Artigos
Criando magia na vida em comunidade: o papel das marcas na nova era de conexão

*Luciana Leie
No cenário atual, marcado por uma infinidade de ferramentas de inteligência artificial, somos inundados por possibilidades criativas sem precedentes. O ordinário pode se transformar em algo extraordinário diante dos nossos olhos, mas, paradoxalmente, essa profusão de opções também tem tornado a vida online previsível e, por vezes, monótona.
Em resposta a essa realidade, temos observado o surgimento de movimentos que buscam resgatar a magia da presença, da conexão humana, aliada ao entretenimento, ao inusitado. Esses fluxos encontram eco especialmente entre as novas gerações, que anseiam por experiências autênticas e espontâneas. Eventos como a noite do bingo da Jacquemus em Paris, “raves” em cafés na Turquia, e concursos de sósias ao redor do mundo são exemplos de como o inesperado está sendo celebrado.
Conforme o relatório “Accenture Life Trends 2025”, as pessoas têm encontrado uma alegria pura em criar memórias por meio de experiências tangíveis e por vezes inesperadas, baseadas em diversão genuína e comunidades autênticas. Uma grande oportunidade que marcas verdadeiramente inovadoras têm aproveitado.
Estudos como o da TINT (plataforma de marketing comunitário), de 2023, revelam que 84% das pessoas acreditam que a comunidade em torno de uma marca impacta diretamente seus sentimentos em relação a ela. No entanto, é importante que as marcas evitem a tentação de simplesmente se apropriar de movimentos culturais preexistentes. Em vez disso, a verdadeira oportunidade está em apoiar ou criar algo novo que atenda às necessidades das pessoas engajadas.
Os dados de 2024 da Strava, aplicativo de monitoramento de exercícios físicos, ilustram bem esse ponto, com um aumento significativo nos clubes de corrida e corridas em grupos: atividades com “café” no título tiveram uma média de 25% do tempo total de atividade gasto parado, cerca de 46 minutos, mostrando um crescente desejo de conexão em e para além das atividades físicas. A Bandit, uma marca de sportswear, capturou essa tendência ao integrar coffee shops e outras amenidades em suas lojas para promover a convivência da comunidade de corredores.
Viver a vida da comunidade é uma disciplina que requer entender suas necessidades e surpreender constantemente com experiências de marca que transcendem apenas conteúdo de comunicação. Um campo aberto para a criatividade.
*Luciana Leie – Sócia da LYP Branding e Estratégia
Artigos
PDV afetivo: por que a conexão emocional se tornou estratégica para o varejo?

Artigos
Missão possível: quando a liderança entra no personagem e a brincadeira vira coisa séria









