Alexis Pagliarini
Criativismo ESG – O que isso tem a ver com o Marketing?

Criativismo é o neologismo gerado pela junção dos termos Criatividade e Ativismo. Acho que não preciso enaltecer aqui a importância da Criatividade. O próprio World Economic Forum coloca Inovação e Criatividade entre os Top 10 skills para 2025. Por mais que a tecnologia crie algoritmos, Inteligência Artificial e fórmulas matemáticas para resolver problemas, a Criatividade ainda é – e será – soberana na hora de se diferenciar, de trilhar caminhos inovadores, de atrair e engajar, de sair na frente.
Já o Ativismo, fui aos dicionários e encontrei uma definição que gostei muito: “Doutrina de vontade criativa que prega a prática efetiva para transformar a realidade em lugar da atividade puramente especulativa”. Destaco fragmentos desta definição que me atraem de forma especial: “vontade criativa” e “prática efetiva para transformar a realidade”. É disso que estou falando! É de um ativismo do fazer, do sim, do criar, do transformar a realidade. Não o ativismo do protesto, do não, do confronto.
Acredito fortemente na nossa capacidade criativa de transformar a realidade. Melhorar a realidade! E há exemplos de sobra de empresas que adotaram o tal criativismo em seu benefício, mas também em favor da sociedade. Lembro do case do Carrefour, ganhador de Grand Prix no Cannes Lions com um ativismo criativo em torno da proibição, na França, de comercialização de frutas e hortaliças que não sejam derivadas de sementes certificadas. A rede de supermercados criou um “mercado negro” dentro das suas lojas, comercializando, à revelia da lei, produtos orgânicos que não cumpriam a exigência. Resultado desse criativismo: o governo mudou a lei!
Outra campanha corajosa, também ganhadora de Grand Prix em Cannes, foi a da Nike, apoiando explicitamente a atitude do jogador de futebol americano Colin Kaepernick, que se recusava a cantar o hino americano, se ajoelhando antes das partidas, em protesto contra violência da polícia contra os negros.
Há ainda o case da Starbucks brasileira que, por intermédio da sua agência VMLY&R, transformou seus cafés em verdadeiros cartórios para facilitar pessoas trans a mudar de nome. Outro case brasileiro que merece destaque foi o criado pela David Brasil para a Coca-Cola, ganhador de Leão em 2018. A empresa criou uma série especial de latas de Coca-Cola envazadas com Fanta só para ridicularizar a expressão homofóbica “Esta Coca-Cola é Fanta”, dita jocosamente ao se referir a homens com traços de feminilidade. Esta Coca-Cola é Fanta, sim. E daí? Dizia a campanha.
Todas essas campanhas têm em comum três aspectos: são criativas – a ponto de conquistarem prêmios internacionais –; são ativistas, em benefício de minorizados; e são corajosas, com marcas se expondo perante a sociedade, defendendo seu ponto de vista. São, portanto, exemplos exuberantes de Criativismo, mas também de Live Marketing. Sim, são cases que poderiam ser desenvolvidos por agências de um Live Marketing sem amarras, mais sintonizados a consumidores cada vez mais atentos e vigilantes quanto ao desrespeito e insensibilidade das empresas. Esses consumidores exigem mais das marcas. Esperam que elas façam mais do que produzir produtos de qualidade e comercializar a bom preço. Esperam que sejam ativistas por um mundo melhor. E se adotarem a criatividade e princípios ESG nas suas ações, melhor ainda. O futuro é dos Criativistas ESG!
Em tempo: com muito prazer, aceitei o convite para fazer parte do grupo de colunistas da Revista Live Marketing. Este primeiro texto foi dedicado ao Criativismo, mas darei especial atenção os princípios ESG (Environmental/ Ambiental; Social; Governança) nos próximos artigos.

