Artigos
Bruno Busquet – Dia do cliente: qual caminho sua marca pretende seguir?

*por Bruno Busquet
O mundo está caminhando a passos largos para um cenário em que o mercado será totalmente orientado pelas necessidades e desejos do público. Hoje as empresas precisam se dedicar em não apenas desenvolver seus entregáveis, mas também todo o conjunto de elementos relativos à interação das pessoas visando uma percepção positiva. É a tal da experiência do usuário, do inglês user experience, transpassando o design (sua disciplina de origem) e pautando todas as interações com as marcas, seus produtos e serviços. Das ações de marketing digital ao ponto de venda, entender a quem você serve, como se dá o consumo e em quais momentos o faz é crucial.
Se o presente já não tolera marcas impositivas ou que não dialogam diretamente com propósitos e com a contemporaneidade, que dirá o futuro. E é por isso que o Dia do Consumidor, comemorado no dia 15 de março, é uma ótima ocasião para refletirmos sobre pessoas, processos e propósitos.
Culturalmente a data tornou-se uma oportunidade no calendário comercial de algumas companhias que optam por aproveitá-la de uma maneira mais imediatista em função de um potencial de lucro presumido bastante volumoso. A ação é válida e, para quem já tem um diálogo franco e aberto com seus consumidores, um caminho vantajoso pode ser investir em um mix entre mídia massiva e conteúdos exclusivos. O famigerado e-mail marketing não está morto – mas é preciso que seja personalizado, relevante, agradável.
Em termos de performance, que tal investir em mídia programática focando nos clientes que mais estiveram em contato com a marca nos últimos meses? Alta frequência levando mensagem de descontos reais ou do propósito mais forte da companhia pode ser interessante para atraí-los a novas experiências ou níveis mais profundos de relacionamento.
Mas, se estreitar essa relação com a audiência é exatamente o objetivo nesse momento, há dois pontos que precisam ser considerados. O primeiro é reorganizar a casa e criar uma estratégia de CRM para que, no ano que vem, a proximidade seja tanta ao ponto do Dia do Cliente ser bastante rentável. Segundo: olhar com carinho e atenção para os clientes que já engajam, ainda que a base seja pequena. E aí vale uma produção de conteúdo e de mídia direcionados para consideração de produto ou para a compra efetivamente.
Vale lembrar que CRM não é apenas uma ferramenta de disparos de emails, de relatórios e mensurações. É uma técnica para engenheirar encontros, conversas, bem como afinar processos, colher feedbacks e otimizar os esforços em marketing para os contatos mais qualificados. Por fim, é um lembrete constante de que por trás de todo lead há uma pessoa que tem necessidades, quereres, dificuldades, ambições e muito mais.
E, assim, voltamos ao início desse ciclo. Todos nós, que atuamos no ecossistema do marketing, não importa em qual lado da linha a gente esteja (se é que isso ainda existe para você), precisamos manter os olhos bem abertos para mapear as melhores oportunidades que possam abrigar ativações que induzam ao sell out das marcas que representamos. Mas já parou para pensar o que o Dia do Cliente tem de diferente para Volta às Aulas, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal?
De forma resumida, a resposta reside na inversão de papeis. Em todas as outras datas comerciais nós batalhamos com os nossos concorrentes para chamar a atenção de alguém predisposto a consumir. Já nesse 15 de março duelamos com nós mesmos pela descoberta da melhor maneira de se conectar com uma audiência que demanda atenção, verdade e propósito. Duelamos também para engajar não apenas na compra do produto ou serviço, mas na comunidade que cobra ativamente um alinhamento entre discurso e prática, sem medo de cancelar ou expor uma situação em suas redes.
Ou seja, independente do caminho que opte para o seu negócio seguir – mais ou menos comercial – é primordial que seja permeado por uma reflexão profunda de como estão sendo abordadas e tratadas as palavras de ordem da contemporaneidade sob a orientação do UX: pessoas, processos e propósitos. Unindo tais pilares o lucro a curto e longo prazo é um fato dado.
*Bruno Busquet é Global Council Member na Shop! Association, Presidente do POPAI Brasil e CEO da TPNQ
Artigos
Longevidade e SXSW 2025: Entre a nostalgia e a solidão conectada

*Thiago Diniz
Em Austin, uma cidade vibrante no coração do Texas — estado que no imaginário coletivo é associado ao conservadorismo —, testemunhei um encontro de ideias que desafiam estereótipos. Enquanto o Texas permite o porte de armas sem licença, mas proíbe o aborto em quase todas as situações, milhares de pessoas se reuniram ali para discutir o futuro: cultura, tecnologia, publicidade, consumo e até mesmo o papel dos Estados Unidos como influenciador global.
