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Eventos, como chegamos aos R$ 930 bilhões?

*Pedro Luis Torrano
Evento
Do Latim eventus.
- Aquilo que acontece; acontecimento: os importantes eventos de sua vida.
Dicionário Online de Português
O significado da palavra já resume o nosso maior objetivo como profissionais da área. Para nós, não há nada mais gratificante do que fazer acontecer. Sabemos que estar envolvido com a execução de um evento, seja ele qual for, é exatamente isso: transformar em acontecimento o que antes era apenas um plano.
E por que falamos a respeito?
Por mais envolvidos que estejamos diariamente, nem sempre nos sobra tempo para olhar para trás. E, assim como os números recentes que mostram a movimentação da indústria dos eventos no Brasil e no mundo, o passado deste setor é extremamente rico. Não há praticamente qualquer crescimento ou desenvolvimento histórico que não tenha surgido a partir de eventos. Culturais, políticos, esportivos ou corporativos, eles são a coluna vertebral da vida humana.
Seria, no mínimo, redundante falar aqui sobre a importância dessa indústria. Sabemos que os eventos são uma das melhores ferramentas de divulgação e aproximação disponíveis, mas eu gostaria de compartilhar alguns fatos históricos que podem nos fazer ainda mais orgulhosos e fascinados por este segmento tão construtivo.
Antiguidade e os primeiros passos
Os movimentos elementares do setor foram dados já na Grécia Clássica. Seja no âmbito esportivo/social, por meio das primeiras Olimpíadas, como também cientificamente. O primeiro congresso de que se tem notícia teve lugar em 377 a.C.. Nascia a necessidade de conectar demandas. Uma urgência em ligar indivíduos e, assim, surgem os primeiros eventos corporativos por meio das feiras, o melhor meio de comunicação comercial da época.
Primeira Expo e seus números impressionantes
Com a finalidade de mostrar ao mundo seu poder comercial, durante a Revolução Industrial, a Inglaterra decidiu expandir sua conquista de novos mercados organizando uma grande feira em Londres.
Patrocinada por príncipes da época, a Grande Exposição dos Trabalhos da Indústria de Todas as Nações, também conhecida como Expo Crystal Palace, foi um evento de 1851 que alcançou cifras poderosas. Foram 900 mil peças de vidros/cristais, uma participação de quase 20 mil empresas, das quais 7 mil vieram diretamente dos Estados Unidos. Recordes em todos os sentidos.
Eventos e a Torre Eiffel
Empolgada com o triunfo da feira de Londres, Paris decidiu embarcar alguns anos mais tarde nesta mesma aventura. Ali, desenvolveu-se a terceira edição da feira, em 1889. Com um investimento de 5 milhões de dólares, a exposição abrigou 21 mil expositores. Porém, o feito mais significativo ficou por conta de Gustav Eiffel.
Para dar lugar à exposição, foi construída uma torre de 300 metros de estrutura, capaz de aguentar ventos e chuvas passando por suas grandes aberturas. O evento acabou, mas o monumento símbolo parisiense, que seria desmontado ao final da feira, é um dos pontos turísticos mais importantes do país. Uma obra de engenharia incrível, capaz de impactar visitantes até os dias atuais.
E como estratégia de marketing?
Caminhando até a década de 90, vemos a inclusão dos eventos como conhecemos hoje: uma ferramenta indispensável para comunicação, publicidade e marca. Ao trocar o impacto de massa para investir na propaganda segmentada, os eventos atingiram patamares ainda mais elevados e provaram sua eficácia quando o assunto é estar próximo do seu público de maneira certeira. É o ponto onde a empresa deixa de estar focada totalmente em si para se dedicar ao cliente, a uma aproximação íntima e sutil.
Em números recentes, a indústria de eventos chegou a contabilizar uma movimentação anual de mais de R$ 930 bilhões no Brasil, com geração de 25 milhões de empregos diretos e indiretos e representatividade de quase de 13% no PIB Nacional – mais do que a indústria automobilística, farmacêutica ou petrolífera nacional (fontes: WTTC/World Travel & Tourism Council/Ministério do Turismo, UFF/Sebrae/ABEOC/Revista Eventos, CNC – Confederação Nacional do Comércio, Serviços e Turismo – dados de 2019).
Resumidamente, os eventos estão presentes em todos os passos de nossa civilização. São um termômetro para o sucesso e um ótimo veículo de mudanças. São os eventos que movem muitas rodas, de turismo a desenvolvimento de mercado. A nossa contribuição diária e dedicação assídua são significativas não só para as empresas, mas para a sociedade como um todo.
