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O futuro da comunicação com o uso da Inteligência Artificial

*Ricardo Tarza
No final de 2022, viralizou nas redes sociais o uso de ferramentas de inteligência artificial específicas para criação de imagens de diferentes estilos, a partir de fotos pessoais. Por meio de um pequeno e simples descritivo de ações e poucos cliques, os usuários conseguiam transformar suas fotos normais em avatares robóticos, animalescos ou antiquados, representados através de ilustrações de nível artístico bastante alto.
Além de servir como uma prova de como a IA está bastante avançada, esse movimento viral acabou reacendendo um alerta que paira há algum tempo na nossa sociedade: o quanto o desenvolvimento tecnológico se tornará uma ameaça ao mercado de trabalho?
Antes de mais nada, não acredito que o desenvolvimento da IA irá substituir de forma integral a participação humana em qualquer atividade. Creio, por outro lado, que esse movimento inevitável e, porque não, irreversível, irá servir como ferramenta fundamental para que seja possível melhorar o nível de qualidade dos produtos e serviços. Digo isso, pois acredito que existe uma fronteira que, além de não ter sido superada até agora, talvez nunca seja rompida pela tecnologia: a criatividade e a inovação.
Na publicidade, por exemplo, há um contexto muito difícil de ser substituído por algum recurso tecnológico. Trata-se do relacionamento humano entre marcas e consumidores. Entretanto, não podemos esquecer que a IA é uma ferramenta capaz de elevar a entrega e a resposta de uma campanha, além de ser importante para aproximar uma marca de seu público.
Com as demandas de marketing digital cada vez mais aceleradas, produzir regularmente conteúdos de alta qualidade se tornou um passo extremamente importante para se manter competitivo no mercado. É aí que essas ferramentas de IA podem auxiliar como, por exemplo, na produção de um texto. Mesmo que não consiga substituir todo o trabalho feito pelos redatores, a tecnologia contribui com a estrutura e a sintaxe desses materiais, deixando o mais atraente e compreensível, sem comprometer o estilo de escrita do autor. No caso de um designer, softwares como o citado logo no início do texto podem ser importantes para construir as primeiras prévias das imagens que serão utilizadas no case, auxiliando o processo de criação de todo o componente visual do produto.
Além desses fatores, podemos ressaltar ainda que o uso do recurso tecnológico também traz novas oportunidades para os profissionais criativos. Com a automatização de tarefas rotineiras, os responsáveis pelos processos mais inventivos terão mais tempo para se dedicar à criação de materiais de alto nível e à experimentação, testando novas técnicas e formatos para o produto.
Neste caso, a tecnologia pode contribuir também para a distribuição das ações publicitárias por meio de um trabalho de identificação de comportamentos e preferências por parte do público-alvo almejado, melhorando assim a compra de mídia. Além disso, algoritmos de IA podem analisar dados em tempo real e ajustar as campanhas de acordo com a necessidade, permitindo elevar as taxas de conversão e um retorno sobre o investimento mais significante.
Vale ressaltar que não vamos deixar de lado as diversas lutas e transformações na criação ao longo das últimas três décadas, como os avanços nas formas manuais de se produzir uma campanha, passando pelos equipamentos de grande impressão, máquinas de escrever ou vetores de imagem, muito pelo contrário. O movimento tecnológico no segmento a partir dos anos 2000, ajudou a Inteligência Artificial a ficar cada vez mais presente nos processos criativos.
Por isso, acredito que a utilização de IA no processo criativo é uma realidade. O uso correto de ferramentas como Chat GPT, que pode ser utilizado pelos planners e redatores conteudistas, e o trio DALL-E, Midjourney e Lensa, para os diretores de arte, pode ser de grande valia para milhares de agências e profissionais na execução de campanhas de comunicação – deixando de ser vista como uma inimiga, mas como uma aliada no processo criativo. Até porque, por mais avançada que seja a tecnologia, a jornada da criatividade ainda é uma qualidade essencialmente humana. Sugiro que estejamos abertos e preparemos nosso caminho para desfrutarmos da melhor forma as novidades que estão por vir em 2023.
