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De influencers a empresários digitais, uma evolução mais rentável

Publicado

em

*Arthur Alvarenga

Nunca houve um momento tão bom para um empreendedor evoluir um negócio digital. Quando falamos da já conhecida figura do influencer, a barreira de entrada baixa para quem já conta com uma presença online há anos, a margem de lucro alta e um alcance que beira o infinito são vantagens competitivas só aguardando para serem aproveitadas.

Partimos de um cenário no qual há dois métodos para influencers ganharem dinheiro: receita de publicidade em plataformas que premiam por views, como Youtube e TikTok, e parcerias com marcas que pagam os influenciadores para usar a distribuição deles em ações (o famoso ‘publi’).

Há uma terceira maneira de monetizar que desponta: a evolução da pessoa que produz conteúdo para conseguir audiência e engajamento para quem efetivamente cria um verdadeiro negócio online. A chave para entender quem é um bom candidato tem, obviamente, muito a ver com a história que esses perfis construíram até aqui.

Quem focou seus esforços em ganhar autoridade e, com ela, uma audiência não apenas volumosa, mas interessada em determinado assunto ou nicho tem as condições ideais para comercializar diretamente a esse público. O exemplo mais prático para entender essa possibilidade é de quem produz um curso online, ou uma comunidade com acesso via assinatura. São iniciativas que garantem o poder de monetizar extrapolando os limites de quem segue aqueles perfis. Para dar uma amostra, há empresários digitais que somam 50 mil seguidores e, ao investir em uma estrutura de equipes de marketing, conseguem chegar ao R$ 1 milhão por ano, ou até cinco vezes esse valor, mesmo com essa quantidade menos expressiva de gente seguindo.  Aliás, mais de um terço do GMV circulando vem de perfis com menos de 50 mil seguidores.

Na comparação histórica, são casos que lembram a trajetória de pessoas nos anos 2000 começando a vender pelo e-commerce e criando negócios digitais baseados nesse comércio virtual.

Da mesma maneira, houve primeiro um cenário de tentativas com acertos e erros, de
testagem de estratégias e posso afirmar que uma das mais certeiras é conceber o negócio digital verticalizado em um assunto ou tema específico; se um influenciador foca em lifestyle, por exemplo, vai ser difícil alguém abrir a carteira apenas para ver mais daquele dia a dia; a questão não é apenas ser um conteúdo exclusivo, mas, sim, mais pragmático e, principalmente, funcional.

Temos conferido que empresários digitais com uma estratégia de criar conteúdo
verticalizado costumam ter mais sucesso na monetização. Outro aspecto importante é não confiar apenas no alcance orgânico; é necessário ter uma estratégia de anúncios pagos, de impulsionamento e criar também um CRM.

Apesar dos empresários digitais estarem se reinventado, a barra da qualidade e atenção estão ficando cada vez mais competitivas. Isso faz com que alguns deles tenham tíquete médio alto, na casa dos R$ 20 mil ou até R$ 50 mil, então eles precisam compor uma equipe de vendas condizente com esses valores – e muitos estão fazendo isso. Já conheci vários empreendedores com times de 40 pessoas, sendo metade delas focadas em vendas.

O último ponto que gostaria de destacar é que os empresários digitais precisam aprender a considerar retenção e lifetime value. Como eles têm naturalmente grande poder de distribuição e engajamento, fica mais fácil concentrar os esforços em uma nova venda do que em reter clientes antigos; o discurso para mostrar a alguém o que ele vai aprender, quais ferramentas terá acesso, e que habilidades conquistará é um argumento de vendas mais palpável e prático. O desafio é fazer com que o cliente realmente entenda a proposta de valor e estimular o desejo de repeti-la seguidamente.

*Arthur Alvarenga – Fundador e CEO da Hubla

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O marketing que lucra com a confusão do consumidor tem prazo de validade

Publicado

em

*Valter Roldão

Existe um tipo de negócio que só funciona se o cliente não entender direito o que está comprando. Não estou falando de fraude, estou falando de modelo. Categorias inteiras de consumo, no varejo brasileiro e fora dele, foram construídas sobre uma engenharia deliberada de confusão.

O preço de verdade que ninguém revela, de modo que o cliente paga não o valor real, mas o resultado de quanto conseguiu insistir na negociação. A letra miúda que reserva a exceção que interessa. O jargão técnico que existe menos para informar e mais para impedir a comparação. Funciona porque, historicamente, decifrar custava mais caro do que simplesmente confiar.

Esse modelo tem prazo de validade, e o prazo está vencendo mais rápido do que a maioria das marcas percebe.

O consumidor de hoje tem em mãos ferramentas de comparação que não existiam há uma década: preço histórico rastreável, avaliação de terceiros, comunidade disposta a expor publicamente quem exagerou na promessa. E ele usa essas ferramentas. Pesquisa do Reclame AQUI com 2,3 mil consumidores, divulgada em 2025, mostra que 81,54% leem avaliações antes de comprar e 95,44% consideram a autenticidade e a transparência da marca importantes na decisão de compra.

A opacidade que antes era vantagem competitiva virou risco reputacional. Uma letra miúda descoberta em vídeo viraliza mais rápido do que qualquer campanha paga consegue compensar. A assimetria de informação, matéria-prima desse tipo de negócio, está sendo corroída estruturalmente, não por regulação, mas pelo próprio comportamento do consumidor.