No meio desse caldeirão de inovação, dois temas emergiram de forma transversal e me levaram a refletir ainda mais sobre a Longevidade: Solidão e Nostalgia. Paradoxalmente, essas questões, tão associadas ao envelhecimento, pareciam agora marcar profundamente a juventude.
É evidente que a Inteligência Artificial permeia quase todas as discussões, com seus desafios e oportunidades. Contudo, o que se destacou foi a necessidade de sobrevivência e convivência humana com as máquinas. As relações amorosas com IAs, antes ficção, são agora uma realidade consolidada. Em um dos painéis mais impactantes, a Dra. Jaime Banks, da Syracuse University, afirmou que, embora as IAs não sejam reais, os sentimentos humanos envolvidos nessas interações são — talvez mais intensos do que nunca.
A Nostalgia, por sua vez, não era apenas um elemento de design, como nas bikes elétricas que remetiam às nossas Monark BMX, mas também um eixo central na forma como os produtos estão sendo pensados. A sul-coreana Gaudio, por exemplo, apresentou um dispositivo inspirado nos CDs dos anos 90: um gadget físico que, ao ser conectado ao celular, permite ouvir músicas de um único artista, apenas uma vez. Para repetir a experiência, é necessário reconectar o aparelho, quase como uma agulha de LP Player. Essa volta ao passado carrega um significado profundo: a experiência efêmera de consumir música contrasta com a cultura do acesso ilimitado, recriando o valor da escassez e da espera.
Esse anseio pelo passado não pode ser reduzido a uma simples saudade. Ele reflete um incômodo existencial: a vida era melhor antes? E se sim, o que podemos fazer para que o presente seja igualmente significativo?
A geração que cresceu sem a mediação digital entre as relações humanas surge agora como um referencial. Ela experimentou o tempo de forma diferente — sem a aceleração algorítmica, sem a hiperconectividade constante, sem a ansiedade gerada pela validação instantânea. No SXSW, essa experiência ganhou nova relevância: talvez a busca contemporânea pela Nostalgia não seja apenas um desejo de resgatar objetos ou estéticas, mas um chamado para redescobrir formas mais autênticas de viver e se relacionar. A resposta para a Solidão e o desejo por pertencimento pode estar naqueles que viveram antes da era digital — e na maneira como construíram suas conexões, num tempo diferente.
*Thiago Diniz – Head de planejamento da Lean Agency
Artigos
O fim do alcance orgânico? Como as Redes Sociais estão forçando marcas e criadores a pagar para serem vistos

*Vinícius Taddone
Nos últimos anos, o cenário das redes sociais mudou significativamente. Se antes marcas e criadores de conteúdo conseguiram alcançar grandes audiências de forma orgânica, hoje essa realidade parece estar cada vez mais distante. O algoritmo das principais plataformas – como Instagram, Facebook, TikTok e até o LinkedIn – tem reduzido significativamente o alcance gratuito das postagens, forçando empresas e influenciadores a investirem em mídia paga para garantir visibilidade. Mas o que está por trás dessa mudança e quais são as alternativas para quem quer continuar crescendo sem depender exclusivamente de anúncios?
O alcance orgânico, a quantidade de pessoas que visualizam uma publicação sem impulso, caiu ano após ano. No Facebook, por exemplo, esse número já foi superior a 16% em 2012, mas atualmente gira em torno de 2% a 5% para páginas empresariais. O Instagram segue o mesmo caminho, priorizando cada vez mais conteúdos pagos ou virais. O TikTok, que surgiu como uma alternativa mais democrática, também ajustou seu algoritmo para privilegiar conteúdos patrocinados e criadores que investem na plataforma.
Essa queda no escopo orgânico não é encomendado. Redes sociais são empresas e, como tais, precisam gerar receita. A principal forma de monetização dessas plataformas vem da venda de anúncios, o que significa que quanto menos alcance gratuito um perfil tiver, mais ele será incentivado a pagar para alcançar seu público.
Por isso, as redes sociais perderam o status de “rede” e passaram a ser, de fato, “mídias sociais”, onde a visibilidade é cada vez mais condicionada ao investimento financeiro. O conceito original de conectar pessoas foi substituído por um modelo de negócios que prioriza a exibição de conteúdos patrocinados, tornando o tráfego pago uma necessidade para quem deseja crescer nas plataformas.
