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Influenciadores têm 17 vezes mais interações do que marcas no Instagram

Apesar de produzirem uma quantidade similar de conteúdo para as redes sociais, as interações do público com os influenciadores digitais nas redes sociais são muito maiores se comparado com perfis de marcas. E os números não mentem: no segundo trimestre do ano (abril a junho), por exemplo, eles tiveram aproximadamente 17 vezes mais interações no Instagram e 68 vezes mais no Facebook.
Os dados são do relatório Mídias Sociais 360o (#MS360FAAP), que estuda há mais de 7 anos o comportamento de usuários, empresas e criadores de conteúdo nas redes sociais. A pesquisa é uma parceria do Núcleo de Inovação em Mídia Digital (NiMD) do Centro Universitário FAAP e a Emplifi, empresa que atua no monitoramento de redes.
“Se a divulgação de produtos e serviços no perfil de influenciadores digitais já é comum há algum tempo, essa é uma tendência que deve aumentar ainda mais”, ressalta Adriano Cerullo, professor do curso de Publicidade e Propaganda da FAAP e um dos envolvidos no estudo.
Para Alexandra Avelar, Country Manager da Emplifi, é por isso que cada vez mais as marcas estão cautelosas ao buscar seus influenciadores e focando em relação de maior durabilidade. “Com grandes investimentos nestas campanhas, o marketing de influência se torna cada vez mais uma ferramenta crítica que merece toda a atenção da marca”, reforça.
Os dados do relatório mostram que, enquanto “Influenciadores” conseguem 82.041 mil interações em seus perfis a partir de dois posts na timeline por semana (não estão sendo considerados stories, reels etc), as “Marcas” conseguem apenas 4.893 interações publicando três posts por semana. Ou seja, “Influenciadores” têm aproximadamente 17 vezes mais interações em seus perfis. Como os dados são relativos aos meses de abril, maio e junho deste ano, é importante citar que a coleta aconteceu antes da liberação do Instagram de acesso ao formato reels.
“Este é um dos dados que sustentam o crescimento do marketing de influência e o valor que criadores de conteúdo e influenciadores digitais possuem para as empresas”, avalia o professor Eric Messa, coordenador do curso de Publicidade e Propaganda e do NiMD FAAP.
De acordo com o professor, é mais fácil para o usuário deixar um like do que um comentário num post, por isso se considerarmos apenas as interações em formato de likes e comentários, a porcentagem de likes será sempre maior. Mas ele destaca, ainda, que é preciso notar que a porcentagem de comentários em páginas de
Influenciadores (14,79%) e perfis de Comunidades (21,41%) é superior à porcentagem desse tipo de interação nos perfis de Marcas (8,57%) ou Mídia (6,32%).
“Isso só mostra que as redes continuam sendo espaços de conversação, mas essa conversa vai fluir melhor quando o usuário tem a real percepção de que há alguém do outro lado, não apenas uma ferramenta de automação”, explica.
O segundo trimestre de 2022 evidenciou tendências no Facebook já vistas nos meses anteriores, como a quantidade de publicações feitas pelas páginas da categoria “Mídia”, na qual estão inseridos os veículos de comunicação. A frequência é bem superior se comparada às demais categorias.
Outras duas categorias, “Marcas” e “Influenciadores”, possuem média de publicações semanais muito próximas (3 e 2, respectivamente). Porém, é muito diferente o resultado que obtêm em volume de interações total: a categoria “Marcas” recebe uma mediana de 200 interações, enquanto “Influenciadores” mais de 13 mil – aproximadamente 68 vezes mais.
Outro dado que chamou atenção no relatório, também relativo às interações, é que as “Marcas” têm uma porcentagem da reação “amei” (7,19%) menor do que os influenciadores (13,51%). No entanto, possuem uma porcentagem de compartilhamentos maior: 7,70 % contra 4,12%.
Para o professor Thiago Costa, um dos pesquisadores do estudo, possivelmente deve-se ao fato dos conteúdos dos influenciadores serem mais ‘assistíveis’, ou seja, feitos para serem diretamente consumidos, sejam fotos ou vídeos, enquanto que as marcas incentivam o compartilhamento dos desejos de consumo em seus posts.
