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Consistência é o novo growth acelerado

*Nyara Arcieri
Como profissional de marketing e growth no mercado de tecnologia SaaS, percebo cada vez mais que o verdadeiro diferencial competitivo não está apenas na capacidade de planejar, mas na habilidade de ajustar o plano enquanto ele ainda está acontecendo. A virada do ano sempre traz aquele impulso natural de reorganizar metas, mas no setor de uma TechFin, onde tudo evolui em ritmo acelerado, planejar 2026 exige um pensamento que as vezes incomoda: o que eu ou meu time fizemos esse ano que não foi como o esperado? E o que foi melhor do que imaginávamos? De onde veio o resultado, de fato?
Gosto muito da frase de Philip Kotler que diz que marketing não é uma batalha de produtos, é uma batalha de percepções. Isso me guia sempre que reviso os resultados do ano. Antes de entrar em qualquer discussão sobre orçamento ou caminhos futuros, olho para as percepções que construímos. O que as pessoas acreditam sobre nosso valor, nossa experiência, nossa entrega real para o cliente? Percepções mudam rápido e precisam ser lidas com atenção. Só assim os dados contam a história completa.
A revisão anual não é apenas um relatório. É quando conseguimos enxergar com mais clareza o impacto das escolhas feitas ao longo do tempo. Não serve para repetir fórmulas, serve para identificar padrões. É quando entendemos por que determinadas iniciativas foram bem-sucedidas e porque outras não ganharam tração. É quando paramos para analisar o racional por trás de cada acerto e cada aprendizado, sem romantizar ações isoladas.
Para mim, a grande chave está na construção de um plano que mantém direção, mas aceita ajustes contínuos. Simon Sinek sempre afirma que grandes líderes são os que sabem fazer as perguntas certas. Ao pensar em 2026, a pergunta que coloco na mesa é: como garantir clareza estratégica sem perder a capacidade de mudar rápido? Isso envolve metas inteligentes, revisões frequentes e abertura para adaptar prioridades conforme o mercado se movimenta. E sabemos que ele vai se movimentar. O marketing de anos atrás que se planejava o ano todo e estava cravado em pedra, infelizmente já não sobrevive. O novo (e famoso) funil de vendas do marketing, já não tem começo, meio e fim. Ele é o chamado flywheel e ele é cíclico, pois as percepções mudam. Um cliente feliz hoje pode não ser feliz para sempre, pois as necessidades mudam, por isso é preciso se antecipar.
Encaro o planejamento como uma bússola. Ele aponta o norte, mas permite mudanças de rota sempre que surgirem novos dados, novas oportunidades ou mudanças no comportamento do cliente. Já um plano fechado funciona como um trilho e, sinceramente, trilhos não combinam com a dinâmica do nosso setor. A agilidade não está em improvisar, mas em ajustar com consciência e velocidade. Errar rápido para corrigir rápido também faz parte do jogo da inovação. Quem não erra tem grandes possibilidades de não inovar (e de não acertar).
Essa flexibilidade só existe quando a cultura de dados é enraizada, onde se orientam para tomada de decisões, onde o feedback é usado como combustível de evolução e experimentos acontecem antes que alguém se agarre na necessidade de provar um ponto. Empresas que crescem de forma consistente são aquelas que promovem ambientes de aprendizado real, não de ego.
Por isso, acredito que planejar 2026 desde já é uma vantagem, mas planejar com flexibilidade é uma necessidade. É dessa combinação que nasce o crescimento sustentável. Análise profunda do que funcionou, clareza do que merece evoluir e coragem para revisar o roteiro sempre que necessário. Kotler nos lembra da importância das percepções. Sinek nos lembra da importância do porquê. Entre esses dois pensamentos encontro a forma mais inteligente de preparar o próximo ano.
O mercado não vai diminuir o ritmo. 2026 não vai esperar, mas o jogo não é crescer a qualquer custo. O mercado já mostrou algumas vezes que crescimento acelerado sem sustentação facilmente gera impactos negativos a longo prazo na saúde financeira das empresas, no EBITDA, por exemplo. O que realmente faz uma empresa prosperar é crescer com consistência. E consistência nasce de duas coisas que caminham juntas: saber claramente para onde se quer ir e estar disposto a ajustar continuamente como chegar lá. O planejamento dá direção. A flexibilidade mantém a empresa viva. Quando esses dois elementos se encontram, o crescimento deixa de ser um pico ocasional e se torna um movimento contínuo, saudável e sustentável. É isso que separa empresas que apenas escalam daquelas que permanecem relevantes.
