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Os diferenciais da comunicação humanizada em cenários de incertezas

Uma das poucas certezas que temos hoje é que o advento da pandemia nós colocou diante de um novo mundo, ainda sem precedentes na história contemporânea da humanidade. O mais próximo que já tivemos do que estamos vivendo hoje já tem mais de um século de existência, quando, em 1918, a humanidade foi acometida pela gripe espanhola. Só por este lapso temporal já é possível entender que realmente não temos precedentes sobre o que estamos vivendo hoje. Não se trata apenas de um surto pandêmico com o advento do SarsCov-19, mas sim este acontecimento em um mundo totalmente novo do último surto epidemiológico de mesma proporção.
Há 102 anos o mundo certamente era muito diferente. O capitalismo que conhecemos ainda estava na sua V1 ou MPV (versão um ou no rascunho do seu Mínimo Produto Viável). Os níveis de conectividade social e corporativa em escala global, embora já existentes, eram tão infinitamente menos intensos e muito mais restritos, disponível apenas a uma elite social e aos trabalhadores mercantes das grandes companhias navegação dentro de um mercado que, embora tímido, em comparação ao que temos hoje, desde as grandes navegações sempre foi globalizado. Malha aérea era um sonho ainda não realizado e a ferroviária apenas engatinhava, assim como a comunicação se limitava às cartas, às conversas e à transmissão radiofônica, que inclusive no Brasil, só aconteceu em 1922.
Portanto, no mundo de hoje, onde as trocas são muito mais acessíveis, intensas e contínuas, não se troca apenas fluxos econômicos, e-mails, posts e fotos pelas redes sócias. Trocamos de tudo! Qualidade do ar, comida, água, conversão energética, commodities, mão de obra – principalmente se esta for “barata” –, inteligência, cultura, política, sonhos, expectativas de vida… E, mais recentemente e pelo jeito mais duro, descobrimos que também trocamos nossa flora microbiológica. Portanto, vivemos em um mundo 100% integrado, sistêmico e interconectado. Entender isso é – e será – cada vez mais fundamental para se pensar nos processos de comunicação corporativa, seja para o público interno ou externo.
Diante de toda esta complexidade e contexto, que precisamos revisitar, entender, aprender e ressignificar o papel da comunicação institucional em um cenário tão adverso como o atual. Certamente ela não será a resolução dos problemas. As soluções virão por meio de um conjunto de fatores, como o avanço das vacinas, dos tratamentos mais eficazes e, em especial, da estruturação adequada das políticas públicas de saúde, econômicas e sociais, assim como com a nossa mudança do estilo de vida para contenção do vírus.
Contudo, a comunicação será, sem sombra de dúvidas, um meio essencial nesta dinâmica, tendo como papéis centrais informar, explicar, compreender, ajudar a aprender e ensinar para conseguir engajar na direção do que precisa ser feito de forma coesa e efetiva. O tema é amplo e, por isso, centralizamos aqui os principais aprendizados de como conduzir o processo apenas no escopo da comunicação corporativa, sobre como lidar com os diferentes públicos e ajudar as organizações a lidarem e gerenciarem esta crise sanitária, que virou econômica e social, uma vez que ela não veio com manual e não tem precedentes.
Uma das conclusões que certamente tem feito a diferença nas diversas organizações empresariais está na coerência e consistência entre os processos de comunicação e DNA das organizações corporativas. As organizações que já tinham valores sólidos e culturas organizacionais conectadas às necessidades das pessoas (sendo ou não funcionários, ou seja, que já entendem o quanto seu papel social e econômico estão integrados e interdependente com a sociedade), conseguiram reagir melhor, porque rapidamente tomaram decisões e adoram posturas que colocaram as pessoas em primeiro lugar, diante de todas as incertezas que se tinha.
Contextos corporativos como estes ajudaram as organizações evitar equívocos básicos, como improvisar diante de uma realidade ainda desconhecida, afastando as organizações e seus porta-vozes de serem oportunistas, levianos, indiferentes ou mesmo insensíveis diante de tudo estava acontecendo. Mesmo quando ainda não tínhamos clareza das proporções que a crise teria. Diante do caos e do desconhecido, um termo e prática cada vez mais exigidos nos processos de comunicação das organizações e seus porta-vozes é a transparência. Este foi – e continua sendo – um fator essencial e que vem ajudando muito as organizações a lidarem com mais dois fatores fundamentais: a coerência e a consistência.