As grandes marcas, com orçamentos robustos de marketing, recebem esse impacto e investem pesadamente na mídia paga. Pequenas empresas e criadores independentes, por outro lado, enfrentam desafios cada vez maiores para crescer e engajar sua audiência sem gastar dinheiro.
No entanto, vale observar que o tráfego de pagamento nas mídias sociais ainda é acessível. Hoje, com menos de R$ 6 por dia, qualquer pequeno negócio pode transferir um conteúdo e alcançar clientes em potencial. Isso democratizou o acesso à publicidade digital, permitindo que mais empreendedores tenham visibilidade. No entanto, essa dependência das plataformas também significa que, sem investimento, a exposição pode ser extremamente limitada.
Outro efeito colateral dessa mudança é a homogeneização do conteúdo. Com as redes priorizando conteúdos patrocinados ou altamente virais, os feeds estão cada vez mais padronizados, dificultando a diversificação de vozes e nichos.
Apesar das dificuldades, algumas estratégias ainda podem ajudar marcas e criadores a crescerem sem depender exclusivamente de anúncios pagos. No método que eu utilizo e ensino, chamado de Metamorfose Social Media ( acesse aqui ), defendo que para ter mais sucesso nas redes sociais, as marcas precisam seguir uma ordem importante para aumentar seu alcance:
1 – Ser : Antes de qualquer coisa, as marcas precisam expressar de forma clara seus valores, comportamentos e missão. O público se conecta com danos, e não apenas com produtos ou serviços. A essência da marca deve ser demonstrada na prática, e não apenas em discursos.
2 – Saber: Compartilhar conhecimento e expertise, oferecendo conteúdos que resolvam problemas e agreguem valor ao público.
3 – Vender: Só depois de construir autoridade e relacionamento é que a oferta de produtos ou serviços se torna mais natural e eficaz. Quando a marca já declarou quem é e o que sabe, a venda passa a ser consequência.
Ou seja, antes de falar sobre o que vende, a marca precisa mostrar o que é e o que sabe. Essa abordagem gera mais conexão e engajamento, tornando a presença digital mais forte.
Além disso, algumas estratégias ainda podem ajudar a ampliar o alcance orgânico sem depender exclusivamente de anúncios pagos:
Aposta no conteúdo de valor: Publicações que geram interação interativa, como enquetes, perguntas e debates, ainda oferecem um bom alcance.
Uso estratégico de Reels e Shorts: Formatos curtos e sonoros, especialmente os que seguem tendências, continuam sendo impulsionados pelas plataformas.
Comunidade e engajamento: Criadores que fortalecem o relacionamento com sua audiência – respondendo comentários, interagindo nos Stories e incentivando a participação – tendem a manter um alcance mais estável.
SMO (Social Media Optimization) para redes sociais: O uso de palavras-chave na bio, legendas e hashtags certamente ajuda a melhorar a descoberta do conteúdo.
Exploração de novas plataformas: À medida que redes como TikTok e LinkedIn ajustam seus algoritmos, novos espaços surgem com melhores oportunidades de alcance orgânico.
Exploração de novas plataformas: Ao invés de apostar tudo em uma única rede, como o Instagram, é essencial diversificar a presença digital. Plataformas como TikTok, Pinterest, LinkedIn, X, Threads e YouTube oferecem novas vitrines para os negócios.
Cada rede social que surge é uma nova vitrine para o seu negócio. Todas elas são indexadas pelo Google e, ao distribuir conteúdo para diversas plataformas, sua presença digital se torna mais robusta. Infelizmente, muitos ainda enxergam o marketing digital como sinônimo do Instagram, o que limita o potencial de crescimento. Apostar apenas em uma rede pode ser arriscado, pois qualquer mudança no algoritmo pode impactar diretamente os resultados.
O cenário atual deixa claro que o alcance orgânico não voltará ao que era antes. No entanto, isso não significa que ele vá desaparecer completamente. O desafio para marcas e criadores será equilibrar investimentos em mídia paga com estratégias que mantenham sua relevância e conexão com o público, garantindo que sua mensagem continue chegando às pessoas certas – com ou sem investimento em anúncios.
*Vinícius Taddone – Diretor de marketing e fundador da VTaddone®
You must be logged in to post a comment Login