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Por que o crescimento das empresas depende de um Customer Success eficiente?

Publicado

em

*Monique Areze

Segundo Philip Kotler, conhecido mundialmente como o “pai do marketing”, o investimento necessário para que uma empresa conquiste um novo cliente é de cinco a sete vezes superior em relação aos parceiros já existentes. Quando tratamos do modelo B2B então, o valor direcionado ao CAC (Custo de Aquisição do Cliente) tende a ser ainda maior. Até por isso, grande parte das corporações perceberam que atualmente é mais estratégico direcionar os seus recursos e esforços para manter o número de clientes ativos do que apenas focar na captação de novos.

E é aí que entra o Customer Success – sucesso do cliente, em tradução livre  -, setor responsável por fazer com que, depois da compra, o parceiro tenha a melhor experiência possível com o produto, serviço e atendimento contratado. Em outras palavras, o objetivo dessa área é fazer com que o contratante alcance o resultado desejado a partir das interações com a companhia.

Antes de ir mais adiante sobre a importância desse trabalho, é fundamental deixar claro que a área de CS não pode ser confundida com a do SAC. Enquanto essa segunda tem um perfil mais passivo, atuando a partir das demandas criadas pelos parceiros, os profissionais de sucesso do cliente precisam ser proativos desde o onboarding, buscando esclarecer como o serviço da empresa irá gerar valor e colhendo feedbacks com a missão de contribuir nesse processo.

Como funciona o trabalho do Customer Success

Aliás, esse relacionamento próximo com o contratante é fundamental para que o objetivo desse setor seja cumprido. Até porque, somente a partir desse contato que será possível o cliente aproveitar ou entender da melhor forma possível o que a corporação contratada tem a oferecer. Imaginemos, por exemplo, que um parceiro não saiba como utilizar o produto, tem dificuldades em implementá-lo ou, em caso de uma companhia de serviços, não consegue enxergar valor no que tem sido entregue. A consequência disso, a curto ou a longo prazo, será o fim do contrato.

Sendo assim, a função do Customer Success é garantir que isso não aconteça. Dessa forma, o profissional da área precisa atuar de forma estratégica para que a experiência do cliente seja a melhor possível, garantindo, desde o início do projeto, que ele enxergue e compreenda o valor daquilo que foi comercializado.

Para isso, é fundamental que o CS estruture o seu trabalho a partir de métricas que ajudem a direcionar o seu esforço. Indicadores como o Churn, por exemplo, identificam onde podem ocorrer melhorias durante o relacionamento com o cliente e auxilia no reconhecimento de como esse setor vem contribuindo para a empresa. Já a NPS se torna essencial para entender as dores do cliente e identificar melhorias para a solução que a companhia está oferecendo.

Outro papel importante exercido pelo setor é o de promover o upsell e cross-sell para os clientes. O ato de propor serviços e produtos novos ou mais completos é fundamental na busca pelos melhores resultados e a satisfação do parceiro. No entanto, é essencial que o profissional evidencie, com base em dados e resultados, de que a nova solução será realmente relevante para o contratante, ou então ele pode acabar passando a impressão de estar apenas “querendo mais dinheiro”.

Benefícios da área do sucesso do cliente

Como já deixei claro no início do texto, uma das principais vantagens de se contar com um time voltado para o sucesso do cliente é a retenção por um longo período, resultando na manutenção da receita garantida por esse parceiro. Para se ter uma ideia, estimativas de mercado já afirmam que quase 70% das empresas que possuem um setor de Customer Success aumentam seus índices de retenção. A NPS é outro índice que comprova a importância desse trabalho, tendo em vista que os resultados para os clientes apresentam uma evolução média na casa dos 25% graças a essa iniciativa.

No entanto, precisamos considerar ainda que o trabalho de CS bem feito não só garante a preservação e a fidelização desse parceiro, mas também a sua satisfação. Dessa forma, o trabalho não passa somente pela estabilidade do projeto, mas também pelo aumento do valor investido pelos contratantes atuais. Até porque, clientes satisfeitos tendem a confiar na corporação e têm propensão a investir mais em outras soluções da contratada.

É importante ressaltar ainda que contar com um cliente engajado ajuda também na conversão de novos parceiros, já que muitas vezes essa satisfação acaba sendo repassado para outras corporações, contribuindo para a divulgação do bom trabalho oferecido pela empresa em questão.