*Nyara Arcieri – Gerente de marketing e de growth da Accesstage,
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Marketing de influência: como potencializa a geração de negócios B2B?

*Renan Cardarello
O marketing de influência já provou sua força no mercado B2C, mas ainda existe uma oportunidade pouco explorada no universo B2B: transformar especialistas em verdadeiros agentes de geração de negócios. Em um ambiente onde decisões de compra são mais complexas e envolvem múltiplos responsáveis, essa construção de credibilidade passou a ser um fator determinante para empresas que desejam gerar vendas de forma consistente – transformando autoridade em confiança, e confiança em oportunidades reais de geração de valor.
Nesse cenário, especialistas, executivos e lideranças têm assumido um papel cada vez mais relevante na produção de conteúdo e no fortalecimento da reputação das marcas. Isso porque, mais do que ampliar o alcance das empresas, esses profissionais ajudam a construir autoridade, compartilhar conhecimento e aproximar as organizações de potenciais clientes, ao transformar suas experiências e perspectivas em pontos de conexão com um público que busca informação qualificada antes de tomar decisões.
Isso, na prática, é visto em comunicações que vão além do que apenas institucionais. É muito comum, por exemplo, que, antes de contratar um fornecedor, os gestores pesquisem referências, acompanhem especialistas do setor e consumam conteúdos que demonstrem experiência prática sobre determinado assunto. Nesse contexto, a autoridade construída por pessoas passa a complementar a autoridade da própria empresa.
Essa movimentação ganha ainda mais força com a consolidação dos canais digitais na jornada de compra B2B. Segundo o Panorama de Marketing e Vendas 2025, como prova disso, as redes sociais estão entre os principais canais utilizados pelas empresas para a geração de leads – o que reforça sua importância no ponto de relacionamento entre as partes, abrindo espaço para conteúdos produzidos por profissionais que atuam, diretamente, no mercado, e que, justamente por isso, conseguem agregar conhecimento, experiência e credibilidade às conversas que antecedem uma decisão de compra.
Plataformas como o LinkedIn ganham protagonismo nesse processo. A rede deixou de ser utilizada apenas para networking e recrutamento, passando a funcionar como um ambiente de troca de conhecimento, compartilhamento de experiências e posicionamento profissional. Nesse contexto, publicações produzidas por especialistas ajudam a manter as empresas presentes no cotidiano de clientes e parceiros, fortalecendo sua reputação de forma contínua e criando pontos de contato que podem influenciar decisões futuras.
Ainda, outro movimento que também vem crescendo é o employee advocacy, estratégia que incentiva colaboradores e lideranças a compartilharem, em seus próprios perfis, conteúdos relacionados ao mercado, tendências e boas práticas. Ao ampliar o número de vozes que representam a empresa, a organização consegue aumentar seu alcance de maneira mais orgânica e, ao mesmo tempo, fortalecer a percepção de autenticidade. Afinal, quando o conhecimento é compartilhado por pessoas que vivenciam o mercado e conhecem, de perto, os desafios dos clientes, a comunicação tende a ser percebida menos como publicidade e mais como uma contribuição relevante para a tomada de decisão.
Esse tipo de estratégia, contudo, não substitui as ações tradicionais de marketing, pelo contrário. A atuação de especialistas potencializa iniciativas de branding, eventos e geração de demanda, criando diferentes pontos de contato ao longo da jornada de compra. Ainda mais, considerando que o mercado B2B depende, cada vez mais, da construção de relacionamento antes da abordagem comercial em si.
Para que haja a conquista de resultados verdadeiramente positivos nesse sentido, é necessário produzir conteúdos relevantes de forma consistente. O objetivo não deve ser promover produtos ou serviços em todas as publicações, mas compartilhar conhecimento, análises, tendências e experiências capazes de gerar valor para o público, de forma que a venda seja uma consequência da autoridade construída ao longo do tempo.
A comunicação precisa estar, constantemente, alinhada ao posicionamento corporativo, assegurando que as mensagens estejam coerentes com a visão do negócio e fortalecendo, assim, a identidade da organização, aumentando sua capacidade de gerar conexões duradouras.
Em um ambiente digital marcado pelo excesso de informações, profissionais que compartilham conhecimento de forma consistente conseguem estabelecer relações de confiança que, dificilmente, seriam construídas apenas por campanhas publicitárias. Mais do que uma tendência, esse fortalecimento da autoridade representa uma evolução na forma como empresas se relacionam com o mercado, combinando conhecimento técnico, presença digital e produção de conteúdo relevante, e ampliando sua capacidade de gerar negócios e construir relacionamentos sustentáveis no ambiente B2B.