Chama atenção também como vem ganhando espaço o “ha ha ha”, reação com um emoji risonho. Na categoria “Comunidades”, por exemplo, representou 5,44% do total nesse trimestre.
Analisando o formato de publicação, foto é a escolha preferida tanto por “Marcas” (79,6%) como “Influenciadores” (66%). Porém, quando se trata de vídeos, os “Influenciadores” conseguem produzir mais posts nesse formato (22%) do que as “Marcas”, que possuem somente 13,8% do total de suas publicações dessa forma.
Para essas duas categorias, as publicações com link são aquelas que geram o menor volume de interações, comparado com outros formatos. Por esse motivo, segundo o professor Thiago, devem ser evitados para garantir um bom resultado de engajamento.“Isso acontece porque as plataformas buscam não incentivar a saída de seu ambiente.”
Instagram crescendo
Enquanto o Facebook não esboça crescimento significativo na mediana de fãs em suas páginas, no Instagram o volume de seguidores dos perfis vem crescendo aos poucos. Se comparado com o trimestre anterior, os perfis de “Marcas” tiveram um crescimento de 2,26% no volume de seguidores, enquanto os “Influenciadores”, uma alta de 1,26%. A categoria que mais cresceu foi a de “Esportes” (4,71%). Esse crescimento tem se mostrado constante ao longo dos últimos relatórios.
No Instagram, neste último trimestre os perfis de “Influenciadores” produziram mais posts em formato carrossel (41% do total de publicações feitas por essa categoria) do que “Marcas” (30,7% do seu total de publicações). O carrossel é o formato que tem gerado mais interações dos usuários, se comparado ao post de imagem ou vídeo: nas postagens feitas pelos “Influenciadores”, chegaram a ter 22% a mais de interações do que as publicações em formato de foto e 42% do que as publicações em vídeos.
Realizado desde 2014, o relatório Mídias Sociais 360o (#MS360FAAP) passou a ser apresentado no final de 2021 em um novo formato. Publicado a cada três meses, o estudo traz resultados mensurados com base em todos os perfis cadastrados na plataforma, dentro de cada categoria.
O estudo completo pode ser conferido no site do NiMD-FAAP.
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85% dos compradores confiam mais em uma marca quando a IA a recomenda

Imagine um cliente em potencial perguntando ao ChatGPT qual é a melhor empresa para resolver o problema dele — e a sua marca nem aparecer na resposta. Esse cenário já é realidade para milhares de negócios todos os dias.
Durante duas décadas, estar bem posicionado no Google era sinônimo de ser encontrado. Hoje, esse jogo mudou de forma silenciosa, mas profunda: consumidores e compradores corporativos não abrem mais dez links para comparar opções — eles perguntam diretamente a uma IA e recebem uma resposta pronta, com marcas já pré-selecionadas.
E os números a seguir comprovam que essa mudança não é hype passageiro, e sim um comportamento já consolidado, tanto no mercado de consumo quanto no universo B2B.
O novo funil: a IA decide quem entra na lista
No universo corporativo, o impacto é ainda mais direto. Segundo a pesquisa The Answer Economy: How AI Search Is Rewiring B2B Software Buying, da G2, metade dos compradores de software (51%) já inicia sua pesquisa em um chatbot de IA com mais frequência do que no Google — um salto expressivo frente aos 29% registrados um ano antes.
Mais importante: os chatbots de IA se tornaram a principal fonte de influência sobre quais fornecedores entram na lista final de avaliação, à frente de sites de review, sites institucionais e indicações pessoais. De acordo com essa mesma pesquisa, 85% dos compradores passam a ver uma empresa com mais credibilidade quando ela é mencionada por uma IA em uma resposta, e 69% já trocaram o fornecedor que tinham em mente inicialmente após a orientação de um chatbot.