*Pedro Luis Torrano é sócio-diretor da Triart
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O novo marketing influencia operação, produto e receita nas empresas de tecnologia

*Vinicius Maritan
O marketing deixou de ser uma área de apoio há muito tempo. O varejo entendeu isso antes, basta observar como as grandes marcas operam e como o marketing influência pricing, jornada, experiência, dados, fidelização, produto e conversão. No B2B demorou um pouco mais. Durante anos, predominou a lógica em que a área de negócios definia a estratégia, vendas executava, operação entregava e o marketing comunicava.
Hoje podemos dizer que o marketing B2B evoluiu, mesmo com toda complexidade embarcada na estratégia: da comunicação à arquitetura de crescimento. Estamos gradativamente saindo do cenário de executores de campanhas para integrarmos o negócio e contribuir de fato para o impacto de receita, aquisição e retenção.
Trazendo para realidade do setor de tecnologia enterprise, não existem jornadas lineares nem decisões impulsivas. Existem ciclos longos, múltiplos stakeholders, processos consultivos, validações técnicas, áreas de segurança, procurement, jurídico, operação e governança participando simultaneamente da tomada de decisão.
E, nesse contexto, o marketing passou a protagonizar a orquestração da jornada, o que exige conhecimento de tecnologia, operação, produto, dados, experiência e eficiência de negócio. É necessário compreender o problema do cliente antes mesmo da narrativa e, talvez, este seja um dos movimentos mais importantes do setor atualmente.
Não é só fazer um bom ABM (Account-Based Marketing), uma experiência de vinhos e enviar alguns emails automáticos agradecendo a participação. O marketing precisa conhecer e influenciar, de fato, o negócio. A receita não nasce apenas da venda, ela nasce da construção de confiança.
Globalmente, esse avanço já aparece na consolidação de estruturas de Marketing Operations (MktOps), que integra sistemas, automatiza processos, otimiza custos e gera insights através de dados, e Revenue Operations (RevOps), que conectam marketing, vendas, customer success e operação em torno de uma mesma lógica de performance e geração de valor. Talvez esse seja um dos movimentos mais importantes do mercado atualmente: a evolução do marketing para uma disciplina operacional orientada a crescimento.
Segundo estudos recentes do Gartner e da McKinsey, empresas com maior maturidade em operações integradas de marketing apresentam ganhos significativos em eficiência comercial, previsibilidade de receita e aceleração de crescimento. Isso acontece porque o marketing deixa de atuar apenas na percepção de marca e passa a influenciar diretamente a dinâmica operacional do negócio.
Na prática, o mercado já observa uma “modernização estrutural” do marketing.
Esse é o ponto central da evolução do marketing: ele deixou de atuar somente na comunicação e passou a impactar diretamente a eficiência operacional, a experiência e o crescimento.
Sob esta lógica, marketing e operação começam a se fundir e, especialmente em tecnologia, isso é decisivo. Empresas precisam explicar soluções complexas, traduzir inovação em valor tangível e reduzir a distância entre capacidade técnica e geração de negócios.
Nesse sentido, o marketing ganha espaço nas decisões estratégicas das organizações, participando da definição de negócio, gestão de reputação, análise de riscos e aconselhamento ao CEO. A transformação é natural. Porque reputação, posicionamento, confiança e geração de demanda passaram a fazer parte da mesma equação de crescimento.
E, em tecnologia, os produtos são complexos, as jornadas são longas e a diferenciação técnica sozinha não sustenta crescimento. Por isso, o marketing se tornou um mecanismo de aceleração de receita, eficiência operacional e geração de valor. Quem ainda não entendeu isso talvez não esteja fazendo marketing, mas, sim, apenas propaganda.
*Vinicius Maritan – Diretor de marketing da Foursys, consultoria de tecnologia e negócio.
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Por que alguns eventos entram para a história e outros são esquecidos na semana seguinte?

*Evandro Monteiro
O que transforma um evento em uma referência? O tamanho? O número de participantes? Os palestrantes? Os patrocinadores?
Ao longo dos últimos vinte anos, acompanhei de perto a transformação da indústria de eventos. Nesse processo, foi possível observar como alguns conseguiram se tornar verdadeiros ambientes de construção de tendências, relacionamentos e negócios; não apenas refletindo as mudanças de um mercado, mas ajudando a direcioná-las.