*Renan Cardarello – Fundador e diretor da iOBEE , agência de marketing digital e growth.
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Marketing na era da IA: quando o feed satura, o produto precisa se vender

*Clarisse Medeiros
Sigo sendo uma voyeur entusiasta do TikTok, mas confesso: a onipresença das sacolinhas laranja tem testado minha paciência desde que o TikTok Shop desembarcou no Brasil. Meu reflexo, assim que o olho bate no ícone do social commerce, é pular o vídeo antes de ouvir o fatídico “eu sinto muito se você comprou ontem este jogo de lençóis”. No entanto, na semana passada, a barreira caiu. Fui convencida a clicar: comprei um kit de escovas de dentes coloridas por uma fração do preço daquela marca suíça das farmácias. No dia seguinte o produto estava na minha porta, embalado na caixa mais bonita que já vi para um item tão trivial.
Velocidade, preço, qualidade e a experiência tátil do unboxing redimiram o esforço de mídia de uma plataforma que, instantaneamente, ganhou um pouquinho da minha atenção. A conclusão é um nó na garganta da marqueteira aqui: a comunicação me afastou, mas o produto e a experiência me trouxeram de volta.
Pulemos as buzzwords habituais: economia da atenção, interrupção, relevância. O ponto central aqui é a eficiência: o que fazemos hoje para vender se o público desenvolveu imunidade à propaganda? A resposta é o retorno à essência: o produto.
A publicidade prometeu ao longo do tempo formatos menos invasivos, mas a entrega ficou na superfície. A categoria apenas sofisticou as formas de driblar o “skip”. O resultado? No esforço de sussurrar, acabamos gritando. Do outro lado da tela, o consumidor sabe que é disputado e se vê na posição de aumentar muito a exigência. Já não basta capturar a atenção, precisamos merecer o cliente. Como o discurso das marcas já não tem lá muita credibilidade, a prova real precisa chegar na porta de casa em 24 horas, dentro de uma caixa que surpreenda.
Dados da Edelman publicados em 2025 indicam que a confiança apareceu, pela primeira vez, como um critério de compra com o mesmo peso que preço e qualidade. A Kantar reforça essa tese: 75% da construção de marca ocorre fora da mídia paga, nas interações diretas e na experiência cotidiana.
A entrada da inteligência artificial na equação complica e simplifica ao mesmo tempo. Complica porque reduziu a quase zero o custo de produção de conteúdo, gerando uma “escassez às avessas”: o feed se transformou em um aterro de coisas iguais. Simplifica porque, neste cenário de ruído absoluto, o diferencial é o que sustenta o barulho: o produto. É aqui que uma marca AI native brilha. A IA pode não criar sozinha um anúncio “impulável”, mas, se bem dominada, ela viabiliza um produto digno de nota.
Aprendemos que nosso melhor argumento não é nosso, mas do cliente. Em reações como “Meu Deus, isso funciona”, “Caraca, dá pra fazer isso?” ou “Eita, nunca tinha visto esse dado”, o produto se vende. O marketing tem a função de instigar o teste. Depois disso, o produto assume a régua e um abraço.
Antes que se conclua que o marketing virou departamento decorativo: calma. Um vestido de alta costura trancado no armário é menos útil que uma camisola de camelô. As pessoas ainda precisam saber que sua marca existe, precisam de uma porta de entrada e de um motivo pra testar. O marketing de hoje constrói essa ponte com coerência entre o que a marca promete e o que ela entrega. Marca, produto e experiência agora jogam no mesmo time. É o novo growth e branding: produto, experiência e marketing sentando juntos no recreio.
A sugestão objetiva para quem senta na cadeira de marketing amanhã de manhã é: pare de tentar maquiar produtos medianos com campanhas geniais e vai colocar a mão na jornada. Seu próximo grande projeto não deveria ser um vídeo de 15 segundos para driblar o skip, mas sim garantir que o onboarding seja mágico, que o suporte resolva rápido, que a embalagem tire o fôlego. E se parte do orçamento de mídia financiar a experiência? Porque quando a entrega é impecável, o produto faz o barulho por você. E quando não é… bom, aí só resta cruzar os dedos e torcer para ninguém pular o vídeo da sacolinha laranja.
*Clarisse Medeiros – Head de marketing do Jota.








