou. Há ainda o legado de responsabilidade socioambiental que deve ser incorporado às nossas atividades naturalmente. ESG já não é tão hype, mas vem sendo incorporado naturalmente na estratégia e no planejamento de ações, fazendo parte dos checklists de eventos, ganhando mais consistência.

Os eventos, além de catalisadores da economia, são vitrines do comportamento empresarial. Demonstrar claramente a observância de critérios de respeito socioambiental e governança ética é obrigação do organizador. E isso vai muito além da credencial com sementes de plantas ou ações isoladas de caráter socioambiental. É preciso inserir os critérios ESG como partes integrantes da atividade, cumprindo seus princípios com a mesma naturalidade com que repassamos o grande checklist de eventos. Tudo começa com a assunção de alguns compromissos macro, tais como: “Nosso evento respeitará o meio ambiente”. “Nosso evento será respeitoso com todas as pessoas”. “Nosso evento seguirá princípios éticos e de transparência, sem ‘jeitinhos’”. São compromissos simples de enunciar, mas não tão fáceis de aplicar.

Eliminar garrafas e copos plásticos descartáveis, reduzir resíduos e dar a destinação adequada a eles, garantir equidade de gêneros e inclusão de grupos minorizados, estabelecer contratos formais com todos os fornecedores e pagar em prazos razoáveis, certificar-se que todos os trabalhadores do evento (diretos ou indiretos) estejam atuando de acordo com preceitos legais… Enfim, são diversos os pontos que devemos observar para garantir uma atuação em compliance com as melhores práticas. Mas é assim que garantiremos a pujança do setor para além de tempos de vacas gordas.

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Alexis Thuller Pagliarini

O Live Marketing sem as BETs

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O Brasil deu um passo drástico, mas necessário, ao proibir a atuação das BETs. A medida, editada em setembro por medida provisória, ainda depende do Congresso, mas o recado está dado. A decisão é justificável: milhões de brasileiros passaram a apostar de forma sistemática, muitos sem recursos, acumulando dívidas e desenvolvendo comportamento compulsivo. Virou um problema social de grande dimensão, e o dinheiro não pode falar mais alto do que isso.

Há, porém, um outro efeito colateral inegável. Em poucos anos, as casas de apostas se tornaram as maiores patrocinadoras do esporte e grandes. Clubes, ligas, transmissões e agências veem uma fonte expressiva de receita ameaçada, e em muitos clubes o clima é de desespero. Mas o mercado é dinâmico e sempre apresenta alternativas.

A primeira vem do setor de tecnologia, em especial dos provedores de inteligência artificial. São empresas jovens, algumas com menos de cinco anos de vida, que movimentam bilhões e disputam atenção num mercado cada vez mais competitivo. Já começaram a aparecer no patrocínio esportivo internacional, sobretudo no automobilismo. Precisam construir marca e se aproximar do consumidor comum, e poucos territórios oferecem tanta audiência e emoção quanto o esporte. O Brasil, com sua paixão pelo futebol, é um palco privilegiado.

O segundo campo é o e-commerce e a logística de entregas que gira em torno dele. Megaempresas disputam o varejo online e a chamada última milha, numa briga por participação de mercado que exige visibilidade constante. Para elas, camisas, estádios e eventos são vitrines de alcance nacional. Somem-se fintechs, mobilidade, bens de consumo e telecomunicações, e o universo de substitutos se amplia bastante. Há ainda uma oportunidade menos óbvia e talvez mais valiosa: elevar o padrão ético do marketing esportivo.

Durante anos, clubes e eventos conviveram com um incômodo silencioso, o de contribuir, ainda que indiretamente, para estimular o jogo e todos os problemas que decorrem dele. Esse gosto amargo desaparece quando a marca na camisa pertence a uma empresa cuja atividade não cobra seu preço da saúde financeira e mental do torcedor. O movimento, aliás, já está em curso. Grandes patrocinadores estão mais criteriosos ao escolher com quem se associar e avaliam riscos socioambientais, reputacionais e éticos.

