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Marcus Taccola – Últimos suspiros dos sites institucionais

Marcus Taccola
Antes mesmo da pandemia e da necessidade do isolamento imposta pela covid-19, já vivíamos mudanças significativas no comportamento do consumidor e do internauta. O mundo vive a realidade da indústria 4.0 há pelo menos cinco anos, quando o poder de convencimento de quem vende foi deixando lentamente de ser pura questão de habilidade, enquanto o consumidor ganhava autonomia e acessibilidade nas redes sociais.
Com um consumidor exigente, imediatista e ávido por informação, as formas de comprar evoluíram para outro patamar. Percebeu-se então que o discurso das empresas precisava de consistência, ou não seria mais ouvido por ninguém. Finalmente a comunicação deixava de ser unilateral para tornar-se mais democrática, ganhando status de diálogo.
Essas mudanças de comportamento levantaram uma importante discussão entre os especialistas: seria o fim dos sites? Afinal, qual seria o papel destas ferramentas em um mundo que não tem mais espaço para monólogos?
Antigamente, acreditava-se que ter presença na Internet significava desenvolver um site institucional. Eram espaços que tinham a proposta de funcionar como um cartão de visitas (que por sinal se tornaram dispensáveis hoje), repletos de textos adjetivados e informações sobre produtos no formato de “bandeja”, como se o cliente fosse capaz de selecionar qual item se encaixa melhor às suas necessidades apenas por ler aquele material. Em um cantinho da página, havia um botão de contato no qual o visitante poderia preencher um formulário e aguardar pacientemente pelo retorno – que poderia demorar dias.
Hoje, o cenário mudou: ter presença na Internet significa muito mais do que ditar informações a respeito de uma marca. É preciso oferecer uma jornada do conhecimento; estas informações têm que estar interligadas a outras estratégias, de forma que possam de fato encontrar seu público-alvo e possibilitar interação. É como se o site institucional fosse apenas um ramo de uma árvore imensa e caudalosa; para sobreviver, ele necessita de outros troncos que lhe entreguem recursos para fazê-lo cumprir sua mera função de cartão de visitas.
Há muito tempo, o brasileiro prefere os dispositivos móveis do que os desktops, e esta é uma das razões pelas quais a estratégia de vendas não pode ser resumida a um site. Uma pesquisa divulgada em 2018 pelo IBGE apontou que, entre os brasileiros com acesso à internet, 69% usam o celular. Além disso, estamos no auge dos aplicativos, tanto que atualmente se tornou obrigação construir sites responsivos, pensados para exibir o conteúdo em todos os tamanhos de dispositivo. Isso já mostra como os sites perderam espaço na área comercial e como é importante pensar em alternativas para fisgar o consumidor (que aliás recebe uma avalanche de informações todos os dias).
O consumidor de hoje é orientado a dados, testes e experimentações. Ele busca entender melhor como pode solucionar suas necessidades antes de tirar o cartão de crédito do bolso. Ele quer ter segurança de que, entre todas as possibilidades ofertadas, ele está fazendo a escolha certa.
O mercado de hoje já oferece essas alternativas. Existem hoje no mercado diversas soluções criativas que proporcionam uma jornada do conhecimento – inclusive de maneira gamificada – atraente, descomplicada, interessante e que fazem jus ao papel de atração no funil de vendas. Elas estão por toda parte: Facebook, Instagram, blogs, Whatsapp, Telegram e muito mais. E, com seus discursos humanizados e personalizados podem ainda ser utilizadas para levar tráfego para sites institucionais, caso esta seja a estratégia do cliente.
O que as empresas precisam entender é que o site institucional não representa uma estratégia de vendas por si só; ele precisa de complementos mais aderentes à realidade do consumidor 4.0 para que seja realmente útil e desempenhe uma função. Caso contrário, ele será somente uma fachada, um outdoor pelo qual as pessoas passam, mas sequer prestam atenção.
Se os sites institucionais deixarão de ser desenvolvidos? Esta é uma pergunta difícil de responder. Mas com a velocidade da informação e as mudanças frenéticas que a sociedade vem vivendo hoje, é possível que qualquer dia desses surja um cartão de visitas mais eficaz.
Talvez, seja uma questão de tempo.
*Marcus Taccola é CEO da startup InfoGo
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Experiência sensorial como estratégia de negócio