Em situações complexas como a que vivemos, e ainda estamos vivendo, é melhor assumir nossas vulnerabilidades tanto para o público interno quanto externo. Ou seja: ainda que não tenhamos todas as respostas ou conhecimento pleno do contexto, que estejamos 100% empenhados em fazer o nosso melhor e com todo o processo sendo transparente e consistente, mantendo todos, na medida dos seus interesses, atualizados a cada evolução ou involução.
Em momentos como estes, uma das grandes vantagens é que todos, de alguma forma, entendem o tamanho e a complexidade dos desafios. Portanto, ninguém está esperando super heróis ou perfeição. Pelo contrário! O que mais se espera é humanidade e humildade de construir soluções conjuntas mesmo das organizações, porque sabemos que todos, em maior ou menor grau, seremos afetados. Por isso, que a transparência, a coerência e a consistência são fundamentais para suportar tudo isso.
Estes foram os fatores que nos mobilizaram na Leão para reforçar o que estamos chamando de um processo de comunicação essencialmente humanizado. Diante do atual contexto, principalmente com o público interno, o qual conscientemente priorizamos neste período, uma das ações adotadas foi justamente paralisar nossas atividades nas redes sociais. Foi a partir da transparência, coerência não só com as mensagens, mas também com os valores da organização e da consistência, premissas que reconhecemos como chaves que organizamos a nossa comunicação.
Começando pelo processo de informar rápido e direto para o nosso público interno, entendemos muito rápido que precisávamos ser transparentes, claros, ágeis e assertivos. Isto foi essencial principalmente para que todo o processo fosse visto como confiável. Por isso que, antes de acionarmos nossos canais internos de comunicação, priorizamos processos de interação direta com a Liderança e, na sequência, com os funcionários, colocando na linha de frente a voz do presidente da organização para falar o que já sabíamos, quais eram as nossas dúvidas e o como estávamos nos organizando pelos próximos dias. Neste processo, privilegiamos o ao vivo em detrimento de mensagens gravadas, dá trabalho, mas também transmite muito mais credibilidade e reforça a transparência, porque tudo que é gravado, na cabeça das pessoas, pode ser editado.
Em situações como esta, não basta apenas informar. É preciso se fazer próximo e presente! Desta forma, nosso segundo aprendizado foi a intensidade. Buscamos de diversas formas estar constantemente presentes no dia a dia dos funcionários da organização com boletins diários, cartazes, orientações frequentes sobre como se cuidar, sobre as ações da organização, sobre como estamos gerenciando a situação, envio de cartas de reconhecimentos nominais a cada funcionário agradecendo seu empenho no atual momento adverso… Ser intenso nestas horas é ser presente e fundamental para criar o sentimento de que estamos juntos nessa.
A disponibilidade ao acolhimento – mas um acolhimento genuíno e consistente – foi nosso terceiro aprendizado. Nos organizamos para que cada funcionário se sinta acolhido diante da sua realidade e necessidade, porque entendemos que cada um tem um contexto próprio e sente os impactos do cenário atual de forma adversa. Por isso que, entre as principais ações, nos organizamos para entrar em contato com cada funcionário que eventualmente tenha testado positivo semanalmente, com o objetivo de acompanhar a evolução e eventuais necessidades, assim como enviamos uma carta para todos que tenhamos testado positivo com um brinde apenas reforçando que estamos juntos nesta jornada pela recuperação. Abrimos fóruns semanais sobre saúde mental, passamos a realizar pesquisas de clima mensais e ainda criamos um projeto chamado de Emoções na Pandemia, convidando os funcionários que se sentissem a vontade a fazerem um relato por escrito de como estavam lidando tanto com suas emoções como com os desafios pessoais e profissionais diante do atual contexto. Estamos transformando estes relatos em livro eletrônico, compartilhado com todos os funcionários, gerando muito aprendizado e empatia entre todos.
Por fim, entendemos que não bastava informar, intensificar, acolher. Precisávamos encontrar uma liga maior que nos ajudasse a mobilizar e engajar a todos na mesma direção e a resposta para isso foi promover um propósito claro e relevante para as pessoas. Nossa prioridade zero sempre foi manter a segurança e o bem-estar dos nossos funcionários. Por isso que, na linha da coerência, uma das principais medidas foi afastar todos os funcionários que poderiam trabalhar de forma remota já nos primeiros momentos da chegada da pandemia no Brasil, incluindo os funcionários das unidades operacionais e aqueles mapeados como grupo de riscos.