Alexis Pagliarini
Utopia X Distopia

Todos os dias, temos motivos para ter visões distópicas ou utópicas. Depende do nosso estado de espírito. Basta acessar as primeiras notícias da manhã – eu ainda gosto de ler um jornalzão diariamente (online, mas no formato convencional): os destaques quase sempre são desastres ou notícias de cunho negativo. Dizem que é isso que vende… Mas é só saber procurar e lá estão as notas positivas, aqui e ali.
O presidente americano, Donald Trump foi o elemento distópico deste início de ano, soltando impropério a torto e direito, ameaçando vizinhos, amigos e inimigos e prometendo uma devassa geral da administração pública dos USA, amparado pelo fiel escudeiro Elon Musk. E aí, toda aquela utopia de um mundo melhor, mais justo, mais igualitário, mais respeitoso deu lugar à visão agressiva do “cada um por si” e do olhar para o próprio umbigo, sem empatia ou sensibilidade. Uma avalanche de pedras no caminho do respeito socioambiental e da ética, que vinha ganhando mais adeptos mundo afora. São ciclos que vivenciamos de tempos em tempos.
Na área de Live Marketing, lembro da previsão de que o varejo tradicional seria atropelado pelo e-commerce e que os eventos se tornariam predominantemente virtuais. A pandemia passou e o e-commerce, apesar de crescer bastante, ainda não alcança 10% do total do comércio no Brasil. Já os eventos presenciais voltaram a bombar, deixando as interações virtuais mais para o corriqueiro. É assim: o grande pêndulo da humanidade se projeta firme para um lado, mas se esgarça e volta para outro lado, às vezes antagônico.
No meio disso tudo, uma verdade inquestionável: estamos vivenciando uma crise climática sem precedentes e atitudes negacionistas não prevalecerão. Se, por um lado, os EUA recrudescem, por outro, a Europa fortalece seus princípios e cobra um alinhamento dos seus parceiros. Tanto é que, no final deste ano, entrará em vigor a ação europeia contra o desmatamento, exigindo dos seus parceiros comerciais uma comprovação de que o produto exportado não é proveniente de área desmatada.
Não dá para adotarmos uma atitude de Poliana, de enxergar só lado cor de rosa das coisas, mas também não devemos nos desesperar perante um comportamento errático de alguns governantes. É hora de sermos firmes em nosso propósito e continuarmos a dar passos largos na direção de uma prática ética e respeitosa. Nossos negócios só tendem a ganhar.
Alexis Pagliarini
Por um Live MKT pujante e consciente!

Por Alexis Pagliarini
2024 foi um ano especial para o Live Marketing! Principalmente para os eventos. O apetite das empresas por interações ao vivo aumentou significativamente depois da pandemia. E essa tendência continua forte em 2025. Espaços relatam estar começando o ano mais demandados do que nunca, com número recorde de eventos contratados com antecedência.
Nessa esteira positiva, os hotéis batem recordes de ocupação e os muitos negócios que gravitam em torno dos eventos curtem o bom momento. Já nos pontos de venda, apesar do crescimento constante do e-commerce, o varejo físico ainda representa 90% do comércio no Brasil e ganha força renovada, com consumidores ávidos por experiências ao vivo. O regime de home office está em momento desafiador, com a constatação de que a presença física de colaboradores nos escritórios é fundamental para consolidar a cultura da empresa. As interações online são eficazes em muitos aspectos, mas devem ser complementadas por aquelas olho-no-olho, além dos momentos não formais, de corredor, onde muita coisa acontece.
Tudo isso é muito bom, mas não devemos desprezar o legado de cuidados que a pandemia deixou. Há ainda o legado de responsabilidade socioambiental que deve ser incorporado às nossas atividades naturalmente. ESG já não é tão hype, mas vem sendo incorporado naturalmente na estratégia e no planejamento de ações, fazendo parte dos checklists de eventos, ganhando mais consistência.
Os eventos, além de catalisadores da economia, são vitrines do comportamento empresarial. Demonstrar claramente a observância de critérios de respeito socioambiental e governança ética é obrigação do organizador. E isso vai muito além da credencial com sementes de plantas ou ações isoladas de caráter socioambiental. É preciso inserir os critérios ESG como partes integrantes da atividade, cumprindo seus princípios com a mesma naturalidade com que repassamos o grande checklist de eventos. Tudo começa com a assunção de alguns compromissos macro, tais como: “Nosso evento respeitará o meio ambiente”. “Nosso evento será respeitoso com todas as pessoas”. “Nosso evento seguirá princípios éticos e de transparência, sem ‘jeitinhos’”. São compromissos simples de enunciar, mas não tão fáceis de aplicar.
Eliminar garrafas e copos plásticos descartáveis, reduzir resíduos e dar a destinação adequada a eles, garantir equidade de gêneros e inclusão de grupos minorizados, estabelecer contratos formais com todos os fornecedores e pagar em prazos razoáveis, certificar-se que todos os trabalhadores do evento (diretos ou indiretos) estejam atuando de acordo com preceitos legais… Enfim, são diversos os pontos que devemos observar para garantir uma atuação em compliance com as melhores práticas. Mas é assim que garantiremos a pujança do setor para além de tempos de vacas gordas.