*Por Erika Campos
Vivemos em um mundo hiperestimulado, cheio de notificações, ruídos e interrupções. Nesse cenário, a música deixou de ser apenas entretenimento e passou a ocupar um papel muito mais relevante: o de ferramenta para performance e foco, atuando, principalmente, como facilitadora de experiências.
Hoje, quando falamos de ambiente corporativo, eventos e experiências de marca, não dá mais para separar bem-estar do resultado. E a música é uma das formas mais acessíveis e inteligentes de ativar esse equilíbrio, mesmo que às vezes passe despercebido para quem não está imerso em como criar ambientes cada vez mais agradáveis para seu público.
Existem princípios da neurociência e estudos de comportamento que mostram que determinados sons e frequências ajudam a ativar a concentração, a calma, o estado de alerta ou criatividade. Isso quer dizer que o som certo pode potencializar o foco, a clareza de pensamento e até a forma como vivenciamos uma reunião, um workshop ou uma ativação de marca. A música ajuda a criar um estado mental mais favorável para o que queremos alcançar. E isso pode ser extremamente estratégico para o negócio.
Mas eu nunca encaro isso de forma universal. Cada pessoa é única. O que funciona para um pode não funcionar para outro. E por isso, quando penso em som nos eventos, por exemplo, a primeira pergunta que eu faço é: “qual é o objetivo que eu quero atingir com essa experiência sonora?” Às vezes a resposta é foco, outras vezes é energia, conexão ou até relaxamento. E isso muda tudo.
Em eventos corporativos a música é muito mais do que trilha de fundo. Ela estabelece clima, eleva energia, cria momentos memoráveis e pode até sinalizar transições sem que ninguém precise dizer uma palavra. É parte da narrativa da experiência. Uma trilha sonora escolhida com propósito faz com que as pessoas se sintam envolvidas, acolhidas e conectadas à mensagem que a marca quer transmitir. Isso acontece também com o olfato, onde o aroma tem o papel de transportar o seu convidado a um momento específico da vida, ativando uma lembrança afetiva ou até criando memórias a partir daquele novo aroma identificado.
E isso acontece no cotidiano também. Trabalhar com música, de forma consciente, pode tornar a rotina mais leve, mais produtiva e mais humana. Quando a empresa entende que som faz parte da experiência das pessoas, seja para melhorar o bem-estar, seja para intensificar a atenção ou simplesmente gerar um momento marcante, ela está cuidando não apenas de performance, mas da experiência total de quem vive naquele ambiente.
Então, quando penso em experiências, mais precisamente em músicas ou cheiros no contexto corporativo e de eventos, eu penso em estratégia, emoção e resultado.
Imagina você, por exemplo, em uma ativação que recebe convidados de outros estados, deixa no quarto de hotel um kit com um pijama de brinde e itens de higiene pessoal, porém borrifa um aroma exclusivo desenvolvido para a sua marca no pijama. No momento que esse cliente abre o seu “singelo brinde” ele o eleva a um presente. A partir daí, não é mais sobre o som ou sobre o cheiro, e sim sobre a experiência que você criou. Ativar os sentidos no universo corporativo é ferramenta que nos ajuda a explicar como queremos que as pessoas se sintam, pensem e ajam. E por que não, lembrem da nossa marca? No fim das contas, a forma como a gente faz alguém se sentir e recordar daquele momento, faz toda a diferença e pode potencializar os nossos resultados.
*Erika Campos – Coordenadora de eventos e experiências no Grupo Accesstage
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Live Commerce: por que reduzir a vendas é um erro estratégico

*Marcela Lacerda
Por muito tempo, o mercado enxergou o Live Commerce por uma lente curta: a de mais um canal de conversão. Um formato para empurrar ofertas, acelerar giro de estoque e capturar pedidos em tempo real.
Essa leitura é compreensível — mas limitada.
Live Commerce é venda, sim. Mas, antes disso, é estratégia, construção de marca e disputa por atenção qualificada.
Em um mundo onde o consumidor é bombardeado por estímulos o tempo todo, conquistar atenção plena se tornou o ativo mais raro do marketing. E é exatamente isso que uma live bem construída entrega.
Durante uma live, o consumidor não está dividindo atenção com dezenas de posts no feed. Ele está dedicado àquela marca, àquela narrativa, àquele momento. Esse tempo contínuo de exposição cria algo que poucas mídias conseguem gerar hoje: contexto emocional. E contexto transforma oferta em experiência.
Quando uma empresa entra ao vivo com autenticidade, narrativa consistente e proposta relevante, ela não está apenas vendendo. Está reforçando produto, proposta de valor, personalidade e, principalmente, lugar na vida das pessoas. Está construindo pertencimento. Por isso, tecnicamente, Live Commerce é mais do que transação — é transformação.
Quando utilizamos o mercado chinês como exemplo, vemos como o live virou infraestrutura de varejo e não somente canal de vendas.
Na China, o Live Commerce deixou de ser visto como canal promocional e passou a ser tratado como infraestrutura estratégica de vendas e marca.
Plataformas como Taobao Live e Douyin transformaram lives em verdadeiros programas de entretenimento e relacionamento com o consumidor. Um dos maiores exemplos é Li Jiaqi, conhecido como “Lipstick King”, que chegou a vender milhões de dólares em poucos minutos durante transmissões ao vivo.
Mas o ponto mais relevante não é o volume vendido.
O sucesso do modelo chinês veio quando marcas entenderam que a live não era apenas sobre desconto ou giro de estoque — era sobre construir confiança, educar o consumidor, gerar comunidade e criar recorrência. Na prática, a live passou a funcionar como , canal de lançamento, de storytelling, de relacionamento e de venda simultaneamente.
Quando isso acontece, o ROI deixa de ser apenas imediato e passa a ser acumulativo.
No século da economia da atenção, esse ativo se tornou mais valioso do que mídia ou tecnologia. Porque sem atenção, nenhuma mensagem atravessa. Nenhuma marca cresce. Nenhuma preferência é construída.
Uma live oferece algo raro: a possibilidade de comunicar enquanto entrega uma vantagem concreta — desconto, benefício exclusivo, acesso antecipado ou experiência diferenciada.
É performance? Sim.
Mas é, antes de tudo, posicionamento.
Quem enxerga a live apenas como “balcão digital” está desperdiçando o principal palco do formato: o palco da narrativa.
Uma live bem executada funciona como um programa de marca ao vivo. É conteúdo, entretenimento, serviço, relacionamento e venda acontecendo ao mesmo tempo. É quando a marca deixa de ser apenas uma logomarca e passa a ser presença, voz e experiência.
Existe ainda um componente frequentemente subestimado: o poder do subliminar.
Enquanto o consumidor participa, interage e se envolve, ele não está apenas avaliando uma oferta. Está absorvendo valores, códigos e sensações que permanecem muito além do clique final.
A conversão acontece no agora, A construção de marca acontece no longo prazo.
E, no fim, marcas fortes não vendem apenas produtos. Elas constroem histórias, criam vínculos e ocupam espaço legítimo na vida das pessoas.
*Marcela Lacerda – Executiva de marketing do Hot Beach Parques & Resorts