Para essas companhias, aparecer ao lado de um produto controverso é um passivo. Um clube ou evento que ofereça ambiente limpo, governança sólida e valores claros se torna, por consequência, um ativo mais atraente. A transição não será indolor. Substituir contratos robustos exige tempo, prospecção ativa, profissionalização comercial e criatividade na construção de propostas. Clubes dependentes de uma única fonte precisarão diversificar receitas e entregar mais do que exposição de marca: conteúdo, engajamento, dados e experiências.

Sabidamente, o esporte tem grande poder de envolver emocionalmente grande número de pessoas e pode ser um meio eficaz de construção de marcas. Envolvimento emocional, emoção, beleza plástica, superação, força, encantamento, vibração, paixão, espírito de time… São muito os atributos do esporte. Quem for capaz de apresentar associações de imagem e oportunidades de ativação e atrair novos players para o patrocínio esportivo, sairá mais forte.

A proibição das BETs é, portanto, um problema real para os patrocinados, mas também pode ser um ponto de virada. É a chance de atrair novos anunciantes, reduzir a dependência de um único setor e promover uma verdadeira moralização do marketing esportivo e de eventos. O Live Marketing – mais especificamente o patrocínio esportivo – sobreviverá ao fim das BETs, e pode sair mais forte e respeitado.

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Alexis Thuller Pagliarini

Qual o impacto da sua atividade?

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Por Alexis Pagliarini

Existe uma forma de reduzir as dúvidas quanto à aderência da sua atividade às melhores práticas ESG. Tenho simplificado a resposta quando sou questionado sobre esse tema pelos meus clientes e interessados: digo simplesmente isso: “Saiba qual o impacto da sua atividade e aja para maximizar o positivo e minimizar o negativo”. Simples assim. Esqueçamos os rótulos. Enganam-se aqueles que acham que os princípios ESG foram esquecidos ou relegados a segundo plano. Fala-se menos de ESG, é verdade, mas sua aplicação está mais sólida, principalmente junto a empresas mais conscientes.

Não precisa nem chamar de ESG, mas pense no impacto da sua atividade. Pense no impacto ambiental. Como os recursos serão tratados? Água, Energia, Materiais… Estamos pensando no consumo racional desses recursos? Pense no descarte dos materiais utilizados. Estamos pensando em reduzir os resíduos ao mínimo? Estamos reutilizando ou reaproveitando de alguma forma os materiais a serem descartados pós uso? Estamos cientes da pegada de carbono da nossa atividade? Há como diminuir? Vamos compensar as emissões inevitáveis?

Respondendo a essas questões, estaremos analisando o impacto no campo “E”, de ESG, o impacto ambiental. Quanto ao impacto social – o “S”, de ESG – as perguntas cabíveis são: Todas as pessoas envolvidas na atividade, sejam colaboradores próprios ou terceirizados, público ou fornecedores, estão sendo tratados com dignidade e respeito? Estamos buscando a diversidade, incluindo minorizados na atividade? Os PCDs estão contemplados no planejamento? Estamos adotando políticas claras contra qualquer tipo de preconceito ou discriminação? Estamos garantindo às mulheres o protagonismo que merecem, como gênero majoritário no Brasil? Há alguma ação beneficente que possa ser privilegiada? Pronto: tratamos do “S”!

Quanto ao G, de Governança, esse deveria ser o primeiro do nosso check-list. Sem uma governança engajada, todas as demais variáveis ficam prejudicadas. Começando pela relação com os stakeholders: todas as partes interessadas devem estar de acordo e satisfeitas com a atividade. Legalidade nas relações, contratos justos e tratamento respeitoso a todos os envolvidos. São os líderes da governança que devem pré-estabelecer o nível de impacto desejado e determinar uma atuação coerente com a ambição definida.

Da próxima vez que for planejar sua atividade, comece com esta pergunta: “Qual o impacto dessa atividade?”. Já será um grande avanço.

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