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Startup nasce para “blindar” empresas contra Covid

A expectativa dos mercados para o retorno seguro das atividades estimulou o surgimento de uma startup pioneira em “blindar” empresas e espaços contra a disseminação do novo coronavírus. A Gabbas, que oferece consultoria, assessoria técnica e implementação de processos, nasceu há pouco mais de três meses e já tem diversos projetos em andamento, de empresas e instituições ligadas ao comércio, serviços, setor financeiro e especialmente ao mercado de eventos. A expectativa é de crescimento exponencial até meados de 2021.
“Ainda há muitas dúvidas quanto ao que pode ou não pode, deve ou não deve ser feito para garantir o retorno seguro de atividades. Há protocolos específicos para cada segmento, além das particularidades de cada empresa, cada espaço. Estamos falando de uma série de providências específicas e obrigatórias para cada situação, como comunicação adequada, monitoramento, medidas para o correto distanciamento social, higiene e proteção individual, sanitização correta dos ambientes entre outras, que vão aumentar a segurança e a confiança tanto de colaboradores quanto de clientes e potenciais participantes de um evento”, afirma a sócia-diretora da Gabbas, Patrícia Gabas.
A startup nasceu da união de profissionais com mais de 20 anos de atuação em gestão de projetos e produções executivas. “Identificamos a oportunidade de agregar nossa expertise à aplicação de soluções que atendam às novas necessidades de segurança e saúde nos mercados. Observamos que os protocolos pré-estabelecidos pela OMS, Ministério da Saúde e Municípios são dinâmicos, ora publicados como ‘Orientações de Caráter Provisório’, sofrendo alterações constantes, baseadas em requalificações de critérios e fases, durante a evolução da doença viral. Entendemos que é preciso manter-se atualizado e alerta, acompanhando ativamente todas as mudanças impostas, de acordo com cada classificação de riscos”, informa a executiva.
Como funciona
Mediante um diagnóstico prévio, com atenção em detalhes específicos de cada segmento, uma equipe de profissionais das áreas de gestão, infectologia, segurança do trabalho, vigilância sanitária e/ou nutrição atua junta na indicação e implementação dos protocolos mais adequados, prepara e instala as peças de comunicação exigidas e reformula espaços quando necessário. A startup oferece ainda consultoria integrada a métodos e processos, além de certificação COVID-Free, em parceria com certificadora internacional. Há também serviços de pré e pós-monitoramento, para garantir a implementação das medidas propostas, além de educação continuada para manutenção das boas práticas.
“Encontramos muita informação, mas pouca comunicação efetiva sobre como as empresas devem se comportar na retomada. Com a autotutela e ausência de um fiscalizador imparcial, escritórios e estabelecimentos tendem a relaxar no cumprimento das ações para as boas práticas. Diversos locais deixaram de fazer a higienização constante de superfícies ou de equipamentos, não fazem a medição de temperatura do público e não disponibilizam mais itens essenciais, como álcool em gel, por exemplo. Com esse relaxamento, há risco de processos e indenizações em escalas absurdas, além de referências pelo mundo de países que haviam retomado suas atividades econômicas e estão voltando a fechar espaços, devido ao aumento no número de contaminados”, lembra o sócio-diretor da Gabbas, Thomé Castro.
Mercado de Eventos: atenção redobrada
A retomada gradual da indústria de Eventos, com o retorno dos eventos com público sentado em São Paulo e dos eventos de negócios no Rio de Janeiro, já estimulou a movimentação de agências e empresas fornecedoras para o preparo de projetos híbridos e presenciais, seguindo as normas impostas pelos estados. No entanto, além da aplicação de protocolos já aprovados, são necessárias providências específicas para que o setor possa aumentar o nível de segurança.
“Estamos falando em espaços em que, mesmo seguindo regras de capacidade reduzida, reúnem pessoas. Pensando em primeiro lugar no público, mas para que as empresas também estejam respaldadas, todas as exigências sanitárias e de adequação de espaços precisam ser cumpridas de forma rigorosa. Também é preciso que colaboradores e público sejam preparados para se adequar à nova realidade e essa etapa envolve desde treinamento com equipes até medidas de comunicação eficientes”, lembra Patrícia Gabas.
E os cuidados não terminam quando o evento acaba. “As empresas organizadoras têm ainda a obrigatoriedade de manutenção de um banco de dados de todos os participantes por, pelo menos, um mês após o evento. As informações serão utilizadas como prevenção e monitoramento, caso haja alguma possibilidade de contaminação coletiva”, lembra.
A executiva acredita que mesmo com a eficácia comprovada da vacina, as empresas terão que manter as normas exigidas atualmente por prazo indeterminado. “A ciência está ainda estudando esse vírus e como ele se comporta, por isto acreditamos que, mesmo com o advento da vacina, novas exigências, aprimoradas, devem surgir. Por ora, devemos nos preparar, da melhor forma possível. O momento, agora, é de planejamento e preparação para a futura estabilização”, finaliza.
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Britânia lança campanha de Dia dos Pais com inteligência artificial e foco nos momentos do cotidiano