E, talvez mais importante, pude ver de perto o que alguns fazem de diferente para alcançar esse nível de relevância.
Participei da trajetória de um desses casos, uma história que ajuda a entender como o sucesso é construído ao longo do tempo.’
Quando surgiu, há 16 anos, o Expert XP reunia cerca de 300 participantes. Era um encontro pequeno para os padrões atuais, mas carregava uma característica que acabaria se tornando decisiva: a capacidade de reunir pessoas interessadas não apenas em discutir o presente, mas em entender para onde o mercado caminhava.
O curioso é que, naquele momento, boa parte das referências ainda vinha de fora. As grandes tendências eram observadas em eventos internacionais, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. O Brasil ocupava mais a posição de espectador do que de protagonista dessas conversas.
Mas, aos poucos, isso começou a mudar.
O crescimento do mercado de investimentos, a evolução do perfil do investidor brasileiro e a própria maturidade do ecossistema financeiro fizeram surgir algo raro: um evento capaz de atrair atenção não apenas do público local, mas também de lideranças globais. Em poucos anos, aquela iniciativa se transformaria no maior festival de investimentos do mundo.
Hoje, o evento reúne cerca de 50 mil participantes, mais de 200 patrocinadores e 350 palestrantes distribuídos em mais de 120 horas de conteúdo. Mas o impacto desse evento não está apenas nos números. Está em promover debates que frequentemente antecipam movimentos do mercado.
E talvez seja justamente aí que esteja a resposta para a pergunta inicial.
Eventos se tornam relevantes quando deixam de acompanhar tendências e passam a influenciá-las.
E essa transformação é resultado de um processo de construção, que começa a funcionar muito antes da abertura dos portões e envolve muito mais do que estrutura, patrocínio ou capacidade de execução. Envolve curadoria, leitura de cenário, capacidade de reunir pessoas certas e, principalmente, manter a consistência e fazer boas escolhas ao longo do tempo.
Em eventos dessa magnitude, a preparação costuma levar praticamente um ano. Em muitos casos, a curadoria da edição seguinte começa antes mesmo do encerramento da anterior. Exige leitura de contexto econômico, compreensão de movimentos globais e capacidade de identificar temas que ainda estão surgindo, mas que provavelmente ocuparão o centro das discussões nos meses seguintes.
Ao longo dos anos, o palco da Expert recebeu lideranças políticas, empresários, investidores, atletas e personalidades reconhecidas internacionalmente. Nomes como Bill Clinton, Arnold Schwarzenegger, Magic Johnson e Kelly Slater passaram pelo evento e ajudaram a validá-lo.
Entre os nomes esperados para a próxima edição estão lideranças reconhecidas mundialmente, como Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente do Federal Reserve, além do historiador e escritor Niall Ferguson e especialistas ligados a algumas das maiores gestoras de investimentos do mundo.
Nos bastidores, o trabalho já está em andamento para viabilizar uma operação compatível com a dimensão que o evento alcançou. Receber autoridades e personalidades internacionais exige uma logística complexa, muitas vezes comparável à de grandes encontros globais. Em algumas edições, isso chegou a envolver a atuação conjunta de forças brasileiras e organismos internacionais para garantir o funcionamento de toda a estrutura. Mas, vale a pena.
Outro aspecto tão interessante quanto quem sobe ao palco está no que acontece ao redor dele. Nas conversas que começam nos corredores. Nos encontros que não estavam previstos (ou estavam). Nas conexões que se transformam em negócios, projetos e novas oportunidades. A valorização por networking qualificado, troca de experiências e a construção de relacionamento passou a ocupar um espaço tão relevante quanto as próprias palestras. É a chamada construção de comunidade, que muitos procuram ao ir a um evento.
A ideia é que tudo isso aconteça ali, durante o evento, mas não se limite a ele. Porque eventos verdadeiramente relevantes raramente terminam quando as luzes se apagam. Construímos cada detalhe para oportunizar experiências que possam ser levadas para casa e compartilhadas muito tempo depois que o evento acaba. Que as lições ali divididas sejam colocadas em prática e perdurem ao longo do tempo. Que o conteúdo influencie decisões, que pessoas e movimentos inspirem novas ideias e que as conexões construídas continuem aproximando pessoas muito depois do encerramento.
*Evandro Monteiro – CEO da Origami Marketing e Eventos.