Outros levantamentos do setor reforçam esse padrão: em boa parte dos casos, o fornecedor que vence a disputa já estava na lista inicial de considerados pelo comprador desde o primeiro dia da jornada — o que mostra que a etapa de descoberta, cada vez mais mediada por IA, é decisiva muito antes de qualquer conversa com um vendedor.
O consumidor final também mudou de hábito
O mesmo movimento aparece do lado do consumidor comum. Um estudo do IAB, divulgado no fim de 2025, constatou que visitas de compradores de alta intenção a sites de varejo quase triplicaram depois de uma interação com IA, e um em cada três desses consumidores clicou direto de uma plataforma de IA para o site do varejista.
Outros levantamentos recentes do setor de e-commerce apontam que mais da metade dos consumidores já escolheu uma marca que não conhecia a partir de uma sugestão de IA — e considerou a experiência positiva.
Dados de mercado também mostram que o tráfego vindo de plataformas de IA já converte melhor do que o tráfego tradicional, invertendo uma tendência observada até pouco tempo atrás. Ou seja, quem chega a um site guiado por uma recomendação de IA está mais propenso a comprar.
No mercado brasileiro, segue a mesma tendência global. Uma pesquisa da Branddi, realizada em janeiro de 2026 com 500 consumidores de todo o país, revelou que 54% dos brasileiros já compraram algum produto ou serviço a partir de recomendação de uma IA, sendo que 34% repetiram esse comportamento mais de uma vez.
Ainda assim, buscadores tradicionais como o Google continuam sendo a principal fonte de consulta antes da compra, citados por 72% dos entrevistados — um sinal de que a IA se soma à jornada, mais do que substitui os canais já existentes.
Apesar do crescimento acelerado da influência da IA, os estudos deixam claro que ela ainda não substitui o julgamento humano na etapa final da compra. Um levantamento recente sobre o comportamento do consumidor brasileiro mostra que a maior parte ainda afirma que a inteligência artificial não interfere diretamente na decisão final — ela é útil principalmente para comparar preços e localizar produtos, mas o “sim” final ainda costuma ser humano.
Como as agências podem ajudar as marcas a virarem “recomendação” da IA
Boa parte das respostas que as IAs generativas entregam ainda depende, direta ou indiretamente, da forma como o Google e outros mecanismos de busca enxergam a autoridade de um site. Isso significa que o trabalho clássico de link building — construir backlinks relevantes vindos de portais de imprensa, sites especializados do setor e plataformas de avaliação — continua sendo uma das bases mais sólidas para uma marca ser reconhecida como referência.
Quando um site recebe menções de fontes confiáveis e tematicamente conectadas ao seu negócio, ele envia um sinal de credibilidade que tanto o algoritmo de busca quanto os modelos de IA usam para decidir quem merece ser citado como recomendação.
Para Felipe Cardoso, CEO da Rank Certo, agência especializada em autoridade externa para SEO e buscas com IA, esse cenário muda o papel das estratégias de visibilidade digital. Se antes o objetivo principal era conquistar posições no Google, agora as marcas também precisam construir sinais externos suficientes para serem compreendidas, citadas e recomendadas por sistemas de inteligência artificial.
Para as agências, isso abre uma frente de trabalho estratégica: em vez de buscar apenas volume de links, o foco passa a ser a relevância e a autoridade da fonte — parcerias com veículos de imprensa, presença ativa em sites de review do setor, conteúdos técnicos citados por terceiros e menções em páginas já bem posicionadas.
Quanto mais o perfil de links de uma marca se parecer com o de fontes que os modelos de IA já consideram confiáveis, maior a chance de ela ser mencionada tanto nos resultados tradicionais do Google quanto nas respostas de ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity — exatamente o momento em que o consumidor está formando sua lista de opções.
O que isso significa para as empresas
Na prática, isso configura um novo tipo de funil de vendas: a IA domina a fase de descoberta e formação da lista de marcas consideradas, mas a decisão final ainda passa por validação humana — muitas vezes reforçada por sites de avaliação, que segundo a pesquisa da G2 são citados por 45% dos compradores como o sinal que mais gera confiança dentro de uma resposta de IA.