Contudo, como uma indústria de alimentos é considerada essencial, precisávamos tanto seguir operando nossas fábricas como abastecendo os mercados. Neste sentido, unificar toda a organização em torno deste propósito de manter todos protegidos, estivessem estes em casa, nas fábricas ou nos pontos de venda, porque temos também responsabilidade e expectativas a serem atendidas junto aos nossos consumidores, foi fundamental. E aqui não bastava apenas os processos de comunicação. Aqui é onde a coerência e os valores da organização fazem a maior diferença e conseguimos sustentar isso porque todas as ações de cuidados aos funcionários foram intensificadas, revisitadas e principalmente, comunicadas a todo instante.
Em resumo, descobrimos muitas coisas novas e boas neste contexto da pandemia e nas diferentes áreas da organização. Mas, na comunicação, entre as grandes descobertas que podemos destacar está a quebra de paradigmas básicos entre um distanciamento da comunicação interna e externa. Hoje não há mais espaço para isso. A comunicação institucional é única e precisa ser pensada de forma integrada. Planos com peças bem elaborados são básicos e importantes, mas não dão conta de responder plenamente a complexidade das demandas atuais. Os espaços para interações diretas, em especial entre a liderança e seus liderados, precisam ser vistos como processos estruturados de comunicação, porque hoje temos mais protagonistas que expectadores em nossas organizações. Por isso, criar processos, meios e ferramentas para viabilizar uma escuta ativa é essencial.
Outro grande aprendizado – também é considerado uma quebra de paradigma – é que continua sendo muito importante ter um plano comunicação, mas mais importante ainda é ter a capacidade e a disponibilidade de revisar o plano e se adaptar a cada instante. Mais do que um guia, regras e formatos, nos dias de hoje, precisamos ter as pessoas preparadas para reconhecer o contexto, absorver seus desafios e pensar em planos a partir da realidade, atualizando estes conforme este se apresenta. E, sobretudo, estar aberto a se adaptar a todo instante, porque a realidade é – e seguirá sendo – dinâmica.
Por Fabiano Rangel, gerente de Recursos Humanos, Comunicação e Institucional da Leão Alimentos e Bebidas
Matéria publicada no portal de notícias AdNews. Se quiser mais informações sobre o mundo da publicidade e do marketing acesse: https://adnews.com.br/
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Britânia lança campanha de Dia dos Pais com inteligência artificial e foco nos momentos do cotidiano

A Britânia acaba de colocar no ar sua campanha nacional de Dia dos Pais 2026 sob o conceito institucional “Para os momentos que importam”. A estratégia de marketing foi desenhada para reforçar que o ato de presentear vai além do valor material do produto, posicionando a marca de eletroportáteis e eletrodomésticos como uma facilitadora de momentos de carinho, cuidado e conexão real nas pequenas rotinas familiares.
A peça central da campanha dá continuidade à narrativa emocional iniciada no Dia das Mães de 2026. Produzido pela GRID Content, o filme publicitário destaca-se pelo uso de inteligência artificial aplicada à pós-produção. Na campanha, a tecnologia foi adotada como um recurso estético e criativo para enriquecer a transição das cenas, mantendo a autenticidade e a sensibilidade das interações cotidianas reais entre pai e filho.
A nova campanha chega ao mercado respaldada pelo excelente desempenho comercial registrado pela Britânia no Dia dos Pais de 2025, período em que a marca alcançou um crescimento expressivo de no tíquete médio de vendas em comparação ao ano anterior. Os resultados financeiros comprovam uma tendência consolidada de consumo de presentes úteis, voltados para a casa e para o preparo de refeições compartilhadas.
A campanha de Dia dos Pais desdobra-se em uma estratégia de comunicação integrada 360 graus. A marca ativará pontos de contato estratégicos que incluem compra de mídia online e offline, forte presença de conteúdo nas redes sociais, ações táticas com influenciadores digitais e assessoria de imprensa corporativa.
Esse movimento integra-se a um plano de expansão institucional que, nos últimos anos, ampliou os investimentos da Britânia em patrocínios de eventos gastronômicos, inserções publicitárias em grandes emissoras de TV aberta e materiais personalizados de merchandising nos pontos de venda (PDV).