Basicamente, o Customer Success visa transformar a famosa frase de que o cliente sempre tem razão em uma afirmativa verdadeira. E cada vez mais a área vem se mostrando fundamental para que os parceiros percebam o verdadeiro valor de sua solução, serviço ou produto. Sem ela, a visibilidade das empresas é completamente afetada, uma vez que também é perdida a oportunidade de atenuar pontos falhos ao longo do processo. E isso, sem dúvida, vai refletir em menor faturamento e produtividade das empresas.

*Monique Areze – Coordenadora de Customer Success na Duo Studio.

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O protagonismo feminino pede mais espaço

Publicado

em

*Vanessa Chiarelli Schabbel
Já criei, planejei e coordenei muitas campanhas e ações, mas não imaginava que um dia escreveria sobre minha trajetória. Quando recebi o convite para assinar um capítulo do livro Protagonistas Volume 2, um projeto colaborativo da SerMente Editorial, a primeira reação foi a de que talvez minha história não tivesse importância. Mas, quando comecei a escrever sobre o meu caminho, pensei que algumas mulheres poderiam enfrentar dilemas semelhantes, e foi o que me motivou. Ao fim, o que me surpreendeu com o resultado não foi ver meu nome impresso, foi ler as outras convidadas. Quando você acompanha mais de 90 mulheres colocando no papel o que atravessaram, entende que protagonismo raramente se parece com o que costumam nos mostrar.
Entre as coautoras do livro há mulheres de 19 a 80 anos. Há quem tenha reconstruído a vida depois de uma perda, quem tenha rompido um ciclo de violência, quem tenha mudado de carreira no meio do caminho e quem tenha aberto empresa sem que ninguém apostasse nisso. Há mulheres indígenas, ribeirinhas, negras, neurodivergentes, mães atípicas. São noventa trajetórias, e eu assino uma delas.
Mas houve uma segunda coisa no livro que mexeu comigo, e essa tem a ver com o setor de live marketing.  A coordenação montou um censo das autoras, com recortes de raça, deficiência, orientação sexual, região de origem e idade, incluindo uma presença expressiva de mulheres acima dos 50 anos. Não é acaso que entre as coordenadoras esteja Liliane Rocha, da Gestão Kairós, responsável pelo censo de diversidade das agências brasileiras de publicidade. A pluralidade do livro não é promessa de orelha. Ela foi contada, uma a uma.
Trabalho há quase duas décadas com eventos e comunicação, e é justamente isso que o meu setor ainda não tem: um censo que releve os bastidores da sua estrutura. Números não faltam. Segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), o hub setorial, que soma turismo, hospedagem, alimentação, publicidade e infraestrutura, saltou de 3,45 milhões de postos em 2019 para 4,27 milhões. Sabemos quanto o segmento cresce e quanto movimenta, mas não sabemos quantas mulheres estão no comando dentro dele.
O que existe vem de mercados vizinhos. O censo do Observatório da Diversidade na Propaganda, feito com a Gestão Kairós, mostrou que mulheres são 57% do quadro geral das agências de publicidade, proporção que vai se estreitando conforme a hierarquia sobe. O Censo Brasileiro das Agências de Comunicação de 2025, da Abracom, mapeou 1.013 empresas com equipes majoritariamente femininas. Em nenhum dos dois os eventos aparecem sozinhos.
Circulei por painéis e premiações neste ano e, na maioria das mesas, dividi o espaço com homens. Não digo isso para cobrar ninguém. Digo porque é a amostra que eu tenho, e amostra pequena é o que sobra quando ninguém se dispôs a fazer a grande. Mas no dia a dia para além dos holofotes vejo mais mulheres ao meu lado. Por isso proponho que as entidades do setor incluam o recorte de gênero por nível hierárquico nos levantamentos que já realizam.
Enquanto isso não acontece, há o que cada uma de nós pode fazer desde já. As 90 mulheres do Protagonistas Volume 2 escreveram porque decidiram que a própria história merecia ser dita em voz alta. Eu hesitei semanas antes de aceitar. Hoje entendo que a hesitação era parte do problema que o livro veio enfrentar.
Fica o convite. Ocupe a mesa, o painel, o cargo, a página. Não espere se sentir pronta, porque essa sensação costuma chegar depois. E quando chegar lá, chame a próxima para se juntar a você.
*Vanessa Chiarelli Schabbel – Diretora-executiva da Bop Comunicação Integrada
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As marcas estão trocando celebridades por comunidades?