Esse cenário deu origem a uma nova disciplina de marketing, batizada de GEO (Generative Engine Optimization) ou AEO (Answer Engine Optimization): o trabalho de estruturar conteúdo, dados de produto e presença em sites de review para que uma empresa seja efetivamente citada — e recomendada — quando alguém pergunta a uma IA qual é a melhor opção do mercado.
Os dados são consistentes em diferentes países, setores e metodologias: a inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta de busca, mas um agente ativo de recomendação, capaz de decidir quais empresas chegam até o consumidor.
Para as marcas, não basta mais aparecer bem no Google. É preciso aparecer bem na resposta que a IA está dando, porque é ali que a decisão de compra começa a ser formada.
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Sponsors Day 2026 debate amadurecimento do setor e a transição do patrocínio para ativo estratégico de negócios

O mercado global de patrocínios atravessa uma profunda reestruturação estrutural. As marcas deixaram de priorizar a mera exposição de logotipos e a busca por visibilidade isolada para focar em projetos integrados, capazes de gerar relacionamento profundo, reputação corporativa, engajamento comunitário e resultados comerciais mensuráveis. O diagnóstico foi o principal destaque da nova edição do Sponsors Day, evento promovido pela Associação Patrocínio Brasil (APBR) em São Paulo, que reuniu diretores de agências, gestores de propriedades e especialistas em mídia.
Sob o tema “O Mundo do Patrocínio”, o encontro traçou um panorama sobre a evolução do setor no Brasil e no exterior. O cenário atual é impulsionado pela profissionalização das estratégias, pelo crescimento dos aportes financeiros e pelo fortalecimento das leis de incentivo fiscal. A análise histórica apresentada reforçou a mudança no papel dos anunciantes, que hoje utilizam o patrocínio como uma ferramenta central de posicionamento de longo prazo.
A apresentação de abertura foi liderada pelo presidente da APBR, Adauto Gudin, e pelo vice-presidente de Marketing da entidade, Roque A. Horta de F. Mendes. Os executivos apontaram que a curadoria dos projetos patrocinados está diretamente atrelada à cobrança interna por entregas de ROI (Retorno sobre o Investimento) mais consistentes.
Nesse contexto, o debate destacou a importância de as marcas mapearem de forma clara seus territórios estratégicos de atuação — divididos em pilares como esporte, cultura, impacto social (ESG) e negócios —, garantindo aderência à identidade corporativa.
Outro ponto focal do evento foi a eficiência das ativações. Os painelistas enfatizaram que o investimento em uma propriedade só gera valor real quando desdobrado em estratégias de live marketing, produção de conteúdo proprietário e experiências imersivas que capturem a atenção do público antes, durante e após a realização do evento.
A mensuração de resultados também ocupou espaço central nas discussões do Sponsors Day. O painel técnico detalhou a urgência de adotar indicadores que extrapolem os relatórios quantitativos tradicionais de equivalência de mídia. As marcas passam a auditar dados qualitativos baseados em pesquisas de saúde de marca (brand health), curvas de reputação, nível de influência digital, net promoter score (NPS) e geração de valor reputacional.
O encerramento do encontro abriu espaço para reflexões sobre temas regulatórios que devem pautar os orçamentos de marketing nos próximos anos, como governança, compliance, a aplicação de dados em conformidade com a LGPD e a integração real de metas de ESG às campanhas de marcas. Adauto Gudin resume o atual estágio de maturação do mercado nacional. “O patrocínio está passando por um processo de amadurecimento. As marcas estão cada vez mais atentas à capacidade de gerar conexão, reputação, resultado e valor de longo prazo, e isso exige uma atuação mais estratégica, profissional e integrada aos objetivos de negócio.”
Ao promover debates dessa magnitude, a APBR busca qualificar as relações comerciais entre marcas e propriedades esportivas ou culturais. A meta é garantir que o ecossistema brasileiro de publicidade continue evoluindo para se consolidar não apenas como um motor de comunicação e entretenimento, mas como um ativo gerador de desenvolvimento econômico sustentável para o país.