Ana Luiza Buffara, vice-presidente da Britânia, ressalta a importância da data para a conexão histórica da marca com a população. “Há 70 anos, a Britânia faz parte da rotina das famílias brasileiras. Nesta data, queremos lembrar que presentear é também uma forma de demonstrar cuidado, carinho e criar memórias. Afinal, são os pequenos momentos compartilhados no dia a dia que realmente fortalecem a relação entre pais e filhos.”
Com o lançamento, a Britânia reafirma sua proposta de valor e aproximação emocional com o consumidor, ofertando um portfólio completo que integra as categorias de cuidados pessoais, cozinha e eletrodomésticos, facilitando as tarefas do lar e liberando tempo para o que realmente importa: a convivência familiar.
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Viés racial em Inteligência Artificial e as falhas de representatividade e os limites éticos do mercado de US$ 617 bilhões

O mercado global de Inteligência Artificial caminha para atingir a marca de US$ 617 bilhões até o final do segundo semestre de 2026, mantendo uma taxa de expansão de ao ano, segundo dados da consultoria alemã Statista. No entanto, diante das mais de 47 mil ferramentas ativas mapeadas pela plataforma “There’s An AI For That” (TAAFT) em setores que vão do recrutamento empresarial à publicidade, desenvolvedores e especialistas acendem um alerta: os vieses raciais e algorítmicos podem comprometer a sustentabilidade e a confiabilidade desse crescimento tecnológico.
O debate ganhou contornos urgentes com a divulgação do documento “Lado Sombrio do Escalonamento de Conjuntos de Dados” no GitHub. O estudo revelou que, em 14 modelos multimodais baseados na arquitetura Vision Transformers (ViT-L) — sistemas que processam texto e imagem simultaneamente —, a probabilidade de uma imagem de um homem negro ou latino ser erroneamente associada ao termo “criminoso” aumentou em até .
Cáren Cruz, CEO da Pittaco Consultoria, especialista em imagem identitária e participante da 9ª temporada do programa Shark Tank Brasil, explica que a atual crise ética da inteligência artificial generativa herda falhas estruturais de tecnologias de análise facial desenvolvidas há quase uma década. “Ainda em 2017, a pesquisadora Joy Buolamwini, do MIT Media Lab, vinha denunciando falhas nos sistemas de visão computacional a partir da sua própria experiência como mulher negra. Em 2018, ao lado de Timnit Gebru, ela publicou o estudo Gender Shades, demonstrando que softwares comerciais de análise facial apresentavam índices de erro drasticamente maiores ao analisar mulheres de pele escura em comparação a homens de pele clara.”
Para Cáren Cruz, a raiz do problema reside na curadoria dos bancos de dados que alimentam os algoritmos de machine learning. Sem uma base de dados que represente a pluralidade humana, a inteligência artificial acaba por reproduzir e automatizar as desigualdades históricas do ambiente analógico. “A tecnologia não nasce neutra. Ela aprende a partir de bancos de dados, imagens, descrições e repertórios que também carregam desigualdades históricas. Se esses dados foram construídos com baixa diversidade racial, a ferramenta tende a reproduzir essas limitações. Quando o sistema altera características fundamentais de uma pessoa negra, está reproduzindo uma lógica histórica em que determinados traços são tratados como algo a ser corrigido ou neutralizado.”
Com mais de 18 anos de atuação no mercado de consultoria identitária corporativa, a CEO da Pittaco defende que a diversidade racial e a precisão técnica em colorimetria devem ser tratadas como prioridades de engenharia pelas big techs. A executiva relembra uma dinâmica de desenvolvimento de produto em que participou de um grupo focal nacional: a metodologia de uma instituição tentou categorizar a pele negra em apenas 6 tons. Trata-se de uma simplificação analítica ineficaz para o mercado de cosméticos, imagem e tecnologia, especialmente no Brasil. “Quem trabalha com imagem sabe que essa redução não abraça a complexidade das peles negras. Não estamos falando de uma única cor ou classificação, mas de um espectro muito amplo, que envolve variações de pigmentação, subtons, luminosidades, contrastes e profundidades cromáticas decorrentes de intensas miscigenações. A inovação verdadeira precisa reconhecer, preservar e respeitar a pluralidade das aparências negras sem apagar, suavizar ou padronizar aquilo que nos identifica.”