A Britânia acaba de colocar no ar sua campanha nacional de Dia dos Pais 2026 sob o conceito institucional “Para os momentos que importam”. A estratégia de marketing foi desenhada para reforçar que o ato de presentear vai além do valor material do produto, posicionando a marca de eletroportáteis e eletrodomésticos como uma facilitadora de momentos de carinho, cuidado e conexão real nas pequenas rotinas familiares.
A peça central da campanha dá continuidade à narrativa emocional iniciada no Dia das Mães de 2026. Produzido pela GRID Content, o filme publicitário destaca-se pelo uso de inteligência artificial aplicada à pós-produção. Na campanha, a tecnologia foi adotada como um recurso estético e criativo para enriquecer a transição das cenas, mantendo a autenticidade e a sensibilidade das interações cotidianas reais entre pai e filho.
A nova campanha chega ao mercado respaldada pelo excelente desempenho comercial registrado pela Britânia no Dia dos Pais de 2025, período em que a marca alcançou um crescimento expressivo de no tíquete médio de vendas em comparação ao ano anterior. Os resultados financeiros comprovam uma tendência consolidada de consumo de presentes úteis, voltados para a casa e para o preparo de refeições compartilhadas.
A campanha de Dia dos Pais desdobra-se em uma estratégia de comunicação integrada 360 graus. A marca ativará pontos de contato estratégicos que incluem compra de mídia online e offline, forte presença de conteúdo nas redes sociais, ações táticas com influenciadores digitais e assessoria de imprensa corporativa.
Esse movimento integra-se a um plano de expansão institucional que, nos últimos anos, ampliou os investimentos da Britânia em patrocínios de eventos gastronômicos, inserções publicitárias em grandes emissoras de TV aberta e materiais personalizados de merchandising nos pontos de venda (PDV).
Ana Luiza Buffara, vice-presidente da Britânia, ressalta a importância da data para a conexão histórica da marca com a população. “Há 70 anos, a Britânia faz parte da rotina das famílias brasileiras. Nesta data, queremos lembrar que presentear é também uma forma de demonstrar cuidado, carinho e criar memórias. Afinal, são os pequenos momentos compartilhados no dia a dia que realmente fortalecem a relação entre pais e filhos.”
Com o lançamento, a Britânia reafirma sua proposta de valor e aproximação emocional com o consumidor, ofertando um portfólio completo que integra as categorias de cuidados pessoais, cozinha e eletrodomésticos, facilitando as tarefas do lar e liberando tempo para o que realmente importa: a convivência familiar.
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Viés racial em Inteligência Artificial e as falhas de representatividade e os limites éticos do mercado de US$ 617 bilhões

O mercado global de Inteligência Artificial caminha para atingir a marca de US$ 617 bilhões até o final do segundo semestre de 2026, mantendo uma taxa de expansão de ao ano, segundo dados da consultoria alemã Statista. No entanto, diante das mais de 47 mil ferramentas ativas mapeadas pela plataforma “There’s An AI For That” (TAAFT) em setores que vão do recrutamento empresarial à publicidade, desenvolvedores e especialistas acendem um alerta: os vieses raciais e algorítmicos podem comprometer a sustentabilidade e a confiabilidade desse crescimento tecnológico.
O debate ganhou contornos urgentes com a divulgação do documento “Lado Sombrio do Escalonamento de Conjuntos de Dados” no GitHub. O estudo revelou que, em 14 modelos multimodais baseados na arquitetura Vision Transformers (ViT-L) — sistemas que processam texto e imagem simultaneamente —, a probabilidade de uma imagem de um homem negro ou latino ser erroneamente associada ao termo “criminoso” aumentou em até .
Cáren Cruz, CEO da Pittaco Consultoria, especialista em imagem identitária e participante da 9ª temporada do programa Shark Tank Brasil, explica que a atual crise ética da inteligência artificial generativa herda falhas estruturais de tecnologias de análise facial desenvolvidas há quase uma década. “Ainda em 2017, a pesquisadora Joy Buolamwini, do MIT Media Lab, vinha denunciando falhas nos sistemas de visão computacional a partir da sua própria experiência como mulher negra. Em 2018, ao lado de Timnit Gebru, ela publicou o estudo Gender Shades, demonstrando que softwares comerciais de análise facial apresentavam índices de erro drasticamente maiores ao analisar mulheres de pele escura em comparação a homens de pele clara.”
Para Cáren Cruz, a raiz do problema reside na curadoria dos bancos de dados que alimentam os algoritmos de machine learning. Sem uma base de dados que represente a pluralidade humana, a inteligência artificial acaba por reproduzir e automatizar as desigualdades históricas do ambiente analógico. “A tecnologia não nasce neutra. Ela aprende a partir de bancos de dados, imagens, descrições e repertórios que também carregam desigualdades históricas. Se esses dados foram construídos com baixa diversidade racial, a ferramenta tende a reproduzir essas limitações. Quando o sistema altera características fundamentais de uma pessoa negra, está reproduzindo uma lógica histórica em que determinados traços são tratados como algo a ser corrigido ou neutralizado.”
Com mais de 18 anos de atuação no mercado de consultoria identitária corporativa, a CEO da Pittaco defende que a diversidade racial e a precisão técnica em colorimetria devem ser tratadas como prioridades de engenharia pelas big techs. A executiva relembra uma dinâmica de desenvolvimento de produto em que participou de um grupo focal nacional: a metodologia de uma instituição tentou categorizar a pele negra em apenas 6 tons. Trata-se de uma simplificação analítica ineficaz para o mercado de cosméticos, imagem e tecnologia, especialmente no Brasil. “Quem trabalha com imagem sabe que essa redução não abraça a complexidade das peles negras. Não estamos falando de uma única cor ou classificação, mas de um espectro muito amplo, que envolve variações de pigmentação, subtons, luminosidades, contrastes e profundidades cromáticas decorrentes de intensas miscigenações. A inovação verdadeira precisa reconhecer, preservar e respeitar a pluralidade das aparências negras sem apagar, suavizar ou padronizar aquilo que nos identifica.”