E é aqui que a clareza deixa de ser escolha de posicionamento e vira decisão competitiva fria. A marca que explica, que assume o papel de tradutora da categoria, não está fazendo caridade: está pegando para si a decisão de compra de todo mundo que está cansado de tentar decifrar sozinho. Quem explica primeiro, explica melhor, e captura a confiança antes de o concorrente sequer tentar.

O aprendizado de quem chega para vender clareza

Aprendi isso na prática quando chegamos ao Brasil. A expectativa inicial era de que o desafio estivesse no produto. Não estava. A barreira real estava no repertório do consumidor sobre o que, afinal, define qualidade na categoria.

Perguntas básicas como por que um colchão custa o que custa e o que muda de uma densidade para outra não tinham resposta clara disponível em lugar nenhum. A categoria inteira comunicava por comparação de preço e por promessas vagas de conforto, nunca por explicação.

Adaptar a comunicação, e não o produto, foi o que rendeu resultado. E aqui está o custo real dessa escolha: prometer longos prazos de garantia ou preço estável, sem encenação de desconto, só é sustentável para quem não tem nada a esconder. São compromissos caros justamente porque exigem coerência. Não dá para prometer transparência e, ao mesmo tempo, recorrer à falsa urgência da promoção que “acaba hoje” e reaparece idêntica amanhã. Ou a marca é clara o tempo todo, ou não é clara em momento nenhum.

Para onde isso caminha

O que vejo à frente é o preço de verdade e a especificação técnica virando o novo campo de disputa, não o desconto encenado. O sinal já aparece nas pesquisas: o estudo Tendências de Consumidores 2025-2026, da GS1 Brasil, aponta que mais de 70% dos consumidores dizem que informações claras e confiáveis aumentam a confiança na marca, e que a checagem antes da compra virou hábito, com o site do fabricante consultado por 56% deles.

Categorias que ainda vendem pela confusão vão descobrir, uma a uma, que o consumidor parou de tolerar o ruído e passou a comparar pelo que é verificável: o que o produto entrega e pelo que ele custa, de fato. O mercado vai se dividir entre quem já sabia falar de especificação real e quem está aprendendo às pressas, sob holofote e sem tempo de errar.

*Valter Roldão – CEO da Luuna no Brasil

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Do backstage ao legado: a aposta na descarbonização de eventos como estratégia de marca

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*Leandra Peres

Inicialmente, a sustentabilidade em grandes eventos é associada à gestão de resíduos, à redução de plásticos descartáveis e à compensação das emissões geradas no local da realização. Mas um novo movimento começa a ganhar força no setor de entretenimento: a ampliação do conceito de responsabilidade ambiental para toda a jornada do público. A iniciativa, que tem raízes em discussões promovidas por especialistas em produção ecoconsciente de eventos ao longo dos últimos anos,
inclusive na COP30, ganha agora escala inédita com a parceria entre o Rock in Rio Brasil
2026 e a AXIA Energia.
O acordo anunciado para a edição de 2026 do festival pretende neutralizar também as emissões associadas ao deslocamento de todos os participantes, desde a saída de casa até o retorno. Trata-se de uma mudança de paradigma. O Rock in Rio é pioneiro na realização de eventos tendo sustentabilidade como um dos seus pilares. Desde 2006, o festival compensa integralmente as emissões de carbono. Iniciativa que ajudou a consolidar a discussão sobre sustentabilidade na indústria do entretenimento. Agora, o desafio é maior: estimativas feitas pela Rock World apontam para a compensação de cerca de 50 mil toneladas de CO2, durante os sete dias de evento neste ano.
Maior empresa de geração renovável do Hemisfério Sul, a companhia busca posicionar seus ativos ambientais como soluções integradas para organizações que desejam reduzir ou neutralizar sua pegada de carbono. Assim, a empresa passa a oferecer um pacote de descarbonização que combina créditos de carbono e certificação de energia renovável.
Na operação montada, a AXIA utilizará créditos de carbono provenientes de seus próprios ativos de geração renovável, emitirá cerca de 4 mil certificados de energia renovável (RECFY) e doará 15 mil mudas e mais de 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras. A empresa estima que a iniciativa tenha potencial para capturar até 428 mil toneladas de carbono da atmosfera ao longo do ciclo de desenvolvimento das árvores, além de contribuir para o reflorestamento de aproximadamente 900 hectares.
A lógica por trás da estratégia procura transformar atributos ambientais em produtos capazes de atender a uma demanda crescente de empresas e organizações preocupadas em cumprir metas climáticas mais rigorosas. Nesse contexto, grandes eventos surgem como uma oportunidade de alto impacto e visibilidade.

Classificação: Pública

Incorporar o deslocamento do público no cálculo das emissões amplia os limites da compensação ambiental e cria um exemplo que pode servir de referência para festivais, shows e eventos esportivos no Brasil e no exterior.
Ao mesmo tempo, para a AXIA, o evento tem outro papel determinante: expandir o conceito de energia. Além de ser o que move cidades e indústrias, é também o que aproxima as pessoas e inspira conexões entre elas no dia-a-dia.

*Leandra Peres – Diretora de comunicação e marketing institucional da AXIA Energia

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