*Ricardo Tarza – Sócio e diretor de inovação e criatividade na DreamOne
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O novo marketing influencia operação, produto e receita nas empresas de tecnologia

*Vinicius Maritan
O marketing deixou de ser uma área de apoio há muito tempo. O varejo entendeu isso antes, basta observar como as grandes marcas operam e como o marketing influência pricing, jornada, experiência, dados, fidelização, produto e conversão. No B2B demorou um pouco mais. Durante anos, predominou a lógica em que a área de negócios definia a estratégia, vendas executava, operação entregava e o marketing comunicava.
Hoje podemos dizer que o marketing B2B evoluiu, mesmo com toda complexidade embarcada na estratégia: da comunicação à arquitetura de crescimento. Estamos gradativamente saindo do cenário de executores de campanhas para integrarmos o negócio e contribuir de fato para o impacto de receita, aquisição e retenção.
Trazendo para realidade do setor de tecnologia enterprise, não existem jornadas lineares nem decisões impulsivas. Existem ciclos longos, múltiplos stakeholders, processos consultivos, validações técnicas, áreas de segurança, procurement, jurídico, operação e governança participando simultaneamente da tomada de decisão.
E, nesse contexto, o marketing passou a protagonizar a orquestração da jornada, o que exige conhecimento de tecnologia, operação, produto, dados, experiência e eficiência de negócio. É necessário compreender o problema do cliente antes mesmo da narrativa e, talvez, este seja um dos movimentos mais importantes do setor atualmente.
Não é só fazer um bom ABM (Account-Based Marketing), uma experiência de vinhos e enviar alguns emails automáticos agradecendo a participação. O marketing precisa conhecer e influenciar, de fato, o negócio. A receita não nasce apenas da venda, ela nasce da construção de confiança.
Globalmente, esse avanço já aparece na consolidação de estruturas de Marketing Operations (MktOps), que integra sistemas, automatiza processos, otimiza custos e gera insights através de dados, e Revenue Operations (RevOps), que conectam marketing, vendas, customer success e operação em torno de uma mesma lógica de performance e geração de valor. Talvez esse seja um dos movimentos mais importantes do mercado atualmente: a evolução do marketing para uma disciplina operacional orientada a crescimento.
Segundo estudos recentes do Gartner e da McKinsey, empresas com maior maturidade em operações integradas de marketing apresentam ganhos significativos em eficiência comercial, previsibilidade de receita e aceleração de crescimento. Isso acontece porque o marketing deixa de atuar apenas na percepção de marca e passa a influenciar diretamente a dinâmica operacional do negócio.
Na prática, o mercado já observa uma “modernização estrutural” do marketing.
Esse é o ponto central da evolução do marketing: ele deixou de atuar somente na comunicação e passou a impactar diretamente a eficiência operacional, a experiência e o crescimento.
Sob esta lógica, marketing e operação começam a se fundir e, especialmente em tecnologia, isso é decisivo. Empresas precisam explicar soluções complexas, traduzir inovação em valor tangível e reduzir a distância entre capacidade técnica e geração de negócios.
Nesse sentido, o marketing ganha espaço nas decisões estratégicas das organizações, participando da definição de negócio, gestão de reputação, análise de riscos e aconselhamento ao CEO. A transformação é natural. Porque reputação, posicionamento, confiança e geração de demanda passaram a fazer parte da mesma equação de crescimento.
E, em tecnologia, os produtos são complexos, as jornadas são longas e a diferenciação técnica sozinha não sustenta crescimento. Por isso, o marketing se tornou um mecanismo de aceleração de receita, eficiência operacional e geração de valor. Quem ainda não entendeu isso talvez não esteja fazendo marketing, mas, sim, apenas propaganda.
*Vinicius Maritan – Diretor de marketing da Foursys, consultoria de tecnologia e negócio.
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Por que alguns eventos entram para a história e outros são esquecidos na semana seguinte?

*Evandro Monteiro
O que transforma um evento em uma referência? O tamanho? O número de participantes? Os palestrantes? Os patrocinadores?
Ao longo dos últimos vinte anos, acompanhei de perto a transformação da indústria de eventos. Nesse processo, foi possível observar como alguns conseguiram se tornar verdadeiros ambientes de construção de tendências, relacionamentos e negócios; não apenas refletindo as mudanças de um mercado, mas ajudando a direcioná-las.
E, talvez mais importante, pude ver de perto o que alguns fazem de diferente para alcançar esse nível de relevância.