Publicado

em

*Vera Kopp

Durante muito tempo, o marketing de influência seguiu uma lógica simples: quanto maior a audiência, maior o investimento. Celebridades e grandes criadores concentravam boa parte dos orçamentos porque entregavam alcance e visibilidade em escala. Essa estratégia continua fazendo sentido para muitos objetivos, mas já não explica sozinha a forma como as marcas estão distribuindo seus investimentos.

A própria Creator Economy vive um momento de expansão e amadurecimento. Segundo estudo do Goldman Sachs, esse mercado deve movimentar cerca de US$ 480 bilhões até 2027, praticamente o dobro do valor estimado em 2023. Ao mesmo tempo, o mercado global de marketing de influência deve alcançar US$ 31,2 bilhões até 2027, impulsionado pela profissionalização do setor e pela busca das marcas por estratégias mais orientadas à performance. Nesse cenário, a principal mudança talvez não seja o crescimento do mercado, mas a forma como a influência passou a ser medida.

Durante anos, o número de seguidores foi o principal critério para escolher um creator. Hoje, ele é apenas um dos indicadores. As marcas passaram a olhar também para a afinidade com o público, qualidade do engajamento e capacidade de gerar conversas relevantes. Em outras palavras, a influência deixou de ser apenas uma questão de alcance e passou a ser uma questão de confiança.

É por isso que micro e nano influenciadores ganharam protagonismo. Um levantamento da HypeAuditor mostra que, em 2025, 60% dos conteúdos patrocinados publicados no Instagram foram produzidos por criadores com menos de 50 mil seguidores, refletindo uma estratégia cada vez mais voltada para comunidades de nicho e públicos altamente segmentados.

Essa tendência faz sentido porque consumidores estão mais atentos à autenticidade das recomendações. A Nielsen mostra, há anos, que recomendações de pessoas consideradas confiáveis seguem entre as formas de publicidade com maior credibilidade para o consumidor. Quando existe identificação entre creator e audiência, a mensagem tende a gerar mais atenção e engajamento do que uma comunicação percebida apenas como publicidade.

Na prática, isso significa que um creator com alguns milhares de seguidores pode gerar resultados mais relevantes do que um perfil muito maior, dependendo do objetivo da campanha. Em segmentos como beleza, alimentação, mobilidade, tecnologia ou finanças, falar diretamente com uma comunidade altamente interessada costuma ser mais eficiente do que alcançar milhões de pessoas sem afinidade com o tema.

Essa é uma mudança que acompanhamos diariamente. Temos observado um crescimento consistente de campanhas que distribuem investimentos entre dezenas ou centenas de criadores, em vez de concentrar toda a estratégia em poucos nomes. O objetivo deixa de ser apenas maximizar o alcance e passa a construir presença em diferentes comunidades.

Isso não significa que as celebridades perderam espaço. Grandes influenciadores continuam sendo fundamentais para campanhas de awareness, lançamentos e construção de marca. O que mudou foi o planejamento. Hoje, é cada vez mais comum combinar creators de diferentes portes dentro da mesma estratégia, aproveitando o papel que cada perfil desempenha na jornada do consumidor. Naturalmente, esse modelo traz novos desafios.

Gerenciar campanhas com centenas de creators exige processos muito mais estruturados do que uma ação com poucos influenciadores. Seleção, contratação, pagamentos, acompanhamento das entregas e mensuração precisam acontecer de forma integrada. Sem tecnologia, escalar esse modelo se torna praticamente inviável.

A mensuração também evoluiu. Curtidas e número de seguidores continuam relevantes, mas já não bastam para avaliar o sucesso de uma campanha. As marcas querem entender a qualidade do engajamento, o impacto na percepção da marca, a geração de conteúdo, a conversão e o retorno sobre o investimento. Essa mudança explica por que a Creator Economy deixou de ser apenas um canal complementar de comunicação para ocupar um espaço estratégico dentro dos planos de marketing.

No fim, não acredito que as marcas estejam trocando celebridades por comunidades. O que estamos vendo é uma evolução natural de um mercado que amadureceu. As empresas perceberam que alcance continua importante, mas que relacionamento, credibilidade e relevância são ativos ainda mais valiosos em um ambiente digital cada vez mais disputado.

A influência do futuro será cada vez menos medida pelo tamanho da audiência e cada vez mais pela capacidade de criar conexões reais entre marcas e pessoas.

*Vera Kopp – CEO e fundadora da inCast Group, holding que reúne as empresas inCast, RainCreators e FunCast, especializadas em marketing de influência, gestão de comunidades e soluções para criadores de conteúdo.

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