Participei da trajetória de um desses casos, uma história que ajuda a entender como o sucesso é construído ao longo do tempo.’
Quando surgiu, há 16 anos, o Expert XP reunia cerca de 300 participantes. Era um encontro pequeno para os padrões atuais, mas carregava uma característica que acabaria se tornando decisiva: a capacidade de reunir pessoas interessadas não apenas em discutir o presente, mas em entender para onde o mercado caminhava.
O curioso é que, naquele momento, boa parte das referências ainda vinha de fora. As grandes tendências eram observadas em eventos internacionais, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. O Brasil ocupava mais a posição de espectador do que de protagonista dessas conversas.
Mas, aos poucos, isso começou a mudar.
O crescimento do mercado de investimentos, a evolução do perfil do investidor brasileiro e a própria maturidade do ecossistema financeiro fizeram surgir algo raro: um evento capaz de atrair atenção não apenas do público local, mas também de lideranças globais. Em poucos anos, aquela iniciativa se transformaria no maior festival de investimentos do mundo.
Hoje, o evento reúne cerca de 50 mil participantes, mais de 200 patrocinadores e 350 palestrantes distribuídos em mais de 120 horas de conteúdo. Mas o impacto desse evento não está apenas nos números. Está em promover debates que frequentemente antecipam movimentos do mercado.
E talvez seja justamente aí que esteja a resposta para a pergunta inicial.
Eventos se tornam relevantes quando deixam de acompanhar tendências e passam a influenciá-las.
E essa transformação é resultado de um processo de construção, que começa a funcionar muito antes da abertura dos portões e envolve muito mais do que estrutura, patrocínio ou capacidade de execução. Envolve curadoria, leitura de cenário, capacidade de reunir pessoas certas e, principalmente, manter a consistência e fazer boas escolhas ao longo do tempo.
Em eventos dessa magnitude, a preparação costuma levar praticamente um ano. Em muitos casos, a curadoria da edição seguinte começa antes mesmo do encerramento da anterior. Exige leitura de contexto econômico, compreensão de movimentos globais e capacidade de identificar temas que ainda estão surgindo, mas que provavelmente ocuparão o centro das discussões nos meses seguintes.
Ao longo dos anos, o palco da Expert recebeu lideranças políticas, empresários, investidores, atletas e personalidades reconhecidas internacionalmente. Nomes como Bill Clinton, Arnold Schwarzenegger, Magic Johnson e Kelly Slater passaram pelo evento e ajudaram a validá-lo.
Entre os nomes esperados para a próxima edição estão lideranças reconhecidas mundialmente, como Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente do Federal Reserve, além do historiador e escritor Niall Ferguson e especialistas ligados a algumas das maiores gestoras de investimentos do mundo.
Nos bastidores, o trabalho já está em andamento para viabilizar uma operação compatível com a dimensão que o evento alcançou. Receber autoridades e personalidades internacionais exige uma logística complexa, muitas vezes comparável à de grandes encontros globais. Em algumas edições, isso chegou a envolver a atuação conjunta de forças brasileiras e organismos internacionais para garantir o funcionamento de toda a estrutura. Mas, vale a pena.
Outro aspecto tão interessante quanto quem sobe ao palco está no que acontece ao redor dele. Nas conversas que começam nos corredores. Nos encontros que não estavam previstos (ou estavam). Nas conexões que se transformam em negócios, projetos e novas oportunidades. A valorização por networking qualificado, troca de experiências e a construção de relacionamento passou a ocupar um espaço tão relevante quanto as próprias palestras. É a chamada construção de comunidade, que muitos procuram ao ir a um evento.
A ideia é que tudo isso aconteça ali, durante o evento, mas não se limite a ele. Porque eventos verdadeiramente relevantes raramente terminam quando as luzes se apagam. Construímos cada detalhe para oportunizar experiências que possam ser levadas para casa e compartilhadas muito tempo depois que o evento acaba. Que as lições ali divididas sejam colocadas em prática e perdurem ao longo do tempo. Que o conteúdo influencie decisões, que pessoas e movimentos inspirem novas ideias e que as conexões construídas continuem aproximando pessoas muito depois do encerramento.
*Evandro Monteiro – CEO da Origami Marketing e Eventos.








